Arquivo para Dezembro, 2007

Plantas perderão capacidade de absorver CO2 até 2100, diz estudo

Londres, 25 jul (EFE).- Os níveis de ozônio superficial, que se acumula na camada mais baixa da atmosfera, aumentarão até 2100, dificultando o crescimento das plantas e reduzindo sua capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2).
Esta é a conclusão de um relatório publicado esta semana na revista científica britânica “Nature”. O estudo foi elaborado por pesquisadores que trabalham em diversas instituições científicas do Reino Unido, como a Universidade de Exeter, no sul da Inglaterra.

O documento adverte que a concentração do ozônio superficial, também chamado troposférico, disparou nas últimas décadas e, por enquanto, não apresenta sinais de que vai parar de aumentar.

Este ozônio troposférico é diferente do que forma a camada de ozônio que preserva a Terra das radiações ultravioletas, segundo os pesquisadores. Os estudiosos afirmam que o aumento em sua quantidade é causado, em parte, pelas emissões poluentes da indústria e pelo aumento do uso de veículos.

Os pesquisadores acreditam, ainda, que a situação não melhorará, já que o excesso de CO2 na atmosfera obstrui os poros das plantas que absorvem o ozônio troposférico, em um círculo vicioso.

De acordo com os cientistas, as emissões associadas às queimadas de florestas e à queima de combustíveis fósseis, que liberam CO2 para a atmosfera, “aproximadamente dobrou a concentração de ozônio troposférico”, que deve aumentar ainda mais nos próximos anos.

O quadro tem conseqüências sobre o processo de aquecimento global.

O fato de as plantas não serem capazes de absorver nem o ozônio, nem o CO2 da atmosfera – um dos responsáveis pela intensificação do efeito estufa e, conseqüentemente, pela elevação das temperaturas -, será muito mais determinante para o aquecimento da Terra que a maior concentração desses gases, afirmam os pesquisadores.

Neste sentido, a evolução do clima do planeta durante o século XXI dependerá, em grande parte, do ritmo com que as plantas forem capazes de absorver o CO2, concluem os cientistas. EFE lj-mcs is/ma

Fonte: [ Último Segundo ]

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Temores sobre os transgênicos estão se confirmando, diz cientista gaúcho

O Geneticista Flávio Lewgoy revela que já há vários casos comprovados no mundo de graves danos à saúde humana e animal provocados pelo uso de transgênicos. “O que os críticos dos transgênicos sempre disseram está aparecendo, e em grau exponencial, mostrando que se tratam de produtos de alto risco”, afirmou o cientista à EcoAgência.

Porto Alegre, RS – Um parecer científico da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), dirigido ao Conselho Estadual de Saúde, põe mais lenha na fogueira desse debate. O texto afirma, com todas as letras, que estão comprovados os riscos dos transgênicos à saúde humana e animal.

Elaborado pelo químico e especialista em genética Flávio Lewgoy, ex – professor titular do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e conselheiro da Agapan, o documento destaca que, em 1999, ele já tinha alertado a respeito do potencial nocivo dos OGMs, como resultado dos genes alienígenas inseridos em seus genomas.

“Desde então, pesquisas científicas em renomadas instituições de vários países, bem como relatos de casos, evidenciam que esse potencial se concretizou, em alto risco à saúde pública e animal, com a liberação comercial de variedades Geneticamente Modificadas de soja e milho sem avaliação adequada”, afirma Lewgoy.

A seguir, ele enumera no documento de quatro páginas, com a citação das fontes científicas, vários exemplos disso. Tais pesquisas, observa, foram publicadas em periódicos científicos internacionais, de reconhecida seriedade, após rigorosa revisão por painéis de especialistas da mesma área – o chamado “peer review”. “Os artigos expõem anomalias na bioquímica, sistema imune, anatomia, crescimento, reprodução e comportamento em animais aliementados com batatas, milho ou soja geneticamente modificados”, assinala Lewgoy.

Pesquisas com roedores

São impressionantes, por exemplo, os resultados citados de pesquisas com roedores alimentados com transgênicos.

No Rowett Institute, em Aberdeen, Escócia, roedores jovens alimentados com a batata transgência mostraram, após 110 dias, lesões pré-cancerosas no aparelho digestivo, limitado desenvolvimento do cérebro, fígado, testículos, pâncreas, intestinos dilatados e danos no sistema imune, relataram os cientistas Puztai e Ewen, autores do estudo.

Já a doutora Irina Ermákova, da Academia de Ciências da Rússia, publicou que ratas alimentadas com soja RR (tolerante ao herbicida glifosato, liberada no Brasil) tiveram excesso de filhotes malformados e com pouca sobrevida: os sobreviventes eram estéreis. Além disso, num comunicado ao 14º. Congresso Europeu de Psiquiatria, ela advertiu ainda que a mesma dieta elevou os níveis de ansiedade e agressividade dos roedores.

Com resultados bem semelhantes, cientistas das universidade de Urbino, Perguia e Pavia, na Itália, revelaram que a alimentação de camundongos com soja RR provocou alterações no pâncreas, fígado e intestino dos roedores.

Reações humanas ao algodão, milho e soja

Na Índia, em seis aldeias, os trabalhadores de plantações do algodão Bt (transgênicos) tiveram afecções de pele, olhos e aparelho respiratório. Detalhe importante: todos tinham, anteriormente, trabalhado com algodão não geneticamente modificado (convencional), sem apresentar esses problemas de saúde.

Em outro caso relatado por Lewgoy, nas Filipinas, em 2003, cerca de 100 pessoas que viviam perto de uma plantação de milho Bt Mon810 tiveram reações cutâneas, intestinais, respiratórias e outros sintomas quando o milho começou a florescer. “Testes do sangue de 39 pessoas acusaram a presença de anticorpos contra a toxina Bt, o que reforça a suposição de que o pólen seria a causa do episódio. Esses sintomas reapareceram em 2004, em ao menos quatro outras localidades onde foi plantado o mesmo cultivar de milho”.

Já na Grã-Bretanha verificou-se um grande aumento nas alergias à soja após a introdução do produto GM. “Em 1999, em curto espaço de tempo, alergias causadas pelo consumo de soja tiveram um salto na incidência de 10% para 15%”.

A soja geneticamente modificada foi introduzida justamente naquele ano no país. E os testes sangüíneos para anticorpos revelaram reações diferentes das pessoas a variedades de soja não-transgências e transgênica (que tem maior concentração de uma proteína alergênica, por “coincidência”).

Mortes de animais

Após a colheita do algodão, no distrito de Warangal, em Andhra Pradesh, Índia, 10 mil ovelhas que pastaram folhas e brotos das plantas transgênicas adoeceram e morreram em cinco a sete dias, conta o geneticista. A causa provável apontada foi a a toxina Bt (do produto transgênico), sendo que não houve mortes de ovelhas nos campos de algodão não-Bt.

Enquanto isso, em Hesse, Alemanha, doze vacas leiteiras de um rebanho, alimentadas com folhas e sabugos de milho Bt 176, duplamente transgênico, resistente ao herbicida glufosinato e secretor da toxina Bt, morreram. A Syngenta, fornecedora das sementes pagou 40 mil euros de indenização ao fazendeiro, mas as amostras coletadas para exames de laboratório sumiram, misteriosamente.

Por outro lado, em fazendas dos Estados Unidos constatou-se que, entre ração transgênica e não-transgênica, os animais preferem a última: “Em testes feitos em fazendas, vacas e porcos repetidamente rejeitaram milho GM Bt. Animais que evitaram alimentos GM (soja RR, milho Bt) incluem vacas, porcos, gansos selvagens, esquilos, veados, alces, ratos e camundongos”, destaca o parecer.

Crítica à CTNBio

Quando aprovou a liberação comercial do milho transgênico da Bayer (resistente ao herbicida glufosinato), recentemente, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) afirmou que a espécie não é potencialmente causadora de degradação ao meio ambiente ou de prejuízos à saúde humana e animal. “Esta afirmação não se sustenta nos fatos”, critica o cientista gaúcho e conselheiro da Agapan.

Segundo ele, as duas únicas pesquisas publicadas a respeito foram duramente criticadas por pesquisadores independentes por serem mal elaboradas, mas mesmo assim detectaram problemas no uso do produto. Um experimento com galinhas, cita Lewgoy, mostrou que as aves alimentas com ração de milho geneticamente modificado tiveram o dobro da mortalidade, além de menor ganho de peso. A segunda experiência empregou a proteína PAT, que o milho transgênico sintetiza, e filhotes de ratos alimentados por 13 dias com baixas ou altas doses da proteína tiveram problemas de crescimento.

Além disso, completa, são muito reduzidos ou inexistentes os estudos sobre a digestão no organismo humano e animal do herbicida e seus metabólitos (empregados na planta e na espiga transgênica), bem como sua interação com os microorganismos do aparelho digestivo.

Riscos preocupantes

“Os riscos de saúde, humanos e animais, do consumo de transgênicos agrícolas, expostos e documentados neste parecer, imediatos – por exemplo, alergias – e a médio e longo prazo, afetando os sistemas nervoso, digestivo e imune, são preocupantes”, afirma o geneticista.

Na conclusão do documento, ele recomenda que seja exigido o cumprimento da lei que determina a rotulagem dos produtos transgênicos disponíveis aos consumidores. Orienta também para que o Conselho Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul e dos demais estados e municipios tomem medidas judiciais para impedir o licenciamento e liberação comercial dos transgênicos que não tenham passado por rigorosas avaliações, feitas por cientistas independentes, declaradamente sem conflitos de interesse, ressalta.

“Os defensores dos transgênicos estão ficando acuados, os fatos sinalizam que alguma coisa há de errado. Estamos na véspera de grandes acontecimentos para derrubar os mitos dos transgênicos, que só existem pelas enormes quantias que as empresas do setor investem”, disse Lewgoy à EcoAgência.

Genoma é muito complexo

O geneticista destaca que o genoma é extremamente complexo, por isso é impossível aos cientistas que trabalham na produção de transgênicos controlar todos os seus efeitos.

Para ele, estes fatos todos só não têm vindo à público por omissão da imprensa e cumplicidade de boa parte dos cientistas, alguns ingênuos – acreditando que ser contra os transgênicos é ser contra a ciência – e outros silenciados ou pagos pela indústria. Mas dois cientistas brasileiros já abandonaram a CTNbio por não concordarem com os procedimentos do órgão na avaliação dos OGMs, lembra.

Por estranho que pareça, destaca, há muitos cientistas norte-americanos contestando os OGMs e que estão sofrendo represálias por isso: “O poder financeiro dessas empresas é estarrecedor, mas não estão conseguindo mais tapar o sol com a peneira, há uma série de denúncias contra os transgênicos, estamos vivendo outros tempos”, acredita o cientista.

{Texto de Ulisses A. Nenê para a EcoAgência.}

Fonte: [ EcoAgência ]

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Casa na árvore deixa de ser sonho de criança


Projeto variam desde um pequeno espaço de 9 m² e vai até 82 m² de construção.
No interior de São Paulo, casa será evolução da técnica e terá energia elétrica.

Glauco Araújo Do G1, em São Paulo

Divulgação)

Ter uma casa na árvore não é mais um sonho de criança. Esta também é a saída encontrada por adultos para se refugiar da agitação das grandes cidades e viver entre pássaros, copas repletas de frutas e até dividir a morada com um ninho de joão-de-barro.

O empresário paranaense Ricardo Brunelli é um exemplo disso. Ele construiu a primeira casa na árvore em 1976. A estrututa era de bambu e coberta por folhas de bananeira. O projeto durou até a primeira chuva. Ele contou com a ajuda de dois amigos e a construção foi levantada em espaço afastado, numa fazenda, em Rolândia (PR). “Essa idéia ficou na minha cabeça e pensava sempre se um dia eu conseguiria construir uma casa de verdade para mim”, disse.

O que era brincadeira de criança hoje é o trabalho de Brunelli, que constrói casas em árvores. A primeira casa, feita profissionalmente, está em uma figueira centenária, localizada numa fazenda na cidade de Porecatu, no interior do Paraná. “É uma figueira com 30 metros de altura. A casa está a 10 metros de altura. A plataforma de lazer está a 18 metros de altura, como se fosse um apartamento no sexto andar.”

Divulgação)

A casa na árvore construída na figueira pode muito bem abrigar uma família de maneira permanente, segundo Brunelli. “São 44 m² de construção, com sacada de 20 m² e uma área de lazer com 17m² sobre a casa.”

A obra tem fogão a lenha, que pode ser usado como lareira nas estações frias, o quarto tem ar-condicionado. O banheiro é completo e tem azulejo na parede, feita de placas de isopor. Como segurança, a escada sobe e desce por meio de controle-remoto. “A estutura é feita de angico-preto, que é bem resistente e suporta até 150 quilos por metro quadrado”, disse Brunelli.

Ele conta que aproveita o imóvel da árvore nos finais de semana com a família. “Sou eu que cuido e faço a manutenção. Tenho muito carinho por ela”, disse o empresário. Acostumado à altura das copas das árvores, Brunelli está construindo um escritório suspenso, em Londrina. “Serão 30 m² em um condomínio fechado. A outra, na figueira, será apenas para passeio mesmo.”

Divulgação)

Meio ambiente

A integração dos donos de casas em árvores com a natureza é total. “Nós não derrubamos um galho sequer das árvores. Temos uma preocupação com o meio ambiente. Mudamos o projeto de uma casa para manter dois ninhos de joão-de-barro na árvore escolhida para construção e estão lá até hoje”, afirmou Brunelli. Para garantir a sustentação da casa entre os galhos, a construção é feita com travamentos feitos com cabos de aço.

Para construir uma casa na árvore é preciso ter olho clínico para acertar qual é a melhor e mais segura. “Muitas vezes as pessoas nos procuram com um projeto de casa pronto na cabeça e com uma árvore já escolhida. No entanto, não é difícil a gente mudar o projeto e até mesmo a árvore. É preciso que ela tenha entre 70 e 80 centímetros de diâmetro de tronco para poder apoiar uma casa. Além disso, tem de ter espaço para que o deck não cubra totalmente a raíz da árvore, que precisa receber sol. A base de uma casa para adulto também não pode ser construída, por exemplo, a menos de seis metros de altura”, disse Brunelli.

O empresário conta com o apoio técnico de José Aparecido Rossato, de 48 anos. A família dele trabalha com madeira a seis gerações. “Meu avô ensinou mei pai, que me passou as informações e assim foi indo. Com isso já são seis gerações. Ao mesmo tempo que a gente usa a madeira para construir as casas, temos pena de matar uma árvore para ter a madeira. Eu fico sentido com isso, porque queria mesmo ver a árvore em pé, no meio da natureza.”

Rossato, no entanto, disse que se sente bem em construir casas em árvores. Ele diz ter certeza de que ela não será derrubada enquanto abrigar a construção. “Isso serve de conforto para nós. Não tem jeito mesmo, pois temos de usar madeira em tudo na vida. De qualquer forma, tomamos cuidado para não machucar a árvore.”

Medo de raio

A sensação de liberdade e de isolamento ainda compensam o risco, considerado pequeno, de um raio cair sobre a árvore que sustenta a casa. “Só colocar um pára-raio sobre a árvore não garante segurança. O ideal seria construir três torres de madeira, mais altas do que a árvore, mas isso sai muito caro.” Brunelli lembra que durante uma tempestade teve de descer com a mulher e os filhos para o carro. Não demorou muito tempo e voltamos para a casa na árvore.”

Divulgação)

Vida de Tarzan

O casal Manolo Moran e Tereza Setti escolheu a cidade de Santo Antônio da Platina, no Paraná, para construir a casa da árvore para a família. “Já faz três anos que curtimos isso. Depois que tivemos os nossos filhos, amadurecemos a idéia de termos uma casa assim. Não precisamos dos clichês de casas na árvore, como cordas para subir e nem escorregadores, não era essa a nossa idéia”, disse Tereza.

Para ela, a casa, também instalada em uma fazenda, serve de refúgio para a família. “É espaço suficiente para nós quatro. As crianças adoram, mas as visitas adoram mais ainda. A primeira coisa que perguntam quando chegam à fazenda é onde está a casa na árvore”, disse Tereza.

A casa foi construída em um aglomerado de flamboaiã e tem 9m² de área interna. “É o suficiente para nós. Ainda temos uma lareira para manter o local quente nos dias mais frios”, afirmou Tereza.

Em Botucatu, no interior de São Paulo, Brunelli construiu uma casa que surge num pé de jambo e termina entre duas mangueiras. Esta tem 82 m² e uma passarela de 22 metros de comprimento e está a 10 metros de altura. O caminho para o mirante sai da piscina da casa e segue com 15 metros de passarela.

O projeto mais ambicioso está sendo construído em Araras, no interior de São Paulo. A casa, segundo Brunelli, será a mais bonita de todas. “É a evolução de toda técnica e conhecimento que temos em casas de madeira. O projeto vai ter energia elétrica, móveis e tudo que uma casa construída no chão tem”.

A obra possui um parque infantil na parte inferior e depois tem uma casa de dois quartos para adolescentes. Há também passarelas interligando os ambientes até um mirante com vista para a represa local.

Fonte: [ G1 ]

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Já não se podem deixar os miúdos sozinhos…

(imagem descaradamente palmada ao abrupto.blogspot.com)

No minuto em que cheguei a casa, ainda de havaianas e cheia de sal no cabelo, recebi um telefonema da minha mãe a dizer “Liga rapidamente a TV, na SIC”. Estava a dar a 1ª reportagem sobre o movimento de cidadãos que destruiu cerca de um hectare de uma plantação de (50 hectares de) milho OGM no Algarve.

O meu primeiro pensamento foi “lá vai o meu trabalho andar para trás”. Como bióloga que trabalha no sentido de integrar a espécie humana na natureza sem que existam desequilíbrios prejudiciais às 2 partes, geralmente as manifestações dos “ambientalistas” só vêm descredibilizar a imagem do meu trabalho. Quem é que liga aos maluquinhos que andam a salvar baleias?

Na verdade, no dia seguinte já tinha mudado de opinião. Passo a explicar porquê:

- Sou totalmente contra a violência, mas não acho que o grupo de cidadãos tenha usado violência nenhuma. Destruíram para aí 1% do milho, levaram sacas de milho biológico para oferecer ao produtor e ofereceram-se como mão de obra para o cultivar. Se quisessem mesmo destruir a plantação tinham-lhe pegado fogo como fazem sistematicamente os activistas da Greenpeace em França. A acção foi pacífica e simbólica, e usaram máscaras porque em 2003 houve um caso grave de intoxicação de populações nas Filipinas que viviam perto de plantações deste milho, sendo detectados anticorpos no seu sangue, conforme comunicação do Dr. Traavik (Norwegian Institute of Gene Ecology) numa conferência dada em Kuala Lumpur a 22 de Fevereiro de 2004.

- Não percebo onde é que foram buscar a ideia de que a manifestação era composta por um bando de miúdos que nunca trabalharam. Eu pela TV não percebi se eram miúdos; se nunca trabalharam então pelo menos os estrangeiros não arranjavam dinheiro para cá chegar de avião, e se são assim tão amigos de charros e da preguiça não se explica que tenham posto de pé um evento para 500 pessoas num campo alentejano, com alimentação garantida, fornos solares, casas de banho secas, duches quentes, construções de taipa e uma data de workshops, como estava no programa. A mim soa-me a pessoas bem mais desenrascadas que o cidadão comum, que acha que o frango nasce no supermercado.

- Sinceramente, estou farta do monopólio de informação sobre os transgénicos e de nos quererem inpingi-los à força. Quase todos os comentários que li no Público, no DN e as demagogias no Abrupto e no Ambio são nem mais nem menos do que rezinguices de macho omega. Porque morder ao macho alfa está fora de questão. Para estes senhores é mais fácil cair em cima de um bando de pessoas (”miúdos”) que teve coragem de trazer as suas convicções para a rua do que virar-se para quem devia apresentar explicações. Esquecem-se de quando eles eram miúdos que trouxeram as convicções para a rua e fizeram o 25 de Abril, agora que estão confortavelmente empoleirados? Talvez. Mas passo a esclarecer a minha alergia aos transgénicos:

- Os OGM não foram aprovados por nenhum sistema de votação democrática em que eu me lembre de participar, apesar de ter respondido a todas as (muito pouco divulgadas) consultas públicas que decorreram antes da aprovação destes. Alguém se lembra delas? Dificilmente, são realizadas porque a lei europeia o exige mas são escondidas nos sites da UE que nem barras de ouro.

- A Agencia Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) não realiza os seus próprios estudos antes de aprovar uma planta para circulação na UE, aceita como credíveis os estudos apresentados pelas próprias empresas que querem comercializar essa planta (estamos a ficar tão espertos como os americanos). Isto passou-se com o milho transgénico em causa;

- O Dr. Séralini, da Universidade de Caen (França) pegou nos dados fornecidos pelos estudos da Monsanto e tratou-os com um tipo de formula estatística diferente, vindo a revelar que os ratos alimentados com milho transgénico (desse que anda por aí a circular) sofrem perturbações a nivel de fígado e rins.

- Releiam o ponto anterior. As experiências foram feitas em RATOS. Nunca houve uma experiência feita com um grupo de humanos que se dispusessem a comer transgénicos para se verem as consequências. Os primeiros cobaias somos NÓS.

- O principal argumento da UE para levantar a moratória ao cultivo e consumo de OGM é o facto de “estarem a perder a corrida económica com os EUA e a China”. Se te mandares ao poço eu vou atrás…

- O aparecimento de ervas daninhas super resistentes, insectos que querem lá saber de folhas geneticamente modificadas e espécies agressivas afins que evoluíram por causa da pressão evolutiva causada pela presença dos OGM é incontável. Leiam http://www.stopogm.net

- O Ministério da Agricultura teve este ano uma atitude vergonhosa de desrespeito para com a população portuguesa, divulgando a localização dos campos de milho GM apenas no fim de Julho quando o milho já ia alto, ao contrário do que está estabelecido na lei europeia transposta para a portuguesa. Além disso divulgou a coisa do género “propriedade sem nome, no concelho X, 30 hectares”, o que é igual ao litro. Se temos um campo de OGM ao pé de casa, ficámos a saber agora. Além disso era também obrigado a comunicar esta informação ao Ministério do Ambiente, e não o fez. Vide site do MADRP.

Posto isto, face à indiferença dos cientistas portugueses e europeus no geral em relação a um problema de saúde pública que está a ser causado apenas porque empresas multinacionais querem fazer fortunas à custa de sementes patenteadas (o que é uma estupidez porque elas não desenharam os transgenes incluídos nas plantas GM, apenas os foram buscar a outros organismosI), percebo que haja gente que está farta. O Ministro da Agricultura dizia ontem na TV: se isto faz mal, provem-no cientificamente. Mas onde? E oportunidade para isso? E gente para o ouvir? Quem o queira saber, quem não esteja resignado a comer frangos com nitrofuranos e milho com toxinas de bactérias, onde estão as pessoas que acham que o seu voto ou o seu protesto ainda vai fazer alguma diferença?

100 delas estavam em Silves na 6ª feira.

Fonte: [ Polegar Verde ]

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Cereais reagem bem à música clássica

Genes do arroz respondem aos sons de compositores como Beethoven.
Descoberta pode baratear as técnicas de cultivo dos agricultores.

Divulgação)

Cereais gostam de música clássica, alega uma equipe de cientistas sul-coreanos, após identificar dois genes do arroz que respondem de forma mais ativa ao serem submetidos aos sons de compositores como Ludwig van Beethoven.

Apesar de ter provado que as plantas respondem à luz, que afetam e otimizam seu crescimento, e também ao tato, o que reforça a resistência ao vento, até agora a reação ao som era um mistério.

Segundo estudo publicado hoje na revista científica britânica “New Scientist”, os pesquisadores expuseram mudas de arroz ao som de 14 obras distintas de música clássica em diferentes freqüências, enquanto analisavam os níveis de atividade dos genes.

Dirigido por Mi-Jeong Jeong, do Instituto Nacional de Biotecnologia Agrícola de Suwon (Coréia do Sul), a equipe descobriu que os genes rbcS e Ald eram mais ativados quando submetidas a freqüências de 125 e 250 hertz, enquanto diminuíam sua atividade a 50 hertz.

Os resultados do relatório sugerem que o som poderia ser uma alternativa à luz como gene regulador. Os pesquisadores acrescentam que a descoberta baratearia as técnicas de cultivo dos agricultores porque poderiam prescindir de produtos químicos para ativar os genes de crescimento.

No entanto, o descobrimento gerou ceticismo entre alguns cientistas, como Philip Wigge, do centro John Innes. Ele qualifica as técnicas utilizadas de “antiquadas” e acredita que os exemplos analisados são “poucos”.

Fonte: [ G1 ]

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Da evolução à extinção

A vida na Terra surgiu há milhões de anos, evoluiu lentamente e está desaparecendo a um ritmo sem precedentes: um em cada quatro mamíferos, um em cada oito pássaros, um terço de todos os anfíbios e 70 por cento das plantas catalogadas do planeta aparecem agora na Lista Vermelha de Plantas e Animais em Perigo, da World Conservation Union (IUCN), responsável pelo relatório anual das espécies em risco de extinção, segundo o qual, o ritmo de extinção atual é 10.000 vezes mais alto do que se estimava.

A atividade humana, destruindo os habitats naturais através da urbanização, agricultura e desmatamento, juntamente com as mudanças climáticas representam as maiores ameaças às plantas e animais. Hoje, 16.306 espécies estão ameaçadas de extinção, enquanto as já extintas somam 785. Nossas vidas, é bom lembrar, dependem da biodiversidade e sua proteção é essencial para a nossa sobrevivência.

Segundo o World Wildlife Fund (WWF), estamos em alerta vermelho, e a situação das espécies é um espelho da situação do planeta; elas estão sendo submetidas a enormes pressões à medida que nós sistematicamente destruímos seus habitats ou as superexploramos para sustentar nosso cada vez mais exigente modo de vida; precisamos urgentemente reverter esta ameaça e começar a viver conforme a real disponibilidade de recursos naturais do planeta.

Tradução: sustentabilidade, palavra da moda, derivada de sustentar, entre cujos significados encontram-se conservar, agüentar, suportar e, principalmente, lutar em defesa de algo. Quando se fala com tanta freqüência em desenvolvimento sustentável, incorre-se em certo abuso da expressão, a menos que se lha acrescente o adjetivo limitado. Desenvolvimento sustentável limitado, aí sim. Limitado pela quantidade de recursos naturais disponíveis, e as opiniões acerca dessa disponibilidade são controversas, há quem diga que ela já ultrapassou em muito o limite do razoável, porque estes recursos precisam ser divididos entre todos os seres vivos.

A questão da água é tão importante quanto a da energia, e um terço da humanidade – por enquanto – sofre com a sua falta, e por “água” deve-se entender aquela que se presta ao consumo, a qual está tendo sua quantidade gradualmente reduzida pela contaminação dos lençóis freáticos, lagos e rios. O maior consumidor de água é a agricultura, que requer, atualmente, 78% de toda ela, e a plantação intensiva de cana, beterraba e tudo o mais que se preste à produção de biocombustíveis tende a acentuar este consumo.

O pintor novaiorquino Walton Ford dá uma visão artística da disputa entre os seres vivos, ou melhor, entre os homens e os demais seres vivos, em sua crítica das relações dos homens com os animais e a natureza. Todas as suas obras são produto de histórias e fábulas que o autor lê e nelas se inspira. Preocupado com o meio-ambiente, Ford pinta a própria cadeia alimentar: leões que dominam humanos, gorilas que se rebelam contra as câmeras dos fotógrafos, leões que engolem crocodilos, como que ilustrando a justiça implacável da Natureza. Ele fala sobre um espécime conhecido como Martha, a remanescente única de bilhões que existiam na América do Norte no século XVII. Seu corpo foi doado ao Smithsonian Institute, onde foi mantida, empalhada, sob a epígrafe: “Martha, a última de sua espécie, falecida às 13 horas de 1º de setembro de 1914, aos 29 anos, no Zoológico de Cincinatti, Ohio. Sua obra ‘Pancha Tantra’ será publicada em novembro pela editora Taschen. www.taschen.com

Como se viu acima, apenas com o exemplo de algo tão comum como a água, a competição entre os seres vivos é absurdamente intensa, e pode ser amenizada se o homem mudar seus hábitos de consumo. Ou isso, ou acabará figurando na Lista Vermelha.

Luiz Leitão
luizmleitao@gmail.com
http://detudoblogue.blogspot.com

Fonte: [ Olhar Direto ]

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ALIMENTOS: Soya e Liza serão identificados como transgênicos

transg 115 - transgenico

SÃO PAULO, 20 de setembro de 2007 – A Justiça de São Paulo determinou que as duas maiores fabricantes de óleo de soja do Brasil, a Bunge e a Cargill, rotulem seus produtos, os óleos Soya e Liza, respectivamente, como transgênicos. As empresas terão de se adequar ao decreto federal de rotulagem de 2003, que obriga a constar nos rótulos a imagem do triângulo amarelo com um T no meio e a informação de que o produto foi fabricado com matéria-prima transgênica, no caso, a soja.

A ação civil pública proposta pelo Ministério Público de São Paulo resultou de uma denúncia feita pelo Greenpeace em outubro de 2005, quando cerca de 20 ativistas da organização foram à Brasília entregar ao governo um dossiê que comprovava a utilização de soja transgênica na fabricação dos óleos Soya e Liza

De acordo com o decreto de rotulagem, todos os produtos fabricados com mais de 1% de organismos geneticamente modificados devem trazer essa informação no rótulo. Isso vale para produtos como o óleo, a maionese e a margarina, em que não é possível detectar o DNA transgênico. (Redação – InvestNews)

Fonte: [ Gazeta Mercantil ]

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Chás que eliminam miomas

Enviado em Notícias, Plantas Medicinais de Anderson Porto | 16 de Outubro de 2007 @ 09:55

Mito ou verdade? Há quem não espere pela resposta definitiva. Na rota dos pesquisadores, foi encontrado o uxi-amarelo, árvore que alguns brasileiros consideram quase milagrosa.

“A casca do uxi-amarelo é utilizada no tratamento de miomas. É feito um chá, que deve-se deixar ferver bastante. No caso específico do tratamento para mioma e cisto, é necessário tomar meio litro de uxi-amarelo de manhã e meio litro de unha-de-gato pela tarde”, ensina o botânico.

A unha-de-gato é considerada um poderoso anti-inflamatório natural, usado contra gripes e viroses. A erva fortalece o sistema imunológico e também é recurso no tratamento de tumores.

Uxi-amarelo e unha-de-gato. Quantas vezes essa mistura já surpreendeu médicos e pacientes? A professora Carla Ribeiro e a vendedora ambulante Maria Neide Oliveira não se conhecem, mas estão unidas para sempre por histórias muito parecidas.

No consultório médico, a professora e o marido olham emocionados mais uma ultra-sonografia. Durante sete anos, o casal tentou, sem sucesso, ter um filho. Os miomas, tumores benignos no útero, não deixavam.

Carla fez várias cirurgias para extrair os miomas. Mas, depois de um tempo, eles surgiam novamente. Já desanimada, começou a tomar o chá de uxi-amarelo e unha-de-gato.

“O chá foi para redução dos miomas. Comecei em maio e em junho eu engravidei. Um mês depois”, conta Carla.

A gravidez é normal. A cada exame, Carla e Mailer ficam mais ansiosos pela chegada do bebê, que já ganhou um nome.

“É um milagre, uma emoção maravilhosa. Por isso, colocamos o nome de um anjo: Gabriel”, revela Carla.

“Acredito que a gravidez signifique que o chá uxi-amarelo e unha-de-gato atuou e, de alguma maneira, reduziu os miomas que a impediam de engravidar. Com a minha experiência, hoje posso afirmar que ele dá um bom resultado”, diz o médico Afrânio Melo Lins.

“Gabriel é forte. Com certeza, ele quer muito vir ao mundo. Agora que ele está perto de nascer, só quero ver a carinha dele”, diz Carla, ansiosa.

Outro Gabriel também é forte, saudável. O xodó da mãe.

“Isso aqui é uma benção. Ele é um anjo na minha vida”, exalta Neide.

Um anjo que chegou de surpresa. Em agosto de 2001, o Globo Repórter mostrou o início desta história. Naquela época, Neide só queria acabar com um incômodo provocado pelos miomas. Eram tantos que ela tinha sido aconselhada por médicos a fazer uma histerectomia radical – a retirada cirúrgica do útero, ovário e trompas. Foi quando começou a tomar os chás de uxi-amarelo e unha-de-gato. Cinqüenta dias depois, o susto.

“Eu achava que estava com outra doença, mais grave ainda. Depois de um mês sem menstruar, voltei ao consultório e disse para o médico que achava que estava doente”, lembra Neide.

A resposta do médico foi desconcertante.

“Ele disse que eu estava com o mioma, mas que aquele mioma chorava, tomava mingau. Pensei que ele estivesse brincando comigo”, diz Neide.

Enquanto estiver amamentando Yanno Gabriel, Neide não vai tomar os chás. Mas diz que os últimos exames revelaram que o uxi-amarelo e a unha-de-gato continuam e controlando os miomas.

“Posso assegurar que 90% das pacientes que utilizaram os chás tiveram resultado satisfatório”, diz o médico Afrânio Melo Lins.

Fonte: [ Globo Repórter ]

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Pesquisa busca a cura de doenças a partir das plantas da Amazônia

Mirtes Bogéa

Parceria entre o Hospital Sírio-Libanês e a Unip vai rastrear novas moléculas que poderão resultar em medicamentos contra o câncer, hipertensão e outros

Em 1995, os médicos Drauzio Varella e Riad Younes, membros do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, decidiram iniciar uma busca pelo conhecimento de extratos de plantas e árvores em uma região que contém uma das maiores biodiversidades do mundo: a Amazônia. O objetivo da iniciativa era identificar novas moléculas que levassem ao desenvolvimento de medicamentos contra doenças como o câncer e a hipertensão.

“Cerca de 60% dos remédios se originam de plantas e na época, a flora amazônica era sub-pesquisada. Fazia sentido rastrear essas plantas” garante o cirurgião torácico Riad Younes, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês.

Baseados no modelo do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, os pesquisadores contaram com o patrocínio da Universidade Paulista – UNIP e estabeleceram um laboratório (em São Paulo e em Manaus) onde já foram classificadas 1 mil espécies de plantas, obtidos 2,2 mil extratos vegetais e 1.220 extratos já testados.

Até o momento, 120 extratos já testados apresentaram atividades antitumorais e/ou antibacterianas e agora, o Laboratório de Extratos da UNIP une-se ao Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês para aumentar a velocidade do rastreamento e dar os próximos passos na pesquisa de novos fármacos.

Segundo o Dr. Riad Younes, o Laboratório integrado das duas instituições usará uma metodologia que poderá ser aplicada em vários modelos, possibilitando que pesquisadores conduzam estudos em várias linhas. Ou seja, no futuro, poderão ser descobertas drogas para vários tratamentos.

A parceria com o IEP – Hospital Sírio-Libanês, que investirá R$ 600 mil na iniciativa, em 2008, proporcionará um passo importante para os estudos. O novo laboratório contará com equipamentos mais sofisticados que permitirão o fracionamento das substâncias em busca de novas moléculas. Uma das ações do laboratório, que começa a funcionar no início do ano, pretende iniciar os ensaios na área de hipertensão.

Um projeto sustentável

O trabalho dos médicos Drauzio Varella e Riad Younes foi o primeiro projeto de bioprospecção a solicitar autorização junto ao Ibama, e um dos poucos projetos autorizados a conduzir a extração nas áreas sob a responsabilidade do órgão governamental.

Ainda de acordo com a autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, órgão que conta com representantes de vários Ministérios, o projeto não visa nenhum lucro e as eventuais descobertas reverterão divisas para a sustentabilidade da própria Amazônia.[14]

Estão previstas ainda pesquisas com plantas da Mata Atlântica.

O novo laboratório, na sede do IEP, em São Paulo, oferecerá oportunidades para pesquisadores de várias áreas. A previsão de descoberta de uma nova molécula, que possa levar a um novo remédio, é de um a dois anos.

Fonte: [ SEGS.com.br ]

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Plantas Medicinais: uma cientista que aposta na sabedoria popular

Professora Alba Regina Monteiro Souza Brito

Faz mais de 20 anos que a professora Alba Regina Monteiro Souza Brito investiga o princípio ativo de plantas medicinais, sobretudo contra doenças gastrointestinais.

Além de coordenar o Laboratório de Produtos Naturais do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, a docente está à frente de um projeto temático da Fapesp envolvendo espécies que nascem tanto na Mata Atlântica como no Cerrado do Estado de São Paulo.

Alba Brito é uma cientista altamente credenciada que põe fé na sabedoria popular. Se buscasse plantas ao acaso, penaria para encontrar aquelas com atividades terapêuticas. Indo diretamente às plantas de uso popular, a atividade é quase uma certeza. “Quando não consigo detectar a atividade farmacológica é porque meu modelo de análise ou a dosagem são inadequados. Nesses vinte anos, a margem de acerto tem sido muito grande”.

Alba Brito é uma cientista altamente credenciada que põe fé na sabedoria popular. Se buscasse plantas ao acaso, penaria para encontrar aquelas com atividades terapêuticas. Indo diretamente às plantas de uso popular, a atividade é quase uma certeza. “Quando não consigo detectar a atividade farmacológica é porque meu modelo de análise ou a dosagem são inadequados. Nesses vinte anos, a margem de acerto tem sido muito grande”.

“Na análise química destas plantas, as substâncias encontradas são as mesmas, como por exemplo, aquelas dos gêneros Byrsonima, Anacardium, Qualea, Hancornia, Alchornea, Mouriri e Strychnos, todas elas ativas em modelos experimentais de úlceras gástricas. Ou seja: além de funcionar, elas têm o mesmo constituinte químico em sua grande maioria”, assegura.

A pesquisadora crê na teoria de William Irwin Thompson, segundo a qual as plantas medicinais geralmente pertencem a famílias com grande número de gêneros e de espécies, como das leguminosas e compostas. “A população pobre de áreas isoladas apanha as plantas mais facilmente encontradas ao seu redor. Ela não tem como percorrer longas distâncias”.

Thompson prega, também, que os homens descobriram as plantas medicinais por experimentação direta, seguindo seu instinto, tal como o cão vira-lata que mastiga capim depois de se dar mal com a comida. “Plantas amargas, como o boldo (Peumus boldus Mol.), possuem catequina e servem para problemas gástricos. Houve alguém que amassou a folha de boldo, cheirou, experimentou e percebeu que sanava aqueles problemas”.

Da mesma forma, as informações sobre espécies tóxicas ou alucinógenas foram sendo passadas de um para outro, levando ao conhecimento tradicional tão presente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. “No Estado de São Paulo, constatamos o uso de plantas medicinais apenas por migrantes de outras regiões do país e por caiçaras. A maioria dos paulistas perdeu essa cultura”.

LIVRO

O projeto temático no âmbito do Programa Biota/Fapesp, coordenado pelo professor Wagner Vilegas (Unesp de Araraquara) e por Alba Brito, começou em 2004 e termina em julho do próximo ano. Esta parceira entre Unicamp e Unesp já trouxe resultados significativos na investigação de plantas com atividades antiúlceras gástricas, antioxidante, analgésica, antiinflamatória, anti-tuberculose e anti-câncer.

O relatório final será entregue juntamente com um livro que deverá se tornar referência para os estudiosos de plantas de uso popular. “A publicação vai trazer todos os aspectos estudados em cada espécie, incluindo os locais (latitudes e longitudes) onde elas podem ser encontradas”, antecipa a professora do IB.

Plantas bastante estudadas e com atividade comprovada contra a úlcera gástrica são as espécies do gênero Vernonia (que o povo simplificou para “verônica”) e as Indigoferas (sem nome popular). A Vernonia polyanthes já propiciou o isolamento de um princípio ativo, com atividade inédita em vegetais, cujo pedido de patente está sendo encaminhado através da Inova – Agência de Inovação da Unicamp.

Alba Brito reitera que este projeto dá continuidade ao levantamento no cerrado do Tocantins realizado pela professora Clélia Hiruma-Lima, do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. O objetivo foi comparar as espécies existentes no Tocantins e também na Mata Atlântica e em cerrados paulistas, e validar o conhecimento da população. “Estudamos mais de trinta espécies, todas com trabalhos já publicados”.

Está sendo apresentado à Fapesp um novo projeto, que vai se concentrar nas plantas mais promissoras, estendendo o foco para outras espécies do mesmo gênero e buscando a melhor delas para produção de um fitoterápico ou de um medicamento alopático. “Este material deve gerar um segundo volume do livro”.

USO SUSTENTÁVEL

Uma preocupação dos pesquisadores que participam do projeto temático é com o uso sustentável das plantas medicinais. Alba Brito informa que o cerrado de Rubião Júnior (distrito de Botucatu), por exemplo, apresenta uma flora bastante diversificada e não encontrada em outras regiões.

“A paisagem é bonita para os botânicos e pesquisadores de plantas medicinais, que lutam para preservá-la. Mas, para muitas pessoas que têm aquele cerrado em suas propriedades, a sensação é de que houve uma queimada no local, nascendo depois uma vegetação rasteira que em nada lembra a exuberância de uma mata atlântica”, admite a professora.

Por isso, os pesquisadores do Laboratório de Produtos Naturais procuram agregar valor medicinal às plantas do cerrado de Rubião Júnior e de outras partes do Estado de São Paulo, mostrando à população a importância de não degradar o bioma e incentivando inclusive o cultivo das espécies no entorno, expandido a área.

Há poucos anos, a doutoranda Leônia Maria Batista, orientada da professora Alba Brito, trouxe sempre-vivas da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Depois de estudar os efeitos das espécies Syngonanthus bisulcatos e Syngonanthus arthrotrichus em modelos animais, Leônia constatou uma excelente proteção da mucosa gástrica contra os agentes indutores de úlceras.

Este rico teor de flavonóides, porém, é desprezado. As sempre-vivas são de fato belas e acabam exportadas às toneladas para países do primeiro mundo, utilizadas em arranjos ornamentais e buquês. “Na Alemanha, um buquê de noiva chega a custar cem euros. Viabilizando o uso medicinal dessas plantas evitaríamos seu corte indiscriminado”, observa Alba Brito.

O BEABÁ DAS PLANTAS MEDICINAIS

Chá de capim santo: quatro xícaras (de café) com folhas frescas picadinhas, tampadas em água fervente por 10 minutos. Tome duas ou três xícaras ao dia para combater insônia, nervosismo, diarréia e gases intestinais. Cuidado: não deve ser tomado por mulheres grávidas!

Xarope de alecrim: adicionar, em meio litro de água, o sumo de quatro xícaras (café) de folhas frescas amassadas. Junte uma xícara de açúcar e deixe ferver, mexendo até engrossar. Tome uma colher de sopa a cada três horas para problemas respiratórios. Experimente colocar a infusão fria em um borrifador para passar roupas.

Essas duas receitas estão na cartilha Plantas medicinais na escola: aprendendo com saúde, elaborada pela aluna de doutorado Priscila Fernandes, e foram enviadas por mães de alunos de primeiro grau de escolas públicas de Atibaia. A cartilha, que traz desenhos mostrando detalhes como o serrilhado do caule da babosa e a delicadeza das flores da camomila, é fruto da convivência que mais de uma centena de crianças tiveram com canteiros de plantas medicinais.

As atividades foram desenvolvidas em parceria com os professores das escolas e o projeto Fruto da Terra, da Prefeitura de Atibaia. O sucesso das atividades levou à sua incorporação pela Delegacia de Ensino de toda a região. Hoje, a mestranda Patrícia de Sousa Oliveira dá continuidade aos canteiros em escolas públicas de Sumaré e em assentamentos rurais.

“O projeto temático da Fapesp inclui a educação ambiental. Nossos pós-graduandos colaboram na montagem dos canteiros e com palestras para levar até os alunos e seus pais o conhecimento produzido no laboratório”, explica a professora Alba Brito.

A pesquisadora esclarece que, embora a população já guarde bom conhecimento, é sempre importante alertá-la sobre plantas tóxicas e outras que não devem ser consumidas cruas. “Mesmo depois de fervidas, o uso das mãos pode transferir bactérias para uma solução dada ao bebê com dor de barriga ou vômitos”.

FONTE

Jornal da Unicamp
Luiz Sugimoto – Jornalista
E-mail: imprensa@unicamp.br

disponível online em: [ Portal Agrosoft ]

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