Arquivo para Abril 9, 2008

Alimento Vivo – Ana Branco

Suco verde, grãos germinados, arte na horta: a professora Ana Branco ensina a brincar com a comida e depois comer a arte que revitaliza o corpo e a alma

Por Alessandra Nahra

Ana Branco é uma professora diferente. Para começar, ela desafia a antiga lei doméstica que sempre proibiu as crianças de brincar com a comida. Ao contrário, Ana Branco é uma mãe para esses “arteiros”: ela ensina e estimula seus alunos (já bem crescidinhos) a brincar de fazer arte com a comida. Uma brincadeira com muito amor e respeito pela Terra, a mãe de todos nós e de frutos que oferece tão generosamente para que tenhamos o alimento, a vida, a brincadeira.
Professora do Departamento de Artes da PUC-Rio desde 1981, Ana Branco orienta o BioChip, grupo que investiga as cores e a recuperação da informação através do desenho com modelos vivos. Estes modelos vivos são rabanetes, abacates, mangas, alfaces, cenouras – sementes, frutas e hortaliças, de preferência fresquinhos. Com os alunos, Ana vai até hortas orgânicas onde “conversar” com os vegetais. Trocando e recebendo informações direto da fonte original, a arte nasce da vida. “Através da interação dos modelos vivos com o observador, são feitas leituras quanto às suas formas, cores, sabores, texturas e odores. Os frutos da Terra recuperam no nosso corpo informações matrísticas, que podem ser decodificadas a partir do contato direto, não verbal, presente nos alimentos vivos”, explica o folheto do BioChip. Em outras palavras, os alunos fazem arte com a comida viva e depois apreciam com todos os sentidos, incluindo o paladar, o gosto que a arte tem.

Mas por que se chama BioChip? “Chips de computadores são moléculas de água que contém silício. Sementes também. Dentro delas, há informações sobre a vida na Terra. O contato com o chip vivo recupera o processo criativo do humano, nos reconectando com os outros, com os animais e com o planeta”, explicou Ana em recente palestra em Porto Alegre, durante o Fórum Social Mundial.

As idéias de Ana ultrapassam os limites da academia, gerando arte viva que flui para dentro das pessoas. É isso que se percebe ao vê-la em ação, explicando com o corpo e coração a missão da sua vida. Ana Branco come diferente da maioria dos humanos contemporâneos e economiza um dinheirão em gás. É que ela nunca cozinha – mas isso também não quer dizer que come fora todos os dia. Ana só come Alimentos Vivos, ou seja, crus e brotados. Segundo ela, cozinhar alimentos rompe a molécula de água que reveste o silício – e aí, já viu: adeus informação, adeus BioChip. O chip perde a água molecular e a informação não é mais acessada. O que equivale dizer que a conexão com a Terra se rompe e o homem se mantém em processo de dormência. “E isso é interessante para a manutenção da guerra em que vivemos, para a relação de ataque e defesa que estabelecemos dentro de nosso eco-sistema, de nosso corpo. Só que agora acabaram-se as guerras e vamos ter que re-aprender a viver em paz, como nascemos”.

As sementes, alcalinas, começam a se acidificar assim que se afastam da planta. Este processo acontece com quase tudo que alimenta o mundo. Transformamos, cozinhamos, congelamos, microondeamos a comida. “Pela acidificação nós nos desnaturamos, nos afastamos da natureza, a do planeta e a nossa. Esquecemos que somos mamíferos, alegres, cooperativos. Adoecemos porque nos afastamos da origem. Os alimentos cozidos desencadeiam no organismo humano estruturas viciantes. Isto é, cada vez mais o organismo deseja doses mais ácidas, e essa acidez gera euforia e depressão exatamente como acontece com as drogas.”

Então Ana pesquisou e agora ensina maneiras de trazer a vida de volta à nossa vida. Ela não recomenda que ninguém pare de comer do jeito que come e opte imediatamente pela alimentação crua, porque, segundo ela, nossa intoxicação é imensa e seria um choque para o organismo, tal qual uma desintoxicação de drogas pesadas. “Dentro da Alimentação Viva, tudo o que estamos acostumados a comer são drogas: açúcar branco, mascavo, pão integral com tofu, peixe grelhado, caldinho de feijão com arroz, biscoito de água e sal, sorvete de creme etc”. Isso porque os alimentos industrializados e as misturas de amido com proteína são altamente acidificantes, causando dependência. Mas Ana não “prega” a sua maneira de alimentação. Segundo ela, é “só para os que escolhem ser o que sempre foram”. No entanto, ela dá receitas para que qualquer pessoa possa incorporar a força dos alimentos vivos no dia-a-dia, mesmo que não tenha intenção nenhuma de abandonar as delícias cozidas.

As duas principais ferramentas são os grãos germinados e o Suco de Luz do Sol. “Precisamos fazer o caminho contrário do que fizemos até aqui, pelo qual acidificamos ao máximo nossa comida. Quando a semente germina, torna o solo e tudo o mais alcalino, e alcalinização é igual à revitalização. Quando molhamos a semente, a dormência se rompe e libera a informação, ampliando o valor nutritivo em 20 mil vezes”. Sementes e grãos germinados são a base da alimentação de Ana. Puros, misturados, transformados em Suco de Luz do Sol, que vem a ser clorofila pura, luz do astro rei que alimentou e foi transformada pelas plantas verdes. “Esse tipo de alimento é capaz de mudar o comportamento das pessoas, por causa da oxigenação intensa do cérebro”. O suco verde entra no sangue e em 15 minutos se transforma em hemoglobina, acelerando processos de cura e desintoxicação. “Tomando o suco de Luz do sol todos os dias, voce vai aos poucos recuperando quem voce sempre foi. Nào precisa ter pressa, basta ter ritmo”. E é um remédio poderoso, diz Ana, que pode curar tudo. Dor de cabeça, dor de barriga, pele seca, diarréia, cocô duro, gripe – das mais fáceis até as mais difíceis. Aids? Cura, garante Ana. Câncer? Cura também. A pessoa está em coma? É só levar o liquidificador para a UTI e dar suco de Luz do Sol de hora em hora até que a pessoa levante do transe. Ana garante. Ela já viu.

E depois? Depois é passar adiante a informação para quem precisa do santo remédio. Porque, não se engane, é presente da mãe Terra, é presente de Deus, quase de graça (moço, quanto custa a folha de abóbora?), independente e auto-suficiente. Presente baratinho porém mais valioso que muito diamante quando a maior riqueza é saúde e vida vibrante e criativa, atributos naturais dos mamíferos – e por tudo isso, por esse tesouro reconectado, estamos desde agora sempre plenamente agradecidos…





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Fogão? Que nada… Algumas Receitas (cruas)…


Pratos belos, criativos e saborosos, todos com alimentos crus. Esta é a base da culinária viva

JULIA GUIMARÃES

Você conseguiria imaginar a vida sem aquele instrumento básico de qualquer cozinha, o fogão? Sem carne, ovos e derivados do leite? Isenta de produtos industrializados? Pois saiba que muita gente não só imagina, como vive – e bem – sem tais alimentos. São os seguidores da chamada culinária viva ou crudicismo, um tipo de alimentação exclusivamente a base de vegetais, que se inspira no princípio de que os alimentos devem ser consumidos sempre em seu estado natural, ou seja, crus.

Nessa culinária, grelhados, assados, fritos e cozidos estão fora de cogitação. Nada de pratos quentes, no máximo, amornados. Se, à primeira vista, a imagem pode despertar certo tédio gastronômico, é bom saber também que a culinária viva costuma realizar incríveis receitas na cozinha, criando refeições correspondentes aos clássicos da alimentação tradicional como lasanhas, tortas e bolos, através de combinações criativas e belas.

Um broto de girassol, por exemplo, pode fazer as vezes de espaguete. Legumes laminados surgem como correspondente de massas. Um ovo de Páscoa pode ser feito a partir de linhaça germinada moída com banana passa. São receitas tão múltiplas quanto os ingredientes utilizados pelos adeptos dessa alimentação.

Mas qual seria o motivo para uma inversão de tamanha grandeza? Segundo os diletantes da culinária viva, a explicação estaria relacionada ao próprio processo da digestão humana. Submetidas a altas temperaturas, as enzimas dos alimentos deixam de operar. Com isso, o corpo humano acaba tendo que produzir mais das suas próprias enzimas para realizar a digestão, o que consome uma energia que poderia estar sendo usada para outras funções.

“Ao economizar energia na digestão, ela é disponibilizada no corpo de outra forma. Com isso, você amplia sua sensibilidade, estabiliza os humores e acaba adquirindo uma grande serenidade”, avalia o artista culinário natural Flávio Passos, adepto da culinária viva há cinco anos.

Entre os benefícios citados por quem aderiu à alimentação estão desde o aumento na capacidade de concentração até a necessidade de um período mais curto de sono por dia. N

Em Belo Horizonte, ainda não há restaurantes especializados nesse tipo de gastronomia, que ganhou força e popularidade na segunda metade do século XX, com focos de adeptos na Califórnia e em San Diego, nos EUA. Mas não é necessário ir muito longe para preparar as principais refeições da culinária viva. Com um liquidificador, ingredientes saudáveis e mente aberta, é possível dar um tempo – ainda que ocasional – ao velho seis bocas da sua cozinha.



Saiba mais

O que você ganha no consumo da culinária viva


• O vegetal cru, por ser mais rico em fibras, promove vários benefícios à saúde, como controle glicêmico, redução de colesterol e controle de peso.

• O alimento que não se submete a altas temperaturas garante a preservação de seus micronutrientes, necessários ao organismo humano.

• Segundo estudo publicado pela revista norte-americana “Epidemiology”, uma dieta rica em alimentos crus e frutas pode reduzir o risco de aparecimento de cânceres como o demama e de cólon.

• Por não se submeterem a processos de industrialização, nem receberem aditivos químicos, os alimentos da culinária viva sãomais saudáveis e menos tóxicos.



RECEITAS – CULINÁRIA VIVA
Suco de Sol (Clorofila)

Bater no liquidificador a água de um coco, sua polpa branca, um maço de salsinha e algumas folhas de hortelã. Servir imediatamente e degustar. Clorofila é a luz do sol líquida!



Pão Solar

Deixar de molho, por oito horas, meio quilo de sementes de trigo. Lavar e deixar repousando por dois ou três dias, sempre umedecendo para que brotem. Levar os brotos ao sol até que estejam completamente secos. Com um moedor de grãos ou liquidificador potente, transformá-los em farinha. Tempere a farinha como desejar (com sal marinho ou de rocha, ervas, etc) e acrescente água aos poucos, sovando a massa até que esta obtenha a consistência desejada. Molde o pão, corte as fatias e leve-as ao sol quente para que sejam assadas, virando as fatias quando necessário.



Mousse de Chocolate Natural

Em um processador de alimentos (com lâmina “S”), bata dois pequenos abacates do tipo “avocado” ou um do tipo “manteiga” com três colheres de sopa cheias de mel orgânico não-aquecido. Acrescente cacau em pó não-torrado ou alfarrôba em pó à gosto e bata mais um pouco. Sirva a mousse em pequenas taças ou cobrindo pedaços de frutas.



Torta de Nozes e Frutas Douradas

Massa crocante: No processador de alimentos (lâmina “S”), transforme em pasta meio copo de figos desidratados préviamente deixados de molho por duas horas. Reserve. No mesmo processador, transforme em farinha um copo de nozes. Em uma tigela, misture ambos com as mãos até obter uma massa firme. Monte a massa em uma forma de torta.

Recheio: No processador, transforme em pasta meio copo de damascos desidratados deixados de molho e uma colher de chá de cardamomo em pó. Recheie a massa com esta pasta, fatias finas de manga madura e polpa de maracujá (com as sementes).



Tacos Naturales

Massa: Corte folhas de repolho roxo no formato de tacos. Massageie-as com sal marinho e deixe-as marinando por meia hora até que fiquem macias. Leve-as ao sol por algumas horas para que desidratem até alcançar o ponto desejado.

Recheio: Amasse um cremoso abacate com a ajuda de um garfo. Acrescente salsa, cebolinha e tomates picados, cominho em pó, sal, suco de limão e pimenta à gosto. Misture e recheie os tacos.

Fonte: JORNAL PAMPULHA – Publicado em: 22/03/2008

Adaptação de Luis Guerreiro


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Estudo liga consumo de soja a problemas celulares

O consumo de soja em concentrações elevadas pode danificar as células, segundo um estudo apresentado nesta segunda-feira (7) pelo Instituto de Biologia Veterinária de Dummerstorf, no nordeste da Alemanha.

Testes realizados com células musculares de porcos demonstraram que a concentração elevada de isoflavonas, uma substância semelhante ao estrogênio que algumas plantas produzem – entre elas a soja – podem causar problemas nas células.

Pelo contrário, em quantidades pouco concentradas as isoflavonas favorecem o crescimento. Embora não haja dúvidas de que as isoflavonas possuem propriedades positivas, esses e outros experimentos nos quais se demonstrou sua capacidade de destruir células intestinais colocam em dúvida sua utilidade como tratamento de reposição hormonal na menopausa.

De acordo com a diretora do projeto, Charlotte Rehfeldt, uma possibilidade de eliminar os efeitos negativos da soja é extrair as isoflavonas genisteína e daidzeína.

O questionamento das propriedades da soja por parte dos cientistas levou à Sociedade Alemã para a Alimentação a desaconselhar os alimentos de bebês baseados em soja, salvo estrita prescrição médica.

Fonte: Folha Online


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Pizza congelada é reprovada por excesso de sódio e gordura

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo – 26/02/2008 – 11h03

Dois pedaços de pizza contêm toda gordura saturada e metade da quantidade de sódio (sal) que um adulto deve consumir durante o dia. A conclusão é de uma pesquisa do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) que avaliou os dados dos rótulos de 20 marcas de pizzas congeladas e resfriadas.

Excesso de sódio está relacionado à hipertensão arterial. Gordura saturada e gordura trans colaboram para o aumento do colesterol ruim no sangue, que causa entupimento das artérias. Ambos são fatores de risco cardiovascular.

Em média, dois pedaços de pizza têm 1.200 miligramas de sódio, o equivalente a 20 refeições compostas por filé de frango, brócolis, arroz, feijão e salada de alface, pepino, cenoura e beterraba. Ou a 6,5 pratos de bife à milanesa, arroz, feijão e salada de maionese, numa comparação menos “light”.

Entre as marcas analisadas, a do supermercado Dia% é a que declara menor quantidade de sódio por pedaço: 340 mg na de mussarela e 337 mg na de calabresa. As pizzas de mussarela das marcas Carrefour, CompreBem e Extra têm em média 750 mg, ou 65% do sódio recomendado para o dia inteiro. A marca Frescarini é a que tem maior teor de sódio: 769 mg.

O sódio conserva o alimento ao diminuir a atividade da água e, assim, impedir o crescimento e a proliferação de microorganismos. Também é usado para realçar o sabor dos alimentos.

Ao menos 13 das 20 marcas pesquisadas apresentaram também uma grande quantidade de gordura saturada. Dois pedaços de pizzas de mussarela da Sadia e da Perdigão têm 20 g e 11,4 g de gordura saturada, respectivamente. A recomendação diária para uma dieta saudável é de, no máximo, 22 g. Para efeito de comparação, 20 g de gordura saturada equivalem a uma feijoada completa.

Em relação à gordura trans, as pizzas da marca do supermercado Dia% são as piores, segundo o Idec. Dois pedaços –de mussarela ou calabresa– possuem 1,5 g de gordura trans. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece um limite de consumo diário desse tipo de gordura de 2 g por dia.

Segundo o técnico do Idec Carlos Thadeu de Oliveira, coordenador da pesquisa, a quantidade de sódio e de gordura presente nas pizzas está longe de colaborar para uma dieta saudável. “Os fabricantes podem melhorar muito a qualidade desses produtos. Se a culpa é do queijo, que troquem o fornecedor. O que não pode é o consumidor colocar a saúde em risco”, afirma.

Na opinião de Oliveira, o consumidor não precisa parar de comer pizza, mas deve consumi-la com parcimônia e ficar atento às marcas que ofereçam produtos de melhor qualidade do ponto de vista nutricional. Uma surpresa da pesquisa, segundo ele, foi o fato de as pizzas de mussarela terem mais gorduras que as de calabresa.

Atividade física

A nutricionista Mariângela Daláqua, do Conselho Regional de Nutricionistas, acrescenta outras recomendações: se a pessoa comer pizza, faça uma atividade física correspondente. “Pelo menos 40 minutos de caminhada diária para queimar [a gordura].”

Outra orientação é compensar o excesso de sódio e de gordura com uma alimentação mais equilibrada. “Se comer pizza à noite, opte por um café da manhã e por um almoço com pouca gordura, mais saudável.”

Na sua opinião, a quantidade de sódio e de gordura revelada na pesquisa da Idec é “altíssima” e coloca em risco a saúde de crianças, idosos e pessoas com problemas cardiovasculares. “Temos que brigar para que a indústria diminua esses valores, que são absurdos.

Fonte: Folha Online

Perigo da Gordura Hidrogenada ( Gordura Trans )

Desconfie dos alimentos sequinhos, aqueles que são fritos, mas não ficam oleosos. A receita desse “milagre” chama-se gordura hidrogenada e, ao contrário do que pensa a maioria, faz muito mal à saúde do ponto de vista cardiovascular.

A causa: ela “plastifica” os vasos levando a infartos e derrames. Quem garante é a endocrinologista Rosina Erthal Vilella, que pesquisa o assunto há anos e explica o mal que faz essa gordura, também chamada de “Trans”. O problema, segundo ela, é que os alimentos hidrogenados não se resumem a frituras. Biscoitos, sorvetes, chocolate, macarrão de preparo rápido, chips e temperos prontos, só para citar alguns exemplos, fazem parte da grande lista. E o preocupante, de acordo com Rosina, é justamente a variedade de alimentos que levam esse tipo de gordura, porque eles acabam sendo ingeridos por crianças, jovens, adultos e idosos. “As pessoas estão sendo enganadas.

Acreditam que estão comendo algo que faz bem, ou não faz tão mal para a saúde. E, na verdade, é justamente o oposto”, diz ela. A gordura hidrogenada é uma gordura vegetal que foi criada pela indústria para ser uma alternativa à gordura saturada, a do bacon, da lingüiça, da picanha, etc. Mas, como não existe gordura no mundo vegetal – somente óleos – foi criado, então, um processo de transformação desses óleos vegetais em gordura sólida. Aí, começa o problema. Os óleos são colocados em uma câmara com gás hidrogênio – daí, o nome hidrogenada – com alta pressão e alta temperatura, e o resultado não seria bem visto – e muito menos comido – por ninguém. Os óleos se transformam em uma pasta preta, com mau cheiro, que precisa ser alvejada para ficar sem cor e desodorizada para ficar sem cheiro. “Ela deixa tudo crocante porque solidifica nos alimentos após a fritura, formando uma casquinha. Isso acontece também nos vasos que ficam impedidos de dilatar”, esclarece a endocrinologista. Por isso, de acordo com a médica, está se tornando comum esportistas jovens sofrerem parada cardíaca durante a prática de qualquer esporte. “Durante a atividade física, o fluxo sangüíneo aumenta, mas o vaso não dilata para a passagem do sangue. É quando ocorre o infarto”.
Alguns alimentos que contêm gordura hidrogenada:
_ Biscoitos…: praticamente todos, principalmente os recheados e os wafer;
_ Chips;
_ Batata-frita: tanto as de pacote quanto as de fast-food;
_ Tortas e bolos prontos e semi-prontos (ficam bem fofos);
_ Pães……..: principalmente os de massa doce;
_ Sorvete…..: a grande maioria, até mesmo os light. O sorvete hidrogenado
é mais espumoso;
_ Chocolate…: cuidado com os diet, pois são os piores;
_ Leite…….: os achocolatados prontos;
_ Margarina…: quanto mais dura, pior;
_ Fast-food…: usam essa gordura para todas as frituras porque ficam
crocantes;
_ Requeijão…: os que são muito cremosos;
_ Pipoca de microondas;
_ Temperos prontos em tabletes ou em pó.
As conseqüências do consumo desenfreado de gordura hidrogenada são pouco
divulgadas no Brasil. O mesmo, porém, não tem ocorrido nos países desenvolvidos. Em 1994, epidemiologistas da Universidade de Harvard atribuíram ao consumo da gordura hidrogenada até 100 mil mortes prematuras por ano nos Estados Unidos. Desde essa época, eles pediram ao Foods and Drugs Administration (FDA) – órgão regulador de alimentos e medicamentos dos EUA
- alterações nos rótulos nutricionais que informassem aos consumidores o quanto de gordura Trans continha cada alimento. Nada foi feito.
Cientistas relacionaram o consumo dessa gordura vegetal a doenças
metabólicas, ou à chamada Síndrome Metabólica – aumento da cintura abdominal, diabetes tipo 2, alterações dos lipídeos sangüíneos, hipertensão arterial e esteatose hepática (fígado gorduroso).
Origem:
A descrição dessa síndrome – inicialmente chamada de Quarteto da Morte, em
1984 – coincide com o início do uso maciço dos hidrogenados pela indústria alimentícia americana. O epidemiologista-chefe da Escola de Medicina de Harvard, Walter Willet, diz no site www.transfreeamerica.org (http://www.transfreeamerica.org) que a introdução dos hidrogenados na alimentação foi o maior desastre da história alimentícia nos EUA. Resultou numa epidemia de obesidade e demais doenças. Em
2001, foi divulgado um estudo – feito em 84 mil enfermeiras, durante 14
anos – no qual ficou confirmado que a principal gordura relacionada ao diabetes e ao aumento do colesterol e triglicerídios era a hidrogenada. No ano seguinte, cientistas americanos pediram um novo estudo. Queriam que ficasse claro o quanto de gordura hidrogenada uma pessoa poderia consumir por dia, sem prejudicar sua saúde. O resultado foi surpreendente: zero. Há relatos também da associação de hidrogenados com vários tipos de câncer.

http://www.fisiculturismo.com.br/artigo.php?id=226&titulo=O+perigo+da+gordura+hidro genada.html (http://www.fisiculturismo.com.br/artigo.php?id=226&titulo=O+perigo+da+gordura+hidro genada.html)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gordura_trans

Biscoito água e sal – 6 unidades (30g) – 0,4 g
Biscoito recheado – 2 unidades (30g) – 1,0 g
Biscoito tipo waffer – 4 unidades (30g) – 2,1 g
Sorvete de creme, com recheio de doce de leite coberto com chocolate ao leite – 1 casquinha (81g) – 1,4 g


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Benefícios nutricionais do ABACATE

Há anos a ciência se dedica a aprofundar o conhecimento sobre o metabolismo dos lipídios no organismo, bem como a composição das variedades de gorduras proveniente de grãos e frutos. Dietas ricas em lipídios de diversas origens (oliva, girassol, etc.) têm sido bastante estudadas. Os resultados das pesquisas apontam para uma influência positiva de alguns tipos de gorduras sob as taxas das lipoproteínas sangüíneas, resultando em proteção do organismo a diversas doenças.

O óleo de oliva, rico em ácido graxo monoinsaturado (especialmente o ácido oleico) é capaz de prevenir e auxiliar no tratamento de doenças crônicas por diminuírem as concentrações séricas de triacilgliceróis (TAG), colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade (LDL), além de possuir ação anticoagulante.

Fruto originado do continente americano, o abacate é notadamente rico em gordura, sendo fonte de ácido oleico e de calorias. Até pouco tempo atrás, seu consumo era vetado para portadores de obesidade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares e outras patologias que estão associadas ao acúmulo de gordura no organismo, devido à inter-relação entre a alimentação e a origem destas doenças.

O abacate pode ser encontrado na América Latina e em outras regiões subtropicais e tropicais do mundo, sendo que o Brasil ocupa hoje o quarto lugar como produtor deste fruto, antecedido apenas pelo México, Estados Unidos e República Dominicana.

Aproximadamente 70% do peso do abacate se refere à polpa do fruto. A composição centesimal média do abacate encontra-se descrita no Quadro 1 mostrado a seguir.

QUADRO 1 – Composição centesimal média da polpa do abacate (100 g)
Umidade… 72,4%
Carboidratos… 2,9g
Proteínas… 1,6g
Lipídios… 18,0g
Vitamina C… 12 mg
Cinzas… 1,0g
Fibras… 2,3gm

Fica evidente que o abacate é fonte de muitos nutrientes, destacando-se as fibras e os lipídeos, além de contribuir com calorias. Mesmo sem poder ser considerado como fonte protéica, o abacate contém quantidades muito superiores às demais frutas neste quesito. Na composição lipídica, a quantidade de ácido oleico se destaca no abacate. Esteróis, álcoois, tocoferóis e carotenos também se fazem presentes. Cabe enfatizar que tanto a variedade como o clima de cultivo podem interferir no teor dos nutrientes do fruto.

Dada à relevância do consumo de abacate em dietas de determinados países, incluindo o Brasil, estudos foram feitos, especialmente no México, relatando o papel protetor que os componentes do abacate possuem, tanto na prevenção como no tratamento de cardiopatias.

“Em 1992 foi publicada a primeira evidência científica sobre a eficácia do abacate como fonte de ácidos graxos monoinsaturados em pessoas saudáveis, reduzindo o colesterol total, o colesterol de baixa densidade (LDL) e os triacilgliceróis (TAG)”.”Posteriormente, em 1997, foi constatado em pacientes com hipercolesterolemia que, além de o consumo do fruto induzir redução nas taxas de colesterol total, LDL e TAG, ele favorece o aumento desejável nos níveis do colesterol de alta densidade (HDL)”.

Os resultados do consumo de dietas compostas por abacate aparecem logo. Após o período de uma semana já ocorrem alterações sensíveis nos indicadores lipídicos do sangue. Além disso, já foi identificado que o consumo do abacate influencia também na glicemia.

Após quatro semanas consumindo dieta contendo abacate, mulheres diabéticas insulino-dependentes, compensadas e sem complicações graves decorrentes da patologia, tiveram redução tanto no colesterol sérico total como na glicemia.

DESSA FORMA:
“O consumo de abacate auxilia no tratamento de doenças crônicas, especialmente nas cardiopatias, diabetes e dislipidemias. Sua composição é nutricionalmente interessante, dada às quantidades significativas de ácido oleico, vitamina C, fibras, esteróis e mesmo calorias. Estudos comprovando os benefícios do consumo do fruto a longo prazo ainda são requeridos no sentido de reforçar seu papel terapêutico aqui descrito”.

Cabe, finalmente, destacar que a introdução regular de abacate na alimentação deve ser feita sob acompanhamento nutricional, dada a elevada densidade calórica do fruto. Caso contrário, indesejáveis quilos podem surgir e, de certa forma dependendo do caso, comprometer a saúde.


PROFª KÉSIA DIEGO QUINTAES – NUTRICIONISTA
- Docente do Centro Universitário
- Adventista de São Paulo
- Mestre em Ciência da Nutrição
- Doutoranda em Ciência da Nutrição pela FEA/UNICAMP

- ALVIZOURI, M. M. et al. Effects of avocado as a source of monounsatured fatty acids on plasma lipid levels. Archives of Medical Research, 23:163-167, 1992.
– AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Management of dysplipidemia in adults with Diabetes. Diabetes Care, 21:179-182, 1998.
– CARRANZA, J. et al. Efectos del aguacate sobre los niveles de lipidos sericos en pacientes com dislipidemias fenotipo II y IV. Archivos Instituto de Cardiologia del México, 65: 342-348, 1995.
– FELDMAN, E. B. Assorted monounsatured fatty acids promote healthy hearts. American Journal of Clinical Nutrition, 70: 953-954, 1999.
– LEDESMA, R. L. et al. Monounsatureted fatty acid (avocado) rich diet for mild hypercholesterolemia. Archives of Medical Research, 27: 519-523, 1996.
– LERMAN, I. G. et al. Effect of a high monounsaturated fat die enriched with avocado in NIDDM patients. Diabetes Care, 17: 311-315, 1996.
– SALAS, J. J.; SÁNCHES, J.; RAMLI, U. S.; MANAF, A. M.; WILLIAMS, M.; HARWOOD, J. R. Biochemistry of lipid metabolism in olive and other oil fruits. Progress in Lipid Research, 39: 151-180, 2000.
– SOARES, H. F. O ácido graxo monoinsaturado do abacate no controle das dislipidemias. Revista de Ciências Médicas, 9: 47-51, 2000.
– SZPIZ, R. R., JABLONKA, F. H., PEREIRA, D. A. Avaliação do óleo de cultivares de abacate provenientes da região do cerrado. Boletim de Pesquisa CTAA EMBRAPA, 16: 1-11, 1987.
– THOMSEN, C. et al. Differential effects of satured and monounsaturede fatty acids on postprandial lipidemia and incretin responses in healthy subjects. American Journal of Clinical Nutrition, 69: 1135-1143, 1999.
– TURATTI, J. M., CANTO, W. L. Insaponificáveis do óleo de abacate. Boletim ITAL, 23: 311-29, 1985.
– WILLIAMS, T.; KRAUSS, R. M. Low-fat diets, lipoproteins subclasses, and heart disease risk. American Journal of Clinical Nutrition, 70: 949-950, 1999.

O abacate.

O abacate, apesar de ser uma fruta com alto teor de gordura, é excelente para a dieta dos atletas da musculação e do fitness. Isto não é um paradoxo, como veremos a seguir.

Ainda há pouco tempo o abacate era considerado uma delícia decadente, mas estudos recentes fizeram com que os benefícios nutricionais dessa fruta se tornassem melhor compreendidos.

ABACATES estão cheios de gordura, mas é do tipo saudável, a gordura insaturada. Abacates podem fazer parte de uma dieta saudável para qualquer pessoa, mas eles são especialmente benéficos para os bodybuilders, que necessitam de gordura insaturada. Para obter o máximo dessa fruta, os atletas a usam em substituição a outras fontes de gordura menos saudáveis, como margarina, manteiga ou maionese.

Meio abacate de tamanho médio contém: zero de sódio, 8 gramas de fibras e aproximadamente 14 gramas de gordura. Desta gordura, 8 gramas são do tipo insaturado, 3 poliinsaturado e apenas 3 gramas são de gordura saturada. Esta generosa dose de gordura não saturada ajuda a manter o colesterol baixo e a proteger contra problemas cardíacos.

O Comitê Consultivo para Orientação de Dietas, do Departamento de Dietas, do Departamento de Agricultura e Saúde dos Estados Unidos, sugeriu pela primeira vez em sua edição do ano 2000, que gorduras insaturadas deveriam fazer parte de uma dieta saudável. Este é um endosso muito importante, considerado que as recomendações do Comitê tendem a ser conservadoras.

De acordo com a Comissão do Abacate da Califórnia, a fruta também é rica em vitaminas C e E, ácido fólido, potásio e do fitonutriente beta-sistoterol (que pode ajudar a baixar o colesterol do sangue), glutationa, bem como, em antioxidantes.

Os antioxidantes são especialmente benéficos para atletas da musculação e do fitness, pois ajudam a destruir os radicais livres gerados pelo treinamento intenso. A obtenção de antioxidantes por meio de frutas e vegetais é altamente recomendável, pois fornecem antioxidantes típicos, diferentes daqueles encontrados nos suplementos.

A cada 30 gramas, o abacate contém três vezes a glutationa* de bananas, maçãs, melões, uvas, ameixas ou cerejas. Ele é também um excelente alimento diário leve em carboidratos, pois meio abacate contém apenas 7 gramas de carbo, aproximadamente.

O abacate de casca verde escura enrugada é o mais comum e produz o ano inteiro. Antes de consumir um abacate, confira se ele está maduro: sensível a uma leve compressão e fácil de descascar. Coma ao natural ou tempere como desejar, guarde bem fechado mas antes salpique com limão para não escurecer.

O ABACATE, chamado “butterfruit” (fruta-manteiga) é com certeza um alimento muito agradável para musculadores, pois sua cremosidade melhora o sabor de alimentos secos como a batata e o peito de frango. Trinta gramas de abacate (mais ou menos 3 colheradas) contêm 55 calorias e quase 5 gramas de gordura. Igual quantidade de manteiga contém 215 calorias e 24 gramas de gordura.

Uma excelente forma de incorporá-lo à dieta é utilizá-lo no lugar da maionese ou da manteiga. Com textura macia e sabor suave, o abacate é uma saborosa alternativa para os cremes de queijo e outros geralmente usados para cobertura de batatas e pães. Batido, ele substitui com vantagem a maionese e outros ingredientes menos saudáveis.

Por ERIN NEWMAN – Flex junho 2001
Advanced Nutrition ( www.enutrition.com )
Tradução livre: Anna Maria Garcia

Adaptação de Luis Guerreiro

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