Arquivo para Maio, 2008

O extinto lobo (também conhecido por tigre) da Tasmânia Thylacinus cynocephalus foi ressuscitado, ou pelo menos parte do seu DNA, num rato.

Típico dos estranhos e maravilhosos animais australianos, o lobo da Tasmânia, também conhecido por tilacino, não era nem lobo nem tigre. Parecia um cão mas era de facto um marsupial, com bolsa para criar os juvenis.

O último lobo da Tasmânia conhecido morreu no jardim zoológico de Hobart na Tasmânia em 1936, depois de a espécie já ter sido dizimada na natureza pela caça.

Ao ressuscitar parte da sua sequência genética num rato, os investigadores descobriram uma forma de estudar a evolução da espécie, na esperança de compreender o seu lugar na árvore da vida. A técnica poderá também vir a ser aplicada a outros animais extintos.

Alguns vestígios preservados do lobo da Tasmânia ainda existem, nomeadamente os de um jovem recolhido da bolsa da mãe há 100 anos e conservado em etanol no Museu Vitória de Melbourne.

Andrew Pask, da Universidade de Melbourne, e colegas da Universidade do Texas, Houston, recolheu amostras deste espécime e de peles com cerca de 100 anos mantidas no mesmo museu, e extraiu DNA.

Pask utilizou uma porção de um gene chamado Col2a1, que regula o desenvolvimento da cartilagem e do osso. Injectou-o num embrião de rato no local onde estaria a correspondente secção do Col2a1.

Os embriões de rato cresceram, incluindo a sua informação genética introduzida, e desenvolveram cartilagem e osso de forma normal. Os resultados foram publicados na última edição da revista PLoS ONE.

É a primeira vez que DNA de um animal extinto comprovadamente executou a sua função num animal vivo.

“Até agora apenas fomos capazes de examinar sequências genéticas de animais extintos”, diz Pask. “Esta investigação foi concebida para ir um passo mais à frente e examinar a função genética extinta num organismo inteiro.”

“Penso que é importante que uma pessoa dê o passo para um organismo para tentar compreender como genes ancestrais extintos e os elementos genéticos funcionavam”, comenta Svante Pääbo, director do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, Alemanha.

Mas antes de os fans do filme Parque Jurássico ficarem demasiado entusiasmados, esta ressurreição de um gene não significa que se seja capaz de reconstituir o lobo da Tasmânia em breve.

O percurso exacto da actividade deste gene pode ser muito diferente em dois animais, dizem os investigadores, e a função exacta do gene no lobo da Tasmânia é impossível de decifrar sem se analisar todas as etapas desse percurso.

Por isso, os autores apelam à cautela na interpretação dos resultados, mas referem que o seu método pode, em última análise, permitir o acesso à informação genética que se pensava perdida para sempre quando o último animal exalou o suspiro final.

Fonte: Simbiotica

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Aquecimento global está a alterar milhares de sistemas naturais

Uma análise exaustiva das tendências de dezenas de milhar de sistemas biológicos e físicos forneceu mais evidências em favor da visão praticamente universal de que as alterações climáticas de origem humana estão a alterar o comportamento de plantas, animais, rios e muito mais.

O estudo, realizado por uma equipa internacional onde se incluem muitos membros do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), é uma análise estatística das observações de sistemas naturais ao longo do tempo.

Os dados, que se estendem até 1970, capturam o comportamento de 829 fenómenos físicos, como o tempo de escorrência de um rio, e cerca de 28800 espécies biológicas.

Investigadores liderados por Cynthia Rosenzweig, do Instituto Goddard de Estudos espaciais da NASA em Nova Iorque, criou um mapa do planeta usando um código de cores que revela até que ponto as diferentes regiões aqueceram ou arrefeceram entre 1970 e 2004.

Seguidamente colocaram cada um dos milhares de conjuntos de dados sobre o mapa e determinaram se eram “consistentes com aquecimento” ou “não consistentes com aquecimento”. As árvores, por exemplo, podem florescer mais cedo em regiões onde o clima aqueceu significativamente.

Em cerca de 90% dos casos onde a tendência geral se observava, era consistente com os efeitos previstos do aquecimento global, relatam os investigadores na edição desta semana da revista Nature.

“As alterações climáticas induzidas pelo Homem estão a ter um vasto leque de impactos sobre os sistemas físicos e biológicos, não apenas a uma escala global mas também a nível continental”, diz Cynthia Rosenzweig.

O grosso das observações são da Europa, de uma única meta-análise de uma base de dados conjunta de observações de eventos anuais naturais. Várias outras centenas são de estudos realizados noutros locais do mundo, ainda que África, Austrália e América latina estejam mal representadas.

A equipa de Rosenzweig não alega, portanto, ter mostrado que o aquecimento global de origem humana esteja a causar alterações nestes continentes do sul de forma individualizada.

Entre as alterações associadas ao aquecimento observadas no estudo incluem-se as alterações no momento da floração, construção de ninhos, degelo, migração do salmão e libertação de pólen. Declínio na população de ursos polares, krill e pinguins, bem como o crescimento superior dos pinheiros siberianos e do plâncton oceânico de água fria, também estão neste grupo.

“Este artigo fornece um caso extremamente robusto a favor da associação de uma série de alterações físicas e biológicas às alterações climáticas induzidas pelo Homem, especialmente o aquecimento”, diz Roger Jones, do Centre Australiano de Investigação sobre o Clima. “Infelizmente, estes dados não cobrem todo o planeta e muitas regiões, incluindo a Austrália, não são bem cobertas. Muitas das regiões onde não há cobertura são também fortemente vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.”

Cagan Sekercioglu, da Universidade de Stanford na Califórnia, estuda o alcance das aves e, entre outros aspectos, a sua resposta às alterações climáticas. Ele está convencido que as alterações climáticas estão a afectar muitos sistemas naturais e está desapontado com a falta de dados para algumas regiões.

“Em África existem 14 estudos no total, já incluindo o Médio Oriente”, diz ele. “Os grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Venezuela, não têm muitos estudos e és especialmente embaraçoso para mim que o meu país (Turquia) não tenha nenhum.”

Sekercioglu está impressionado com a profundidade do estudo mas considera que já existia um enorme manancial de evidências de que as alterações climáticas estão a afectar o mundo. “Não devia ser sequer preciso publicar estes artigos nesta altura do campeonato”, diz ele. “Este artigo é um argumento a favor de que as alterações climáticas estão a causar as alterações registadas mas isto devia estar mais que assumido. Ao fim de trinta anos não devíamos ainda ter que andar a convencer as pessoas disso.

Rosenzweig olha para esses trinta anos de forma diferente. Foi há cerca de trinta anos que o Instituto Goddard para os Estudos Espaciais começou a trabalhar nos modelos de alterações climáticas. “Menos de 30 depois de o primeiro modelo ter sido desenvolvido, estamos a trabalhar no segundo tratado global (o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012). Penso que a questão do aquecimento global é o maior desafio que o nosso planeta alguma vez enfrentou mas ao mesmo tempo está a conduzir-nos à sustentabilidade, devido à crescente acção sobre a questão.”

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

COST 725

IPCC Working Group II Report “Impacts, Adaptation and Vulnerability”

Goddard Institute for Space Studies

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Alterações climáticas estão a acelerar a perda de aves

As alterações climáticas estão a “amplificar significativamente” as ameaças que as aves do mundo enfrentam, concluiu uma avaliação global. A Lista Vermelha das Aves de 2008 salienta que as secas de longa duração e os episódios de clima extremo colocam stress adicional sobre habitats chave.

A avaliação lista 1226 espécies como ameaçadas de extinção, uma em cada oito espécies de aves. A lista, revista a cada quatro anos, é compilada pela organização BirdLife International.

“É muito difícil atribuir precisamente alterações específicas de cada espécie às alterações climáticas”, diz Stuart Butchart, coordenador dos indicadores da avaliação global da BirdLife. “Mas existe agora um novo conjunto de espécies que estão claramente a ser ameaçadas por eventos de clima extremo e secas.”

tentilhão de FloreanaNa lista revista, oito espécies foram acrescentadas à categoria das ‘criticamente ameaçadas’. Uma delas é o tentilhão de Floreana Nesomimus trifasciatus, que é endémico de dois dos ilhéus das Galápagos e cujo efectivo decaiu de 150 em meados dos anos 60 para menos de 60 actualmente.

Os conservacionistas listaram o tentilhão como criticamente ameaçado pois sofre de uma elevada taxa de mortalidade nos adultos durante os anos secos associados aos fenómenos La Niña. Os anos secos têm-se tornado mais frequentes ultimamente e têm sido considerados o principal motor do declínio a que se assiste.

“Outra ameaça para as espécies das ilhas pequenas, como o tentilhão de Floreana, é a ameaça de espécies invasoras, em particular mamíferos e plantas”, diz Butchart. “Elas estão a ter um efeito devastador sobre os habitats. Por exemplo, as cabras e os burros em Floreana estão a alterar completamente a sua estrutura ecológica.”

“Eliminar ou controlar as espécies invasoras é uma acção de conservação muito directa que pode ajudar estas aves a enfrentar estas outras pressões devidas às alterações climáticas.”

“As acções cruciais que são necessárias para impedir que uma espécie como esta se extinga são medidas de mitigação das alterações climáticas em larga escala, como a redução das nossas emissões de carbono, limitar a subida das temperaturas globais médias a não de 2ºC e alterar os valores e estilo de vida das sociedades.”

Segundo Butchart, outro exemplo de uma espécie que está a ser afectada pelas variações no clima é o akekee Loxops caeruleirostris, uma espécie havaiana. “Não só está a sofrer o impacto negativo das chuvas fortes prolongadas que lhe destrói os ninhos mas também estão extremamente ameaçados pela introdução de doenças, transportadas por mosquitos invasores.”

“Os mosquitos estavam restritos às altitudes inferiores, logo as aves estavam a salvo mais acima, longe da malária das aves que eles transportam. Mas devido às alterações climáticas, a zonação de temperaturas está a alterar-se, as altitudes mais elevadas estão mais quentes e os mosquitos vão até mais acima, eliminando a zona livre de doenças onde as aves viviam.”

Em resultado, explica Butchart, esta ave também foi ‘promovida’ ao estatuto de ‘criticamente ameaçada’.

“Não há dúvida que estamos a enfrentar uma crise de conservação sem precedentes mas existem histórias de sucesso que nos dão esperança de que nem todas as espécies ameaçadas estão condenadas. Temos algumas soluções mas precisamos de recursos e vontade política.”

A BirdLife International lançou recentemente o seu Programa de Prevenção da Extinção, que tem como alvo 190 espécies listadas como criticamente ameaçadas. O seu objectivo é descobrir um “campeão da espécie” para cada ave, que financie o trabalho de conservação no terreno dos “guardiões da espécie”.

Uma espécie a que foi retirado o estatuto de criticamente ameaçada, passando a ameaçada foi o pombo imperial das Marquesas Ducula galeata. A principal ameaça a esta espécie são os ratos, uma espécie invasora.

Para proteger a população destas aves de reprodução lenta, os conservacionistas deslocaram 10 adultos para uma ilha vizinha e sem ratos entre 2000 e 2003. A nova comunidade de pombos está agora estabelecida na ilha e espera-se que a população atinja os 50 indivíduos em 2010.

“Esta acção reduziu significativamente o risco de extinção pois a ave está agora espalhada por um número superior de ilhas”, diz Butchart. “Serve para demonstrar que não só o trabalho de conservação funciona como é vital para impedir a extinção desta e de outras espécies.”

Fonte: Simbiotica

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As super-velozes baleias-piloto foram observadas a ‘correr’ em perseguição da presa, que provavelmente inclui lulas gigantes.

A rápida perseguição levou a comparações com as igualmente velozes mas terrestres chitas.

Os cetáceos até utilizam a mesma estratégia altamente especializada que as chitas usam na caça, relatam os cientistas na última edição da revista Journal of Animal Ecology. Segundo eles, acaba com a falsa percepção que temos de que as baleias de águas profundas são animais lentos.

É a primeira vez que este espantoso comportamento, que ocorre centenas de metros debaixo da água e na mais completa escuridão, foi registado.

“Tanto quanto sabemos, nenhuma outra baleia foi registada a nadar assim tão rápido em profundidade”, diz a bióloga marinha Natacha Aguilar Soto, da Universidade La Laguna de Tenerife. “As baleias-piloto parecem ser as melhores atletas de velocidade dos mamíferos marinhos que mergulham em profundidade.”

Aguilar Soto é membro de uma equipa internacional de investigadores pertencentes a La Laguna, Woods Hole Oceanographic Institution de Massachusetts e da Universidade de Aarhus na Dinamarca.

A equipa marcou e estudou 23 baleias-piloto Globicephala macrorhynchus que vivem ao largo das ilhas Canárias, um dos três locais do mundo onde estas baleias residem permanentemente. As marcações, concebidas pelo co-autor do estudo Mark Johnson do Woods Hole, registaram a velocidade, profundidade e direcção dos mergulhos das baleias, bem como os sons que produziam e ouviam.

Durante o dia, as baleias são vistas frequentemente a preguiçar à superfície em grupos sociais, o que levou os cientistas a pensar que apenas caçavam à noite. Mas as marcações demonstraram que também caçam durante o dia e quando o fazem, mergulham fundo e mergulham rápido.

As marcações mostraram que as baleias demoram apenas 15 minutos a mergulhar de 800 a 1000 metros ou mais. Quando localizam a presa, lançam-se sobre ela a uma velocidade de 9 metros por segundo (32 Km/h). Para além disso, conseguem manter este sprint durante 200 metros, antes de capturarem a presa ou desistirem da perseguição.

A descoberta desafia de forma fundamental a nossa percepção do comportamento dos animais de águas profundas, diz Aguilar Soto. Até agora, os investigadores assumiram que as baleias que mergulham a grande profundidade se deslocavam com relativa lentidão, devido à necessidade de conservar oxigénio enquanto sustinham a respiração.

“Foi completamente inesperado que as baleias piloto atinjam esta velocidade com reservas limitadas de oxigénio. As chitas, por exemplo, duplicam a sua taxa respiratória durante a caçada”, diz Aguilar Soto.

Por isso, como as chitas, as baleias piloto devem ter uma estratégia de caça baseada na velocidade e nos sprints energeticamente dispendiosos mas, de alguma forma, conseguem faze-lo a suster a respiração. Isso pode explicar o motivo porque são observadas a preguiçar na superfície, podem estar a recuperar do esforço da caçada.

Também existem provas indirectas de que as baleias podem estar a caçar lulas gigantes. Durante os mergulhos, os marcadores acústicos revelaram que as baleias mudavam da sua ecolocação lenta para uma série de cliques rápidos, como um zumbido.

Isso permite-lhes “ver com o som” a uma maior resolução, diz o co-autor Peter Madsen, da Universidade Aarhus. “A analogia pode ser como passar de fotos para vídeo, indicando que as baleias estão a tentar capturar presas depois do sprint.”

Mas “a presa deve ser suficientemente grande e calórica para recompensar os mergulhos profundos e deve ser capaz de se deslocar suficientemente rápido para ultrapassar as baleias à velocidade máxima”, diz Aguilar Soto.

Um animal encaixa, a lula gigante Architeuthis. “Descobrimos um pedaço de Architeuthis a flutuar próximo de baleias piloto a mergulhar e lulas gigantes mordidas ão comuns na zona onde as baleias vivem”, diz ela.

Pablo Aspas também fotografou uma baleia piloto com um tentáculo na boca (imagem acima). “A cor e forma das ventosas indicam que pertence a uma Architeuthis e o tamanho do pedaço indica que o tentáculo inteiro devia ter dois mentros, ou seja, era de uma lula com 4-5 metros e 180 kg de peso”, diz o perito em cefalópodes Angel Guerra, do Instituto de Investigação Marinha de Vigo.

Fonte: Simbiotica

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A subida às árvores dos nossos ancestrais

Os ancestrais dos humanos, macacos e grandes símios podem ter subido às árvores devido à sua pequena dimensão.

Há muito que os cientistas se interrogam acerca do motivo porque os primeiros primatas viviam na copa das florestas, dado que trepar parece consumir muito mais energia do que caminhar.

Investigadores americanos, no entanto, foram analisar a questão estudando primatas a trepar e a caminhar sobre passadeiras rolantes e dizem que as suas conclusões revelam que não há diferença no consumo de energia entre as duas situações para pequenos primatas, o que nos dá novas pistas para o motivo porque os seus ancestrais subiram às árvores há 65 milhões de anos.

Jandy Hanna, da Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, diz que os dados recolhidos sugerem que os primeiros primatas foram capazes de explorar um novo ambiente sem custos acrescidos, desde que permanecessem pequenos.

“Os primeiros primatas diferenciaram-se dos outros mamíferos em parte devido à sua capacidade de explorar um novo nicho ecológico arbóreo, o dos ramos terminais das árvores”, explica ela.

Os primeiros primatas, que devem ter sido mais ou menos do tamanho de ratos grandes, sofreram, em seguida, uma série de alterações evolutivas à medida que se adaptavam ao seu novo ambiente. Algumas destas alterações incluem o surgimento de unhas em vez de garras e mãos e pés com polegares oponíveis.

“O benefício, ou a recompensa, de invadir este novo ambiente (e o surgimento destas alterações anatómicas) foi a descoberta de um meio rico em insectos e frutos”, diz Hanna.

Robin Crompton, do Grupo de Evolução e Morfologia dos Primatas da Universidade de Liverpool, Reino Unido, refere que já foi observado na natureza que animais pequenos, como os lémures-rato, se deslocam basicamente da mesma forma na vertical ou na horizontal.

“Pela primeira vez, os investigadores americanos demonstraram que para os os primatas até aos 4 kg de peso, mais coisa menos coisa, a eficiência energética do movimento vertical aumenta muito pouco com o tamanho, enquanto trabalhos anteriores tinham demonstrado que a eficiência de andar aumenta drasticamente”, diz ele.

Os detalhes desta investigação foram publicados na última edição da revista Science.

Fonte: Science

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Ursos polares ganham classificação de "ameaçados"

Os ursos polares vão ser listados como ameaçados sob a Acta das Espécies Ameaçadas americana (ESA), anunciou relutantemente o secretário do interior.

Ainda assim, a listagem praticamente não oferece qualquer protecção acrescida aos ursos, que estão ameaçados principalmente devido à perda do gelo oceânico na zona polar.

“Quem me dera que a decisão pudesse ser outra”, disse o secretário do interior Dirk Kempthorne, apelidando a ESA de “lei inflexível” que não lhe permitia considerar os potenciais danos económicos resultantes da listagem.

Em vez disso, a lei exige que a decisão seja baseada apenas na melhor ciência disponível, neste caso uma série de nove relatórios emitidos pelo US Geological Survey (USGS) em Setembro passado.

“Os nossos relatórios, bem como o restante corpo de investigação, sugerem claramente que se o gelo marinho continuar a desaparecer, o futuro do urso polar está realmente ameaçado”, diz Steve Amstrup, do USGS de Anchorage, Alasca, que liderou o esforço de classificação.

Esses estudos descobriram que o gelo marinho é vital para a sobrevivência do urso polar e tem vindo a desaparecer de forma dramática nos últimos anos. Para além disso, múltiplos modelos climáticos, escolhidos pelo seu rigor na descrição da redução observada do gelo árctico, prevêem que o gelo vai continuar a recuar.

Espera-se que o gelo fino que cobre a maior parte do oceano Árctico derreta completamente este Verão, deixando o pólo norte livre de gelo, de acordo com uma projecção do Centro Nacional da Neve e Gelo dada a conhecer no início deste mês.

Ainda que Kempthorne tenha reconhecido na quarta-feira que o aquecimento global está a causar o recuo do gelo árctico e que as actividades humanas têm “algum impacto” nas alterações climáticas, ele referiu que não se pode estabelecer nenhuma ligação entre nenhuma instalação ou perfuração de gás ou petróleo e o destino do urso. “A perda de gelo marinho, não a exploração de gás ou petróleo ou qualquer actividade de subsistência, é a principal ameaça ao urso polar.”

“Esta situação não deve abrir a porta à utilização da ESA para regular as emissões de gases de efeito de estufa”, acrescentou ele, “esta não é a ferramenta adequada para lidar com as alterações climáticas.”

A listagem vai exigir que as agências federais considerem os riscos para os ursos polares resultantes de qualquer acções que autorizem e que consultem o Fish and Wildlife Service se as suas actividades colocarem em risco os ursos.

No entanto, Kempthorne invocou uma secção da lei que lhe permite adoptar as medidas existentes para ultrapassar a ESA, se as outras regras forem mais rígidas. No caso do urso polar, diz ele, qualquer actividade considerada autorizável pela Acta de Protecção dos Mamíferos Marinhos, que se foca em manter cada animal individualmente, e não uma espécie, longe de perigo, seja permitida sob a ESA.

A listagem desencadeia automaticamente uma proibição à importação de peles de troféu do Canadá para os Estados Unidos, que era permitida ao abrigo de uma excepção na lei dos mamíferos marinhos.

“É perturbador que ao mesmo tempo que a administração finalmente reconhece o impacto do aquecimento global, esteja a tentar esquivar-se a fazer alguma coisa sobre a questão”, diz Andrew Wetzler, director do projecto das espécies ameaçadas do Natural Resources Defense Council de Chicago. A organização foi uma das três que processou o departamento como forma de pressão para a listagem dos ursos polares.

A há muito aguardada decisão chega meses depois do primeiro prazo legal ter terminado, Janeiro, e um dia antes de um novo prazo imposto por um tribunal federal em resposta ao processo dos ambientalistas.

Os ursos polares são a primeira espécie nos Estados Unidos a ser considerada ameaçada primariamente devido ao aquecimento global.

Fonte: Simbiotica

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O controlo dos fogos florestais conduz a mais carbono no ar, revela uma nova pesquisa realizada nas florestas californianas. A descoberta sugere que florestas poupadas ao fogo podem libertar mais quantidade deste gás de efeito de estufa do que absorvem.

Décadas de supressão dos fogos naturais aumentou o número de árvores sobreviventes nas florestas californianas mas este crescimento foi à custa das árvores maiores, que são menos resistentes à seca a outros stresses ambientais que as árvores jovens e mais pequenas, o que resulta num declínio da quantidade total de carbono armazenado nestas florestas.

Entre a década de 30 e 90 do século passado, as florestas cada vez mais cerradas tiveram uma tal queda em biomassa que agora armazenam menos de um terço do que antes faziam, relatam Aaron Fellows e Michael Goulden, ambos da Universidade da Califórnia, Irvine. Os seus resultados serão publicados na revista Geophysical Research Letters.

A descoberta vai exactamente ao contrário das expectativas. Pensava-se que mais árvores significava mais carbono a ser retirado da atmosfera. “Se suprimirmos os fogos e muitas pequenas árvores se desenvolverem, devíamos armazenar mais carbono”, diz o ecologista Richard Houghton, do Woods Hole Research Center de Falmouth, Massachusetts.

Este cerrar da floresta era considerada uma razão para os investigadores do clima observarem mais absorção de dióxido de carbono nas latitudes médias do hemisfério norte do que conseguiam explicar. Mas o facto de serem mais cerradas parece tornar as florestas californianas emissoras de carbono ao reduzir-se o total de biomassa.

Extensos dados históricos sobre a densidade de árvores são relativamente raros mas Goulden e Fellows encontraram um inventário das florestas californianas compilado na década de 30. Compararam os dados com censos florestais realizados na década de 90 em zonas semelhantes.

No total, o número de árvores tinha aumentado, com as florestas de coníferas de altitude média a mostrar o maior crescimento. Durante o intervalo de 60 anos, a densidade dessas árvores aumentou 34% mas a quantidade total de vegetação arbórea, e logo a quantidade de carbono aprisionado, na realidade diminuiu 26%.

“A razão para isto é que as árvores não são todas iguais”, diz Goulden. “Por cada grande árvore que perdemos, precisamos de 50 árvores pequenas para absorver a mesma quantidade de carbono.”

Em caso de seca, as árvores pequenas limpam rapidamente a água, deixando as maiores vulneráveis. Os autores colocam a hipótese de esta competição ser a razão para o declínio das grandes árvores.

Antes da intervenção humana, os fogos florestais na Califórnia queimavam principalmente junto ao solo e tinham maior probabilidade de queimar as árvores jovens e a vegetação rasteira, reduzindo os andares inferiores da floresta. As árvores maduras e de grande dimensão eram resistentes a estes fogos.

Da década de 30 à década de 90, as florestas californianas analisadas libertaram o que se estima terem sido 0,7 toneladas de carbono por hectare e por ano. Um hectare de floresta saudável e em crescimento absorve duas ou três toneladas de carbono por ano, diz Goulden.

A média de carbono emitido pelas florestas é pequena quando comparada com as 1,6 milhões de toneladas de carbono libertadas pela queima de combustíveis fósseis nos Estados Unidos só em 2003. O solo e os oceanos absorvem parte deste carbono e as medições atmosféricas indicam que a América do Norte está a absorver mais carbono do que os investigadores conseguem explicar.

Mas os resultados sugerem que o aumento da densidade das florestas pode não ser o responsável por este ’sumidouro de carbono desconhecido’.

“O que todos têm andado a assumir que sejam sumidouros terrestres de carbono pode muito bem não o ser”, diz Houghton. “Esta é a primeira vez que alguém tinha medições suficientemente cedo para realmente avaliar onde o carbono foi armazenado e onde foi perdido.”

É difícil dizer o que aconteceu às florestas desde meados dos anos 90 mas o aumento de densidade deve ter continuado, diz Goulden. As florestas são agora tão densas que os fogos rasteiros não se desenvolvem de forma correcta. Um fogo agora iria queimar tanto as árvores pequenas como as grandes.

As florestas “serão sempre que ser geridas”, diz Sue Exline, porta-voz da Floresta Nacional Sierra na Califórnia. “Devido à influência da sociedade, não conseguimos voltar à floresta que já existiu e deixar que ela cuide de si própria.”

Fonte: Simbiotica

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Microondas matam clandestinos do balastro

Investigadores americanos dizem ter desenvolvido uma forma eficaz de matar as plantas e animais indesejados que andam à boleia da água de balastro dos cargueiros comerciais.

Testes mostraram que um sistema contínuo de microondas foi capaz de remover toda a vida marinha presente nos tanques de água dos navios.

As Nações Unidas consideram as espécies invasoras dispersas pelas descargas de água de balastro uma das quatro principais ameaças aos ecossistemas marinhos a nível mundial.

A descoberta irá ser publicada na próxima edição da revista Environmental Science and Technology.

O comércio marítimo desloca mais de 80% dos produtos a nível mundial e transfere mais de cinco mil milhões de toneladas de água de balastro internacionalmente e por ano, revela dados recolhidos pelas Nações Unidas.

Os navios, especialmente os grandes cargueiros, precisam de tanques de balastro para fornecer estabilidade na água e para corrigir qualquer alteração na massa do navio.

Quando a carga de um navio é descarregada (1), o navio enche os tanques de balastro com água e quando volta a ser carregado (3), frequentemente do outro lado do mundo, a água é deitada fora.

BBC)

O co-autor do artigo, Dorin Boldor, do centro agrícola da Universidade Estatal da Louisiana, refere que a equipa criou o dispositivo de microondas para ser encaixado na válvula de saída dos tanques de balastro.

“A ideia base é bombear a água de balastro através de uma cavidade com microondas, tal como um forno de microondas doméstico. A potência é muito superior e utiliza outra frequência mas cria um campo eléctrico de alta intensidade no centro da cavidade que oscila rapidamente.”

“As moléculas de água vão começar a girar rapidamente, criando fricção que gera calor. Mas gera calor em todo o volume ao mesmo tempo, ao contrário do que aconteceria se tivéssemos que utilizar outro mecanismo gerador de calor e conduzi-lo através do líquido.”

Isto significa que os investigadores têm um alto grau de confiança de que o sistema trata toda a água de forma a remover todos os organismos indesejados. “É extremamente rápido e muito eficiente na transferência de energia das microondas para calor.”

Desde há milhares de anos que as espécies marinhas têm sido dispersas através dos oceanos por meios naturais, como as correntes ou flutuando em detritos como troncos.

Mas barreiras naturais, como as diferenças de temperatura e as massas continentais, limitaram o alcance desta dispersão em algumas espécies e permitiram que diferentes ecossistemas marinhos se formassem.

Desde o surgimento da frota de cargueiros moderna, e com o aumento do comércio entre nações, estas barreiras naturais foram ultrapassadas, permitindo que espécies não nativas fossem introduzidas, desequilibrando o funcionamento dos ecossistemas.

O Programa, liderado pelas Nações Unidas, de Gestão Global de Águas de Balastro (GloBallast) estima que pelo menos 7 mil espécies podem ser transportadas através do globo nos tanques de um cargueiro.

É verdade que muitas destas plantas e animais não sobrevivem à viagem mas algumas consideram o novo ambiente suficientemente favorável para estabelecer uma população reprodutora e começar a competir com as espécies nativas.

Por exemplo, refere a GloBallast, o mexilhão-zebra europeu Dreissena polymorpha já infestou mais de 40% das águas continentais americanas. Entre 1989 e 2000, gastou-se $1bilião no controlo da propagação desta praga.

A chegada de uma alforreca invasora Mnemiopsis leidyi levou a alteração de regime ecológico radical no Mar Negro, o que contribuiu para o colapso da pesca comercial na região.

A dada altura, esta alforreca era responsável por 90% da biomassa total do Mar Negro. O seu apetite pelo plâncton nativo significou que as restantes espécies de peixe não eram capazes de competir e restabelecer populações viáveis.

Em Fevereiro de 2004, a comunidade internacional de comércio marítimo concordou em estabelecer medidas mais rigorosas para impedir que as descargas de água de balastro libertasse espécies potencialmente invasoras.

A Convenção Internacional para o Controlo e Gestão da Água de Balastro e Sedimentos do Navios exige que todos os navios com mais de 400 toneladas instalem sistemas de tratamento de água de balastro.

O desenvolvimento agora apresentado por esta equipa de investigadores parece ideal para os operadores comerciais cumprirem as suas obrigações de acordo com esta legislação, explica Boldor.

“Deve funcionar muito bem instalado nos próprios navios cargueiros de grande dimensão mas quando se trata de embarcações menores, deve ser mais eficaz a nível de custos ter um sistema de barcaças nos portos. A barcaça abordava o navio, retirava e tratava a água de balastro enquanto aguardavam para acostar.”

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

GloBallast

Environmental Science and Technology journal

Protecção dos ecossistemas depende do controlo de clandestinos

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Mistérios do código genético do ornitorrinco revelados

Um primeiro rascunho da sequência do genoma do ornitorrinco revelou elementos de réptil e de mamífero e fornece mais evidências quanto à sua posição na árvore evolutiva dos animais.

O ornitorrinco Ornithorhynchus anatinus é uma espécie endémica da Austrália e uma das criaturas mais bizarras da natureza, com um aspecto que faz lembrar algo construído a partir de partes de outros animais.

Este monotrémato semi-aquático é um mamífero venenoso (o único conhecido), ovíparo e com bico de pato, que ocupa um ramo solitário no final de um tronco pouco preenchido da árvore evolutiva dos vertebrados.

Agora, a estrutura do seu genoma revelou novas pistas para a evolução dos mamíferos. “A análise está a começar a alinhar estas estranhas características com a inovação genética”, diz Wesley Warren, da Universidade de Washington em St Louis, Missouri, o principal autor da análise do genoma, um projecto internacional gigantesco.

Comparações com os genomas de outros mamíferos vão ajudar a datar o surgimento das características distintivas do ornitorrinco e revelar os acontecimentos genéticos na sua base.

Por exemplo, os mamíferos definem-se por possuírem glândulas mamárias, que nas fêmeas produzem leite. Ainda que o ornitorrinco não possua mamilos, produz leite verdadeiro (líquido rico em gorduras, açucares e proteínas) que os jovens sugam através de uma prega glandular na pele.

A análise mostra que o ornitorrinco tem os genes para a família das proteínas do leite (caseínas), que surgem todos juntos num grupo semelhante ao dos humanos. Este é um sinal de que uma das inovações genéticas que levou ao desenvolvimento do leite ocorreu há mais de 166 milhões de anos e após os mamíferos se terem separado dos répteis sauropsídeos que originaram os répteis e as aves modernos.

Os genes relacionados com os ovos do ornitorrinco oferecem mais pistas. Os embriões desenvolvem-se no útero da mãe durante 21 dias antes de serem expelidos no interior de um ovo com casca tipo cabedal do tamanho de uma unha. Após 11 dias de incubação, os jovens emergem mas sem que os órgãos estejam completamente diferenciados. Como os marsupiais, os jovens ornitorrincos terminam o seu desenvolvimento durante a amamentação.

O ornitorrinco partilha com outros mamíferos quatro genes associados à zona pelúcida, um revestimento tipo gel que facilita a fertilização do óvulo mas também tem dois genes ZPAX que antes apenas se conheciam em aves, anfíbios e peixes. Partilha com a galinha um gene para um tipo de proteína da gema chamada vitelogenina, o que sugere que as vitelogeninas (encontradas apenas em aves e peixes) são anteriores à divergência dos sauropsídeos, ainda que o ornitorrinco mantenha apenas um desses genes e a galinha tenha três.

Outras características que parecem puramente reptilianas afinal desenvolveram-se de forma independente, sugere a análise. Os machos têm esporões carregados de veneno nas patas posteriores, um veneno capaz de matar um animal do tamanho de um cão.

al como o veneno dos répteis, é um cocktail de variações em pelo menos três tipos de péptidos mas as variações surgiram de duplicações de diferentes genes em ornitorrincos e não em répteis modernos. A semelhança do veneno é um exemplo de evolução convergente entre dois tetrápodes.

“Não há nada tão enigmático como um ornitorrinco”, diz Richard Gibbs, que dirige o Centro de Sequenciação do Genoma Humano na Faculdade de Medicina Baylor em Houston, Texas. “Temos estes padrões de repetição reptilianos e os genes que evoluíram mais recentemente, como os do leite, e a evolução independente do veneno. Tudo aponta para como a evolução é idiossincrática.”

O sexo do ornitorrinco é determinado por um conjunto de dez cromossomas, uma bizarria que o demarca de todos os restantes mamíferos e aves. Estes cromossomas associam-se durante a meiose para formar uma cadeia que garante que todos os espermatozóides recebem todos os X ou Y. Apesar das designações semelhantes, nenhum dos cromossomas X do ornitorrinco se assemelha aos do Homem, cão ou rato.

“Os cromossomas sexuais são absolutamente, completamente diferentes dos de todos os outros mamíferos, o que não esperávamos”, diz Jennifer Graves, da Universidade Nacional Australiana em Camberra, que estuda a diferenciação sexual e é uma das autoras do estudo. Em vez disso, os X do ornitorrinco parecem-se mais com os cromossomas Z das aves. Outro cromossoma parece-se com o cromossoma X do rato, diz Graves. Tudo isto são evidências que os cromossomas sexuais dos mamíferos placentários e o gene determinante do sexo Sry (que se encontra no cromossoma Y) evoluíram depois de os monotrématos terem divergido dos mamíferos, muito mais tarde do que se pensava. “Os nossos cromossomas sexuais são um autossoma normalíssimo no ornitorrinco”, diz Graves.

Uma equipa liderada por Gregory Hannon, do Laboratório Cold Spring Harbor de Nova Iorque, sequenciou microRNA, que regulam a expressão génica, isolados de seis tecidos de ornitorrinco. Novamente descobriram uma mistura de exemplos de réptil e mamífero. “Temos microRNA partilhados com as galinhas mas não com mamíferos e outros partilhados com os mamíferos mas não com galinhas”, diz Hannon. “As características reptilianas do miRNA não são resultado de convergência, a morfologia não precisava de ser reflectida a nível molecular mas neste caso foi.”

Adam Felsenfeld, director do Programa de Sequenciação em Larga Escala do Instituo Nacional de Investigação do Genoma Humano de Bethesda, Maryland, diz: “Acho fascinante que as características genéticas do que são agora duas linhagens completamente separadas possam coexistir no genoma de um único organismo.”

Cerca de metade do genoma do ornitorrinco contém sequências não codificantes de DNA. Muitas são repetições dispersas, cópias de transposões caracteristicamente abundantes no genoma de outros mamíferos. Em contraste, repetições de sequências muito curtas conhecidas por micro-satélites de DNA são mais raras no ornitorrinco que noutros mamíferos e assemelham-se mais aos répteis, com o balanço dos ácidos nucleicos deslocado para o lado dos pares de bases A–T.

A informação da sequenciação já gerou marcadores genéticos muito úteis no estudo da estrutura populacional do esquivo ornitorrinco na natureza. Diferenças nos elementos repetidos, por exemplo, separam a população da Tasmânia da australiana, e podem ser usadas para melhorar a compreensão da ecologia deste animal enigmático.

Por enquanto não há planos para sequenciar o genoma do seu parente mais próximo do ponto de vista evolutivo, a equidna.

Fonte: Simbiotica

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Cientistas descobrem truque que ‘abre’ laptops


Laptop
Por serem portáteis, laptops são particularmente vulneráveis

Informações encriptadas armazenadas em um laptop são mais vulneráveis do que se pensava, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Os cientistas descobriram que é possível recuperar dados – inclusive as chaves para decodificar informações encriptadas – dos aparelhos.

Anteriormente acreditava-se que os dados armazenados na chamada “memória volátil” só permaneciam guardados por alguns segundos depois de desligada a máquina, mas os cientistas concluíram que as informações – inclusive as chaves – podem ser recuperadas no período de alguns minutos.

O tempo seria suficiente para que hackers entrassem no computador e recuperassem informações, inclusive as “chaves”.

“Acreditava-se amplamente que ao se cortar a energia do computador a informação na memória volátil iria desaparecer, mas descobrimos que este não é o caso”, disse à BBC o professor Edward Felten, da Universidade de Princeton.

A memória volátil normalmente é usada na memória de acesso randômico do computador (RAM, na sigla em inglês), usada para o armazenamento temporário de dados de programas quando o computador está ligado.

Sono profundo

A encriptação dos discos é o principal método usado por empresas e governos para proteger informações confidenciais e importantes.

“A chave para fazê-lo (o método) funcionar é manter a chave para a encriptação (que ‘desembaralha’ os dados) secreta”, explicou Felten.

A encriptação de dados se tornou um assunto bastante discutido recentemente, por causa do roubo de laptops contendo informações pessoais.

“O que descobrimos foi que a chave para a decodificação necessária para acessar os arquivos encriptados estava disponível na memória dos laptops”, disse ele. “A informação estava disponível por segundos ou minutos.”

“A preocupação é que alguém se aproprie do laptop enquanto ele ainda esteja ligado, ou enquanto ele esteja em standby ou hibernando”, disse Felten.

Nesses modos de operação, o laptop não está processando dados, mas a informação permanece armazenada na memória RAM para permitir que ele seja “acordado” rapidamente.

“A pessoa pode pegar o laptop, cortar a energia e depois ligar o aparelho de novo, e fazendo isso, ela terá acesso ao conteúdo da memória – inclusive as críticas chaves de encriptação.”

Esfriado

Desligar e ligar a máquina de novo é crítico para qualquer ataque.

“Quando retorna do ‘sono’, o sistema operacional está lá e está tentando proteger esses dados”, explica Felten.

Mas o ato de desligá-lo totalmente e depois ligá-lo de novo remove essa proteção.

“Ao cortar a energia e depois trazê-lo de volta, o adversário se livra do sistema operacional e tem acesso direto à memória.”

Felten e sua equipe descobriram que esfriar o laptop aumenta a retenção de dados nos chips de memória.

“A informação permanece na memória por muito mais tempo – 10 minutos ou mais”, disse ele.

Por exemplo, se a informação permanece no computador por cerca de 15 segundos em condições normais, um laptop “esfriado” a uma temperatura de -50º C vai manter essas informações na memória por 15 minutos ou mais.

Segundo Felten, a melhor maneira de proteger um computador é desligá-lo totalmente vários minutos antes de o usuário ter que se separar do aparelho, ou de sua segurança física estar comprometida.

“Trancar a tela simplesmente, ou acionar o modo ‘hibernar’, ou ‘suspenso’ não vão garantir proteção adequada”, acrescenta.

“A pesquisa levanta dúvidas sobre o valor da encriptação. Acredito que, com o tempo, os produtos de encriptação vão se adaptar a isso e vão encontrar novas maneiras de proteger informações.”

Fonte: BBC Brasil

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