Médicos X Nutricionistas


(…)
“A medicina está aprendendo como manter vivas as pessoas a quem a dieta ocidental está fazendo doente. Melhorou em estender a vida das pessoass com doença de coração, e agora está trabalhando na obesidade e nos diabetes. O capitalismo é ele próprio maravilhosamente adaptável, capaz de tornar os problemas que cría em oportunidades de negócio lucrativos: comprimidos para emagrecer, operações de bypass ao coração, bombas de insulina, cirurgia bariátrica. Mas enquanto a “fast food” puder ser um bom negócio para a indústria de saúde, certamente o custo para a sociedade – estimado só nos EUA em mais de $200 biliões de dólares por ano em gastos relacionados com cuidados de saúde relativos a problemas de dieta – esse é insustentável.”(…)

Michael Pollan, escritor, é professor de journalismo na Universidade de Berkeley na Califórnia. O seu mais recente livro, “The Omnivore’s Dilemma,” foi escolhido pelos editores do “The New York Times Book Review” como um dos 10 melhores livros de 2006.

A cura das doenças crónicas está mais perto do que se faz transparecer mas isso não interessa á industria – neste paradigma nasce o conflito entre médicos em geral e nutricionistas.
Quantas farmácias fechariam se agora as pessoas passassem a ter mais saúde.

Mas poderíamos ir mais longe porque esta guerra de interesses reflete o poder exercido pelos lobbies junto da comunidade cientifica que serve de modelo pelos seus estudos para a formação de médicos e dos próprios nutricionistas. Aqui o problema tem a ver com aquilo que de facto se estuda e investiga e como o rigor pode ser influenciado pela pressão da sociedade, dos patrocinadores dos estudos, etc.

O progresso cientifico tem ignorado propositadamente a natureza, trazendo com isso enormes prejuízos para o nosso planeta em termos ecológicos. Ao mesmo tempo negligencia deliberadamente a nutrição como factor de saúde trazendo assim as alterações metabólicas trágicas que estão à vista nas doenças degenerativas e crónicas que proliferam.

O divórcio entre a entre a ciência médica e a dietética foi sem duvida um dos mais dramáticos acontecimentos na história da humanidade e isso tudo tem a ver com uma única questão – interesse económico.

Os nutricionistas são vistos como uma pedra no sapato da medicina instituida. É inaceitável para a elite da classe médica ter que recuar terreno perante a verdade inquestionável – “somos aquilo que comemos” e num corpo sadio a doença não tem lugar.
São aceites porque tanta mentira é quase impossivel de sustentar e a solução é mantê-los sobre rédea curta. No fundo é politica de intresses a sobrepor-se aquilo que poderiam ser as profissões mais nobres existentes.

Felizmente alguns médicos e nutricionistas conscienciosos começam a acordar e a fazer a diferença, desmascarando a mentira e os mitos instituídos mas a luta ainda está no principio. E esses corajosos são constantemente perseguídos e até em certos casos expulsos da ordem ou temporariamente afastados das suas funções.

Os primeiros médicos tinham que de facto saber nutrição e saber preparar os medicamentos – hoje os médicos não passam de meros empregados de balcão servindo os cocktails do cardápio criado pela industria farmacêutica. Esta perda de estatuto doi no orgulho dos médicos e faz com que as suas relações com colegas nutricionistas seja ainda pior.

Com isto tudo fica aqui uma questão – que fazer?

Continuar a hostilizar as partes não resolve nada nem é benéfico para ninguém. O importante é a tomada de medidas para mudar o sistema não só com a imposição da lei que dá poder aos nutricionistas mas também com o esclarecimento de todos.

O ideal mesmo é que não existisse a classe médica separada dos nutricionistas e que o paciente fosse visto como um ser humano e não só como uma máquina química. Mas isso era estarmos a pedir para mudar todo o sistema – levará algum tempo mas penso que com a situação catastrófica que a humanidade atravessa, brevemente seremos obrigados a rever toda a teoria para passarmos a outra pràtica. Sem querer ser completamente fatalista, essa prática chama-se sobrevivência da humanidade e do planeta em geral.

Se não unirmos esforços em todos os campos – sejam eles a medicina, a nutrição, a ecologia, etc, a humanidade irá cair no abismo.

O aquecimento global pode não parecer ter nada a ver com esta discussão mas tem. Pois o mesmo modelo que levou à industrialização massiva, consequentemente poluidora, também levou à criação do modelo médico instituído.
Aquilo que poderia ser uma ciência e um desenvolvimento ideal para o bem estar da humanidade tem criado doença não só nos seres humanos como em todo o planeta.

As recomendações dos estudos que servem de modelo áquilo que é ensinado aos nossos médicos e nutricionistas vem na sua maioria dos EUA, pais responsável por 30% da poluição mundial e um pais com os maiores índices de doenças crónicas e degenerativas. Esse modelo não pode servir mais para aquilo que é ensinado no resto do mundo. E aqui podemos ver uma analogia interessante – os países supostamente menos desenvolvidos submetem-se à tirania da ciência americana que é maioritariamente pró química medicamentosa submetendo-se também à tirania da destruição do seu meio ambiente (casos da Amazónia – empresas americanas) – por sua vez no trabalho nos serviços de saúde o nutricionista que deveria ser como um “ecologista” do organismo, é repetidamente subjugado quer com pressões dos colegas médicos quer da própria ciência que o limita a funcionar com base em estudos a meu ver duvidosos.

E agora vocês poderão perguntar com é hábito nas comunidades de discussão sobre nutrição – “mas quem é você para falar assim dos cientistas, da classe médica e dos nutricionistas?”
“Que bases cientificas tem você para fazer toda essa dissertação?”

Aqui eu poderei responder que é arrogante não escutar opiniões de terceiros mesmo que não façam parte da nossa classe. E essa arrogância de facto existe – ao ponto de eu ter sido várias vezes expulso de comunidades de discussão por simplesmente expressar a minha opinião muitas das vezes apresentando provas com estudos científicos e colocar questões como estas que referi atrás.

Está na altura dos responsáveis pela saúde se tornarem verdadeiramente responsáveis e unirem esforços para facilitar a vida ao comum dos mortais que deseja ter mais qualidade de vida e não servir única e exclusivamente como fonte de rendimentos chorudos de meia dúzia.

Tenho o direito de saber aquilo que entra no meu corpo e nutrição deveria ser a primeira disciplina a começar a ensinar-se logo na escola primária, mesmo antes de se aprender a ler. Desta forma haveria mais espaço nos hospitais para atender casos urgentes em vez dos constantes corredores cheios de gente com doenças degenerativas e metabólicas.

Aos nutricionistas – lutem pela vossa posição, cumpram o vosso juramento e tragam mais paz e alegria a quem quer verdadeiramente viver.

Aos médicos – estudem mais nutrição e cumpram também o juramento de não prejudicar ninguém – jamais.

A todos em geral – libertem-se!

Mais sobre este assunto em Inglês no site do New York Times

FEEDBACK

19 de Fevereiro de 2007

Entretanto começa a haver feedback a este artigo.

A reacção de alguns médicos, estudantes de química e medicina.

Sentem este artigo como ataque directo.

e surgem as seguintes questões:

“O artigo transparece na vitimização dos nutricionistas”

A frase do médico:

“Se vitimar não leva a nada”.

A resposta:

– Eu não estou a vitimar – os nutricionistas é que se queixam de não poderem exercer as suas funções devidamente.

Em relação ao facto histórico de os médicos terem mudado para vendedores de droga em vez de curadores efectivos um estudante de química pergunta o seguinte:

“E isso lá torna os médicos menos dignos???”

A resposta:

O que é menos digno é o adeusamento de uma profissão que serve para servir o próximo e não para o explorar até ao tutano. Isso infelizmente é mais comum em países de regime totalitário ou com democracias muito jovens como é o caso do Brasil e Portugal também.
Em ceros paises, como a Bélgica e a Inglaterra, onde vivi, a casse médica não é vista como raça superior pelo povo mas sim como parte integrante do conjunto de profissões que servem a sociedade.
Este é um defeito e teimosia latina – pois em quase todos os países de origem latina há este conceito – muito mais no Brasil onde todo o mundo consegue ser “Doutor” mesmo sem canudo.

(…)Prometo que ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade da caridade e da ciência.(…)

(…)
Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir esse juramento com fidelidade, goze eu, para sempre, a minha vida e a minha arte. de boa reputação entre os homens. Se os infringir ou dele me afastar, suceda-me o contrário.(…)

(Hipócrates, nasc. 450 a.C.)

Quando ataco a industria farmacêutica e a forma como a medicina é exercida não estou de forma alguma a dirigir esse ataque aos médicos pois acredito que são necessários.
Todos os dias vem à baila noticias de mais casos de corrupção, de pressão e de controlo dos médicos pelas farmacêuticas.
Quem quiser continuar com esse jogo sujo que continue mas saiba que se sujeita a ser julgado – isso está a acontecer, e até que enfim, aqui em Portugal onde o parlamento resolveu tomar medidas para acabar com essa vergonha que já cheirava mal. E aqui não é caso de teoria da conspiração, são factos que estão na praça publica e nas mãos da justiça.

Velhos hábitos são difíceis de mudar mas quem for sério e honrado ainda está a tempo de o fazer e concerteza não se irá ofender com as minhas palavras.
Muitos médicos o fazem e a esses eu aplaudo de pé por não quererem ser também mais vitimas do sistema. Esses sim tem-nos no sitio…(para bom entendedor meia palavra basta).

Um nutricionista solidário com a classe médica e a industria responde:

“A farmácia sempre terá lugar no mundo pois as pessoas simplesmente
adoecem e nem todas as doenças têm causa os maus hábitos alimentares e nem bons hábitos são garantia de saúde perfeita”.

Eu contraponho:

Não é a farmácia nem os medicamentos que estão errados, o que está errado é a forma como funcionam. Na sua maioria os medicamentos não tratam mas sim servem para adormecer os sintomas – ai é que está o erro.
Não está errado um médico fazer o seu melhor para curar um paciente, o que está errado é o médico vender discriminadamente medicamentos sem primeiro usar alternativas de cura como é o caso da nutrição. O que está errado é o médico ir passar férias à custa das comissões que recebeu da venda desse venenos.

Nem todas as doenças têm causa nos maus hábitos alimentares mas a maioria delas têm. E nesse rol de doenças encontram-se as crónicas e as que mais vitimizam a humanidade.

O que está errado nos estudos científicos é excluírem tudo o que é natural como se os elementos químicos e a síntese dos variados elementos não viessem da natureza.
Se podemos tratar naturalmente para quê a utilização de químicos? É só para justificar a profissão? Para justificar os biliões gastos?

Mas mesmo os cientistas, ou aspirantes a sê-lo, esquecem uma coisa
importante – gasta-se mais dinheiro em campanhas de marketing e pagamentos de favores do que se gasta na própria investigação – porquê? É preciso vender mais.
E quantos indivíduos com capacidades excelentes no campo da investigação, principalmente nos países subdesenvolvidos, são obrigados a procurar trabalho no exterior pois os seus países não conseguem suportar a carestia de possíveis investigações. Isto torna os cientistas vitimas de empresas sem escrúpulos que efectivamente lhes dão trabalho mas que os obriga a investigar somente o que essas empresas entenderem independentemente da ética desses estudos. E aos países de origem dos referidos cientistas resta-lhes comprarem e engolirem a tecnologia externa vendida então a preço de ouro.

Não compreendem nem querem compreender que isto é tudo uma maquinagem bem orquestrada e que vocês são simples peões, talvez com um pouco mais de estatuto, que só servem para manter e nutrir o monstro destruidor que vos comanda (mas lá vou eu parar ao quadro dos alvos a abater pois vão considerar uma coisa óbvia, picaretologia ou teoria conspiratória).

Não estou aqui para atacar nem a classe médica nem a cientifica. Somente gostava de ver todas essas profissões mais prestigiadas e úteis.

Se por acaso vos quisesse ofender poderia usar de outro tipo de linguagem mas não é nem nunca foi essa a minha intenção.

Mas poderia continuar aqui a dissertar sobre o modo que a sociedade funciona e em que estamos todos implicados. Já que me acusam de teórico-conspirativo tiro o proveito da acusação e aproveito para relembrar outro paradigma.

A relação entre a Industria farmacêutica e as industrias alimentícias, ou não estivessem elas interligadas.

A produção de alimentos está completamente ligada e cada vez mais dependente da industria química – com o pretexto de combater pragas e doenças, pulverizamos tudo o que é plantação com toneladas de químicos que vão não só poluir as nossas reservas de água, destruindo a natureza pura, como vão acabar em doses letais nas plantas e nos amimais que consumimos.

E o mais caricato é ver produtos que são proibidos nos países dos fabricantes a circularem livremente nos países dependentes, tal e qual como certos medicamentos banidos nos países de origem levam mais tempo a ser retirados do mercado dos países dependentes e compradores.

Quem diz que não acredita nisto ou não quer ver esta realidade é porque tem alguma conveniência em não o admitir. E ai passa a ser conivente com os lobbies mas por uma razão muito simples – lucro pessoal e estatuto social.

Há custa disso temos uma sociedade à beira do abismo com guerras injustificáveis onde a politica do medo e do terror imperam.
Temos uma sociedade doente intoxicada pelos venenos que nos impõem como lei.

Por isso tudo vos lembro o juramento de Hipócrates para que possam sair com alguma honra de todo este processo.
É pura irresponsabilidade continuar a aceitar e a manter o sistema como se encontra.
Existem alternativas e todas as classes devem intervir no seu melhor para melhorar as condições de vida da humanidade, para salvar este planeta de um autentico descalabro.

Por isso eu assino com a palavra paz – porque ela é necessária para pensarmos melhor e efectivamente servirmos para dignificar aquilo que chamamos de espécie superior e mais inteligente ao cimo da terra.

1 Comentário »

  1. alberto said

    Concordo com o artigo,pois os médicos no Brasil , não se importam com a saúde do paciente, mas em curar doenças, pois se nó nos alimentássemos direito , não teriamos 80 % das doenças q temos!E nos fazem comprar remédios de acordo com a industria farmacéutica!Já os nutricionistas por outro lado, nos ensina a comer direito, porém não nos dá alternativas pois menos de 10% dos Brasileiros podem pagar por um nutricionista. Pior: Menos da metade pode bancar uma alimentação saudável!Se não podemos bancar esse tipo de dietas, temos q proucurar alternativas. Existem os Suplementos Alimentares q ajudam muito a suprir algumas das deficiencias alimentares q temos no nosso dia-dia, porém os Nutricionistas ” Torcem o nariz” para a tecnologia Macrobiótica, eles acham q isso é mais uma invenção da industria farmaceutica para faturar.Sendo assim, o q é mais fácil: Montar um programa de nutrição q a Industria Farmaceutica nos disponibiliza na medida certa, ou obrigar os clientes a gastarem mais de 500 reais por mes no supermercado , ou pagar remedios por ficar doente e não tem se nutrido corretamente?A VERDADE É Q FALTA ÉTICA DOS DOIS LADOS…PIOR, SE ESQUECEM Q UM COMPLEMENTA O OUTRO E NÃO SÃO RIVAIS!

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