Poluição da Ásia afecta o clima global


A poluição industrial que vem da Ásia está a ter um efeito mais vasto no clima global do que antes se tinha considerado, sugere um novo estudo agora conhecido.

A ‘bruma asiática’ de poluição está a aumentar a incidência de tempestades no Pacífico, descobriram os cientistas.

Está também a realçar o crescimento de nuvens de grandes dimensões, que desempenham um papel central na regulação do clima a nível global.

Escrevendo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os investigadores referem que o impacto desta situação podem ser sentidos em zonas tão longínquas como o Árctico.

“É uma imagem muito complexa”, salienta o líder do estudo Renyi Zhang, da Universidade do Texas A&M em College Station. “Mas o mais importante é que os aerossóis realmente reforçam a convecção e aumentam a precipitação sobre uma vasta área.”

Enquanto a legislação do ar limpo ajudou a reduzir a produção de aerossóis, partículas muito finas de poeira, cinza e enxofre, na Europa e na América do Norte, o oposto tem vindo a verificar-se na Ásia. Aí, a rápida industrialização levou à formação de uma bruma de poluição que é especialmente marcada no Inverno, com o aumento da queima de carvão.

As emissões de enxofre também aumentaram em mais de um terço ao longo da última década, fazendo com que os aerossóis originem a formação de nuvens, à medida que as gotas de água coalescem em volta das pequenas partículas.

Quando os aerossóis são abundantes, as gotas permanecem demasiado pequenas para formar chuva, logo, nestas condições, as nuvens crescem mais e permanecem durante mais tempo.

Quando as nuvens são do tipo convectivo, significa que também transmitem mais calor da superfície da Terra para a atmosfera superior. As nuvens convectivas desempenham um papel central na regulação do clima global e o papel dos aerossóis no desenvolvimento das nuvens permanece a incerteza principal na previsão das alterações climáticas.

Na investigação mais recente, Zhang utilizou registos de satélite para mostrar que a quantidade de nuvens convectivas sobre o Pacífico norte aumentou. A cobertura durante o período 1994-2005 foi entre 20% e 50% superior à da década anterior.

Com o aumento das nuvens e o aumento da convecção veio um aumento do tempo tempestuoso sobre o oceano. Os modelos de computador sugerem que a tendência está a ser conduzida pela produção de aerossóis asiática e não por outros factores como as alterações de temperatura do oceano.

“As tempestades regulam as correntes”, refere Zhang, “e se mais calor estiver a ser transportado das baixas para as altas latitudes, vamos ter um enorme efeito sobre a circulação global.”

Mas a associação entre nuvens e aerossóis também trabalha na direcção oposta. As nuvens transportam as minúsculas partículas e nuvens mais abundantes e persistentes vão transportá-las ainda para mais longe, mesmo para as regiões polares, sugere Zhang.

Alguns estudos sugerem que a acumulação destas partículas está a alterar as propriedades do gelo árctico, tornando-o mais capaz de absorver a energia solar. Isto significa que o gelo estará mais sujeito a derreter, também reduzindo a capacidade da Terra em reflectir a energia solar de volta para o espaço.

Fonte: simbiotica.org


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