Escaravelhos libertam mais carbono que fogos

Uma infestação de escaravelhos pode converter largas áreas da floresta canadiana em produtoras de carbono em vez de sumidouros de carbono, sugere um novo estudo agora conhecido.

Estimulados pelos Invernos cada vez mais amenos, os escaravelhos dos pinheiros da montanha têm vindo a dizimar as coníferas da Colúmbia Britânica, matando árvores numa zona que se estima atinja entre 74 e 94 mil quilómetros quadrados de floresta.

“Isto são números gigantescos devidos a um insecto minúsculo”, diz Werner Kurz, dos Recursos Naturais do Canadá em Victoria, que liderou o estudo. A infestação tem tido um impacto imenso na industria madeireira e na ecologia da região, tornando vastas zonas de floresta castanhas avermelhadas em vez de verdes.

Para avaliar o efeito do alastrar da praga no ciclo do carbono da região, Kurz criou um modelo do ‘orçamento’ de carbono disponível para 374 mil quilómetros quadrados de pinhal localizado entre as montanhas Rochosas canadianas e as cordilheiras costeiras. A equipa estimou que 270 megatoneladas de carbono desaparecerão da região entre 2000 e 2020 à medida que o escaravelho mata as árvores, relatam eles na última edição da revista Nature.

Parte deste carbono desaparece da floresta mas permanece armazenado na madeira, à medida que as árvores são cortadas numa tentativa de manter o valor da madeira mas muito mais é perdido para a atmosfera sob a forma do gás de efeito de estufa dióxido de carbono, com o apodrecimento das árvores mortas.

Já tinha sido proposto anteriormente que os níveis mais elevados de dióxido de carbono, aquecimento global e poluição por azoto podiam aumentar a quantidade de carbono que as florestas armazenavam por estimular o crescimento, mas Kurz diz que os impactos negativos têm que ser considerados nos modelos climáticos. “Não devemos estar apenas a ter em conta os impactos benéficos e a ignorar os impactos negativos que derivam dos mesmos processos.”

No modelo proposto pela equipa, um pinhal intocado pelos escaravelhos mas com uma quantidade normal de abate de árvores funciona como um ligeiro sumidouro de carbono, absorvendo mais dióxido de carbono do que perde (tanto como dióxido de carbono como em madeira).

A única excepção a esta situação é quando um fogo converte a floresta numa fonte de carbono, como aconteceu em 2003. Mas os escaravelhos têm um efeito ainda maior, não seu pior ano libertaram mais 50% de carbono do que os fogos de 2003, e estão em acção numa escala de tempo superior, situação agravada pelo aumento da taxa de corte de madeira.

A plantação e o crescimento natural de novas árvores significa que as perdas de carbono se reduzem com o abrandar da infestação mas nos 20 anos do modelo não existia renovação da floresta suficiente para compensar as perdas.

“Certamente é um bom esboço inicial do que podemos esperar”, diz Art Fredeen, que estuda os efeitos da gestão da floresta e o equilíbrio de carbono na Universidade do Norte da Colúmbia Britânica em Prince George, mas que não esteve envolvido no estudo.
Os madeireiros têm corrido a salvar madeira das florestas devastadas como parte da política da província de tentar mitigar o custo da perda deste precioso recursos mas nem todas as árvores estão em perfeita condição para aproveitamento da madeira.

Os escaravelhos são portadores de um fungo azul que descolora a madeira, baixando o seu valor. Kurz e outros investigadores já sugeriram que as árvores moribundas sejam usadas como lenha, o que poderia ajudar a manter o seu valor mas contribuiria para maiores emissões de dióxido de carbono.

Fredeen pensa que o abate na tentativa de salvar árvores também pode estar a contribuir para o aumento das emissões de dióxido de carbono, pois perturba a vida vegetal do chão da floresta. “Temos todos estes arbustos, musgos, líquenes, ou seja, uma superfície fotossintética muito grande que não é afectada pelo escaravelho do pinheiro de montanha. Quando cortamos tudo, claro que tudo isto é removido.”

Estações de medição de dióxido de carbono localizadas nas zonas infestadas mostraram, no seu primeiro ano, um aumento de seis vezes na libertação de carbono nas áreas cortadas, em comparação com áreas infestadas onde as árvores ficaram a apodrecer, diz Fredeen.

Ainda que os escaravelhos sejam nativos da região, espalharam-se para norte e para altitudes mais elevadas com os Invernos mais amenos das últimas décadas. Temperaturas abaixo de -40 °C durante várias noites seguidas matam as larvas mas esses períodos de frio intenso são cada vez mais raros.

Mesmo que as alterações climáticas tragam Invernos ainda mais quentes à região, os peritos pensam que a infestação já atingiu o seu máximo. Os escaravelhos dos pinheiros de montanha apenas se conseguem reproduzir nas árvores maiores, que eram abundantes graças a surtos de crescimento após fogos violentos terem percorrido a zona oeste da América do Norte há 80 a 140 anos.

Muito em breve, 80 a 90% dessas grandes árvores terão desaparecido, diz Kurz: “O escaravelho mais devorar tudo até não ter lar e alimento e a sua população, eventualmente, vai entrar em colapso.”

Fonte: Simbiotica

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