O PRIMEIRO AMOR


O PRIMEIRO AMOR

The First Love

Ângela Maria Amâncio de Ávila

Psicóloga – Consultora em Aleitamento Materno pelo IBLCE

angeladeavila@yahoo.com.br

Este artigo mostra que o ser humano ao nascer precisa se apegar e receber cuidado afetuoso e sustentador dispensado por um adulto comprometido com a satisfação de suas necessidades essenciais à sua sobrevivência, desenvolvimento posterior e constituição psíquica. Convoca os profissionais da saúde, da educação e do sistema legal a repensarem suas condutas de modo que não sejam perniciosas, mas facilitadoras do vínculo mãe-filho, o protótipo de todas as formas de relacionar e amar.

ABSTRACT: This paper shows that new-born babies need to establish attachment and receive affectionate and supportive care from an adult sensitive who have the commitment to meet the child’s essential needs related to survival, future development and formation of a psychological base. This paper calls on those professionals linked to health, education and legal areas to rethink their behavior so as to facilitate the mother-child relationship, the basis of all manifestations of love, rather than harming this link.

Nossa sociedade está organizada de forma que o nascimento, a educação e o cuidado dos filhos estão cada vez mais a cargo de profissionais, subestimando-se a riqueza de uma das tarefas mais importantes na vida: ser mãe e ser pai.

O presente artigo visa mostrar que o ser humano recém-nascido precisa se apegar e receber cuidado afetuoso e sustentador dispensado pela mãe ou outro substituto sensível e comprometido com a satisfação de suas necessidades essenciais à sua sobrevivência, desenvolvimento posterior e constituição psíquica. Convoca os profissionais da saúde, da educação, do sistema legal e outros que atuam no trabalho com famílias a repensarem suas condutas de modo que não sejam perniciosas, mas facilitadoras e promotoras do vínculo mãe-filho, o protótipo de todas as formas de relacionar e amar.

Afirma também que as configurações atuais do indivíduo, de sentimentos, relações e a forma deste de lidar com a desconfiança, o sofrimento, o desconhecido, as frustrações, os conflitos e prazeres, precedem de padrões passados de experiências.

MATERIAL E MÉTODOS: A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho inclui levantamento bibliográfico em livros e artigos que enfocam o tema.

RESULTADOS: Face ao exposto espero contribuir para o desencadeamento de reflexões e propostas criativas no âmbito da educação, do ensino e da saúde pública que valorizem o cuidado infantil preventivo, provedor e humanizante.

DISCUSSÃO:

Amor correspondido: necessidade absoluta Nós seres humanos, nascemos ligados e desejamos estar ligados não mais fisiologicamente, mas sim pelas relações, afetos e sentimentos que nos identificam e legitimam (COUTINHO,2004 ).

O vínculo entre mãe e bebê é o protótipo de todas as formas de amar. (ODENT, 2000).

O flamante brilho do novo pode se tornar opaco quando aparece algum problema, assim, convém levarmos em conta que o brilho não depende da maciez da pele do bebê, nem da quantidade e qualidade de cromossomos que suas células contêm, nem da correta construção de seu sistema nervoso, mas dos olhos que o miram carregados (ou não) de libido e esperanças de futuro (CORIAT, 1996).

Quando olho, sou visto, logo, existo. Posso agora me permitir olhar e ver (WINNICOTT, 1975).

Os bebês memorizam o cheiro da mãe, avaliam seus olhares, seu calor, seu tom de voz e são refinadamente sensíveis aos sinais de compromisso materno. A mãe é convocada a garantir de fora o que antes garantia em seu ventre. O bebê passa de “hóspede de seu corpo” para “hóspede de seus braços”, e já é capaz de detectar se a mãe o aceita, o recusa ou delega a função maternante.

Segundo Bowlby (1969), todos os primatas nascem programados para formar um poderoso vínculo emocional com a mãe ou outra figura de apego primário com quem o bebê se esforça por permanecer perto o tempo todo formando um modelo sobre o que procurar e esperar das relações de acordo com que seus próprios sentimentos iniciais são retribuídos.

Um adulto que teve bons relacionamentos na sua vida, que sentiu o gosto doce do mel da correspondência e da ambrosia da reciprocidade, tende para o desinvestimento daquilo que não deu e para o reinvestimento daquilo que pode ser que (MASCARENHAS, 2007).

Loucuras de amor – Para ser capaz de amar a pessoa deve ter experimentado o amor, e é nesses termos que Winnicott (1996), fala da riqueza da amamentação ao seio quando esta ocorre satisfatoriamente. O autor relata que o bebê humano recém-nascido no seu desamparo e dependência quase absoluta, necessita de ser visto e ouvido. O bebê come amor como se comida fosse, e também a sensação de estar rodeado, contido, visto e seguro e o que ele bota para dentro não apenas leite, mas tudo aquilo que é engolido durante o dia, o modo como dá sentido ao seu mundo; tudo é trazido para dentro de si como material para sonhar.

O leite humano é o único alimento perfeito e adequado à nutrição e ao desenvolvimento do recém-nascido, mas quando a mãe é impedida de amamentar ao seio, o que importa é que ela possa propiciar à criança gratificação com outra alimentação, pois o que vai contar é a sua atitude global de maternagem.

A amamentação satisfatória ao seio, não só facilita a constatação da sobrevivência da mãe acolhendo a agressividade do bebê sem retaliar, mas inclui também o fomento de condições para a experiência mais rica possível, com resultados a longo prazo na profundidade e valor crescentes do caráter e personalidade do indivíduo (WINNICOTT, 1982).

Para Bowlby (1979), a “louca” adoração materna ajuda o bebê a tornar-se alguém que possui suficiente auto-respeito e autoconfiança capaz de amar outras pessoas.

Do vínculo fisiológico rumo à constituição psíquica do indivíduo e à construção do ser social – Os primeiros intercâmbios afetivos cuidador-bebê asseguram não só a sua sobrevivência biológica, mas contribuem também para o desenvolvimento dos setores somáticos e psíquicos de sua personalidade.

O prazer da lembrança do momento da satisfação e a capacidade de reproduzi-lo estrutura a experiência auto-erótica do bebê, inaugura a vida de fantasia, e, assim a sua vida psíquica e funcionamento da organização psicossomática.

Bion, Aulagnier e Winnicott (2005), mencionam que as funções da mãe são acolher, delimitar e apresentar o bebê a si mesmo e ao mundo, suportar e sobreviver aos seus ataques e sustentar o processo de ilusão e desilusão.

A mãe ou cuidador devotado, que alivia as tensões do bebê, alimentando-o, hidratando-o, oferecendo cuidados de higiene e saúde, segurando-o ao colo para consolá-lo e falando com ele para acalmá-lo, está assentando, sem que o saiba, as primeiras bases da saúde mental do indivíduo., alimentando-o, hidratando-o, oferecendo cuidados de higiene e sae empatia em relaçonv_______________________________

Encontro pleno: o bem amado – Apegos seguros no começo da vida têm efeitos duradouros, não tanto em temperamentos ou capacidade cognitiva, quanto no grau de empatia em relação a outros. Bebês solidamente apegados convertem-se em escolares socialmente estáveis que amadurecem e formam, como adultos, apegos estáveis e criam filhos dotados de sentimentos estáveis, ao passo que os apegos precários geram mais apegos precários e instáveis.

A angústia impensável é mantida à distância por essa função vitalmente importante da mãe ou cuidador, que é sua capacidade de colocar-se no lugar do bebê e saber o que ele necessita (WINNICOTT, 1962).

O bom vínculo mãe-filho fica evidente pela forma que a genitora carrega seu bebê com segurança e prazer, confortando-o, tocando-o, olhando-o na face, sorrindo e falando, aconchegando-o e acariciando-o.

As pessoas que não se desapontaram enquanto bebês, foram cuidadas satisfatoriamente e tiveram um encontro pleno com o cuidador, saem da situação de desamparo solidamente apegadas e adquirem confiança básica em si mesmas e no mundo. Estas tendem a se tornar adultos seguros, espontâneos e prontos para envolverem-se em relações pessoais inteiras e gratificantes, usufruindo de uma existência rica e criativa.

Desencontro: o mal amado – Se o recém-nascido é afetado por traumas de privação afetiva por apegos precários nesta fase de dependência quase absoluta, poderá ter seu desenvolvimento deturpado e seu psiquismo fragilizado ou fraturado, o que poderá levar a quadros psicopatológicos graves, como psicoses, personalidades anti-sociais, narcisistas e somatizadoras. Bebês frustrados pelo cuidador por falhas afetivas sentem diante do desencontro, raiva, desconforto, desespero, pânico e horror ao vazio, chegando a uma angústia que ainda não conseguem processar. Se esta falha não for corrigida, estes bebês sofrem privação afetiva e, ressentidos como resultado do golpe do desamparo, podem apresentar atraso motor, apatia, passividade, inexpressão facial, distúrbios do desenvolvimento cognitivo e emocional, destrutividade, depressão, alta incidência de doenças infecciosas graves e maior risco de mortalidade. Estas crianças podem desenvolver um desprendimento emocional auto-protetor, e como recurso de auto-estimulação podem embalar-se de um lado para o outro, sugar o dedo, e até mesmo bater com a cabeça, ter sono agitado, chorar muito e como adolescentes se tornarem rebeldes. Bebês privados de afeto tendem a se tornar adultos herméticos, inseguros, frios, desconfiados, solitários, com dificuldades de se apegar, de aceitar ajuda dos outros, sujeitos a distúrbios psicossomáticos e à superficialidade. São os “certinhos” aparentemente estáveis profissional e socialmente, mas desinteressados da vida subjetiva, centrando-se nas conquistas materiais e na intelectualização, mas com grandes dificuldades nas relações afetivas e situações que exigem espontaneidade e criatividade.

Os filmes e estudos de René Spitz (1988), revelaram como o cuidado sustentador e afetivo é decisivo para o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual das crianças e as terríveis conseqüências deletérias do cuidado institucional que satisfaz apenas necessidades biológicas e materiais infantis.

Frustração oral não significa forçosamente que a criança não tenha recebido o seio ou que a quantidade de leite não tenha sido suficiente. A mãe pode administrar outro alimento artificial ao bebê e tê-lo em seus braços transmitindo seu amor, se permitir estar bem próximo dele quando necessita, e isto pode significar menor frustração oral do que o seio dado friamente ou contrariando o ritmo e desejo do bebê.

O importante é a qualidade da assistência à criança onde mãe ou cuidador é solícito e oferece não só alimento, mas também conforto, segurança e sabe quando, gradativa e progressivamente, retardar a satisfação das necessidades da criança até que ela perceba que pode viver sem a dependência dos cuidados maternos.

Bowlby (1989), médico psicanalista britânico, pai da etologia humana e da psicologia evolutiva do século XIX, exemplifica com a doença de Darwin as conseqüências da prematura privação materna. Darwin, o maior biólogo de todos os tempos, perdeu a mãe aos oito anos e não lhe foi permitido manifestar a dor de forma que pudesse enfrentar o abandono e o desespero pela perda desta. Não tendo tido figura substituta satisfatória, tornou-se deprimido, inseguro, frio, apático, evitava obrigações sociais, tinha horror ao ócio, era viciado em trabalho e obstinado em fazer ciência. Padecia de dores de cabeça crônicas, síndrome de ansiedade exacerbada, com sensações de desmaios, vertigens, cabeça atordoada, gritos histéricos, pruridos, náuseas, vômitos.

Amor à primeira vista e a doce ilusão de sermos uma pessoa só As defesas imunológicas são transmitidas de mãe para feto através da placenta e, após o nascimento, o bebê as absorve no colostro e leite materno. Qual celular equivalente de uma farmácia, as glândulas mamárias da mãe secretam imunoglobulinas que funcionam como prescrições especializadas (HRDY, 2001).

Daí a importância de manter o bebê cujo sistema imunológico ainda é frágil e sua mãe em contato com sua família. Isto porque tem na sua pele do interior das narinas colonização pelas mesmas linhagens de bactérias de sua mãe, o que reduz a oportunidade para algumas infectarem mais tarde essas áreas e germes intestinais e outros transmitidos pela mãe o leite dela fornece defesas, como se ocorresse a uma transfusão imunológica de mãe para filho.

O tempo que a mãe e filho ficam juntos após o parto estimula o desejo desta de se vincular e o relacionamento emerge; diminuindo a probabilidade de distanciamento ou abandono.

Têm-se acumulado evidências de que no pós-parto imediato as mães e filhos ajustam-se fisiologicamente e emocionalmente, respondendo um ao outro em níveis sensoriais e sociais, que servem para manter o par unido.

EIBL e EIBESFELDT (1989), estudando diferentes culturas, demonstraram os efeitos duradouros da experiência inicial, fase sensível imediatamente após o parto, onde um contato intensificado mãe-filho aumenta a prontidão de aceitação desta mãe, o ajustamento da díade e a prontidão interacional do bebê, o que facilita o desenvolvimento do apego.

Anderson, Moore e Bergman (2003), demonstraram que o contato precoce mãe e filho não só aumenta a chance da ocorrência da prática e duração da amamentação, mas também controla a regulação da temperatura e da taxa de glicose sanguínea do bebê, reduz o do choro deste e melhora os escores e comportamento afetivo materno.

HINDE, ornitólogo (1969), comprovou mudanças fisiológicas mensuráveis em filhotes separados de suas mães em seus padrões de sono e ritmos cardíacos e também elevados níveis de cortisol, com resultado da mobilização de recursos somáticos para enfrentarem os desafios do estresse.

A primeira vez Os níveis de prolactina estão altos, a sujeição emocional começou ajudada e instigada por esse redutor da inibição, indutor da filiação e calmante surto de oxitocina. Ao primeiro grito de fome, a mãe lactante reconhece imediatamente o choro do seu próprio bebê e secreções tépidas gotejam de suas mamas, como se ela fosse algum ornitorrinco que nada mais deseja senão escavar uma toca em algum lugar e deixar seu filhote ficar mamando por quanto tempo lhe aprouver. Cada momento de proximidade reforça a esperança de que haja um seguinte, aumentando a probabilidade de que a mãe permaneça acessível para receber os adoráveis sinais emitidos pelo neonato, assegurando gradualmente o apego da mãe à cada vez mais familiar criatura aninhada contra ela. Saciado, entorpecido pelo calor e uma pitada de oxitocina misturada ao leite da mãe, o bebê aconchega-se, sossegado, ao corpo materno; o confortável relacionamento entre ambos alimenta-se a si mesmo até converter-se em amor.

…se aninha contra o seio de quem cuida dele, senhor de seu império galáctico, e cai serenamente no sono.

Enquanto o bebê mama, o intenso alívio é sentido pela mãe por causa da pressão do leite que se acumula nas glândulas. O bebê, ao mamar na extremidade receptora desse reflexo de descarga, gera sensações agradáveis que tocam as raias do erótico e com ele se combinam (HRDY, 2001).

O leite da mãe não flui como uma excreção; é uma resposta a um estímulo, e este estímulo é a visão, o cheiro e o tato de seu bebê, e o choro do bebê, que expressa necessidade. É tudo uma coisa só: o cuidado que a mãe toma com o bebê, e a alimentação periódica que se desenvolve como se fosse um meio de comunicação entre ambos —- uma canção sem palavras (WINNICOTT, 2006).

Prazer, satisfação e intimidade – No início da vida, são apenas os órgãos sensoriais com receptores sensoriais para os estímulos internos, a criança ainda não tem a percepção à distância, mas por contato oral onde a sensação é principalmente visceral centrada no sistema nervoso autônomo sob a forma de emoções. A boca e região oral servem como mediadores entre os órgãos sensoriais periféricos e vísceras entre o interior e exterior, que têm a função no processo de consumo de alimentação centralizado na sobrevivência, o que determina sentimentos, pensamentos e ações. Boca: órgão da palavra, da alimentação, da expressão, da troca e da relação. Sugar, comer, morder e mamar: prazer e satisfação e a fonte de suprimento é o corpo da mãe. Na amamentação o bebê ingere o alimento que satisfaz e aplaca a fome e a sede como descarga de tensão, isto é a satisfação da mucosa oral com a atividade labial, da língua, palato e espaço laríngo-faríngeo. A boca da criança fica mais ativa e o leite corre de um lado ou de outro. O almofadado dos lábios, nessa época, é muito sensível e ajuda a fornecer um elevado grau de sensação de prazer oral que o bebê nunca mais voltará a ter em sua vida ulterior.

A busca de comunicação do bebê com o cuidador nesta fase é cada vez mais dirigida, o êxito aumenta o prazer do bebê, e repetindo dominará o seu comportamento. O bebê já é um ser humano, embora imaturo e absolutamente dependente, já tem e armazena experiências formando um modelo interno do que procurar e esperar das relações, do mundo e da vida.

Stern, Freud e Erikson (1997), pesquisadores do desenvolvimento infantil, apontam para a importância da oralidade na constituição do psiquismo.

Langer (1981), afirma, baseada nas pesquisas da antropóloga Margaret Mead com as tribos Arapesh e Mundugumor, que parece haver uma relação direta entre o apego à vida e as primeiras experiências orais. Entre os Arapesh, que proporcionam infância feliz e uma alimentação generosa, como e quando as crianças querem, o índice de suicídio é desconhecido. Contudo, é alto o índice de suicídios entre os Mundugumor cujas mulheres aleitam o menor tempo possível e a amamentação é realizada pela mãe mal-humorada com brutalidade e impaciência, só amamentando um mínimo tempo só para o bebê parar de chorar, enquanto ele se engasga na pressa de obter o máximo de leite no mínimo tempo possível.

A saciedade da fome, acompanhada da satisfação oral, olhar a mãe, ouvir sua voz e seu calor, ser segurado, aconchegado em seus braços, o contato pele a pele, seu cheiro e perceber que seus sinais, choro, expressões faciais e balbucios, são progressivamente compreendidos por sua mãe. Essas experiências repetidas vão favorecendo o estabelecimento, no psiquismo da criança, da percepção de si próprio como um ser querido por seus cuidadores, o que lhe permite sentir-se confiante e, em conseqüência, iniciar o estabelecimento de uma identidade própria.

Mas, se os cuidados básicos iniciais dispensados a um bebê não forem afetuosos e sustentadores, há o risco de não se desenvolverem cidadãos sadios psiquicamente, mesmo amamentados ao seio.

O primeiro Gole – A alimentação é a principal oportunidade de socialização da criança e afeta as interações entre todos os membros da família. A amamentação como primeiro ato relacional do ser humano, que o une profundamente à sua mãe e, indiretamente ao pai, é um fenômeno biopsicossocial afetado por múltiplos fatores, que formam uma complexa rede de determinantes e significados.

A maneira como adulto e bebê chegam a um acordo na situação alimentar, constitui não só a maior representação da forma deste de cuidar da criança, como também a edificação das bases de um relacionamento humano. Ocorre a excitação da expectativa, a experiência da atividade durante a amamentação e também a sensação de gratificação como repouso ou calmia da tensão instintiva resultante da satisfação. Conflitos cuidador-criança relacionados à alimentação podem gerar as primeiras duradouras perturbações alimentares como inapetências, caprichos alimentares, anorexias, voracidades, rituais alimentares, aversões, bulimias, toxicomanias, etc.

Quando o leite chega ao estômago conserva uma determinada tensão no seu interior, sem deixar de conservar sua forma e posição se não for perturbado por excitação, tensão, medo ou angústia.

O que importa é que toda personalidade do bebê em formação está envolvida no processo da alimentação. Psicologicamente o que conta é se a criança foi alimentada pelo relógio ou pelo próprio desejo, se suas flutuações normais de apetite são aceitas, atitudes de ansiedade da mãe em relação à amamentação, se a criança foi satisfeita de acordo com as suas necessidades ou passou por períodos de fome, espera excessiva das refeições, se a alimentação foi racionada ou forçada, se foi superalimentada, se pode comer com a própria mão ou sob rituais obsessivos de higiene, etc. Algumas mães gabam-se de alimentar abundantemente seu bebê e a alimentação é dada ao menor grito de fome, onde qualquer desgosto, vazio da espera, da separação ou da falta será apagado com alimentação, sem poder distinguir diferentes estados interiores. Futuramente o apetite destas crianças poderá ser envolvido na defesa contra a ansiedade e depressão.

Os afetos, sentimentos, ações conscientes e inconscientes do adulto no ato de cuidar é que marcarão psicologicamente a criança: permissividade, rejeição, hostilidade, intrusão, segurança, ansiedade, indiferença, missão, descontinuidade, superproteção, prazer, amor, etc. Em casos onde a mãe se ausenta, não está disponível, ou rejeita o bebê o vínculo mãe e filho pode ser perturbado ou rompido, o que pode ser prejudicial ao desenvolvimento da criança se ela não encontrar uma figura substituta que a materne.

Pessoas apressadas, tensas e obcecadas com detalhes técnicos de higiene geralmente “empanturram” o bebê de comida ou dão-lhe de mamar até ter cólicas, e filhos de mães intrusivas tendem a ter refluxo gastro-esofágico. Nutrizes deprimidas e com baixa auto-estima têm dificuldades para amamentar alegando que têm “leite fraco” ou “pouco leite”, estas precisam de escuta e apoio do profissional de saúde para prosseguirem na amamentação. Insatisfações na vida conjugal podem fazer com que os pais precisem prolongar a dependência do filho e não enxerguem as reais necessidades deste.

A satisfação da mãe em usar o próprio corpo está ligada às próprias experiências enquanto bebê. “O amor da mãe pela criança é a reprodução de sua relação como filha de seus pais”.

Nutrizes extremamente ansiosas e angustiadas, com a substituição do seio por outro alimento podem se sentir aliviadas enquanto outras o desmame pode constituir um motivo para se deprimirem.

Mãe de bebês prematuros, doentes ou malformados e mães deprimidas precisam de um apoio familiar e da equipe de saúde, um ambiente continente que compreenda e sustente suas vivências.

Com o desmame, processo fisiológico e psicológico, a criança terá maior necessidade da mãe fora dos horários de refeições para alimentação afetiva sensorial, com pequenas trocas de brincadeiras, de carícias, de sorrisos, de palavras e gestos.

Lembro-me perfeitamente quando, em criança, permitiam-me comer tantas framboesas com creme quanto eu pudesse. Era uma experiência maravilhosa. Agora tenho mais prazer com essa lembrança do que tenho quando como framboesas. (WINNICOTT, 1964).

Amor interesseiro: amor de tigela – O bebê começa a aprender com o cuidado sustentador da mãe que amor e ódio podem coexistir na mesma pessoa. A mãe provedora acolhe e sustenta sem retaliação a raiva e agressividade da criança diante da falta, o que lhe permite sentir culpa, preocupação, tristeza, e chegar ao desejo de corrigir, construir e dar.

Eu a amo por ter sobrevivido à minha tentativa de destruí-la (WINNICOTT, 1968).

Segundo o autor, o amor do bebê pela mãe é um “amor de tigela” (cupboard love), ou seja, um “amor interesseiro”, de modo que ao conseguir o que quer ele a joga fora como uma casca de laranja.

Desiludido, mas descobrindo que posso viver sem você: pois somos dois – Inicialmente alguém tem que estar lá, mãe ou cuidador, no momento propício, favorecendo a onipotência infantil e suprindo de forma imediata, consistente e contínua as necessidades da criança. Gradativamente a criança terá que aprender a tolerar o retardo de suas satisfações com raiva, mas sem se desesperar se tornando um indivíduo realista e criativo rumo à autonomia. O bebê através da frustração descobre que não tem o controle mágico do mundo, mas que é uma partícula deste mundo que já existia antes dele.

A criança que recebeu o cuidado amoroso protetor estará apta a aperfeiçoar suas potencialidades primitivas de crescer, integrar-se, adaptar-se às exigências do ambiente, desenvolver outras relações interpessoais, habilidades sociais, de convivência e aceitação do outro e de preservar a vida.

Querer e não-querer: tudo é encantador, mas assustador! – Sabemos que por mais que o casal deseje o filho, os primeiros contatos mãe e bebê são marcados por sentimentos ambivalentes, como afeição, dúvida, medo, angústia, sujeição e alegria, sentimentos estes que precisam ser encarados e elaborados. É sabido que o amor materno e o desejo de cuidar de filhos não são instintivos na mulher, geneticamente determinados ou ambientalmente produzidos, mas precisam ser construídos com a convivência, instigados e mantidos. A mulher após o parto, ao mesmo tempo em que nutre um querer pelo filho, exausta teme ficar “presa” pelas fatigantes tarefas da maternidade e cobranças sociais de ter de ser uma “mãe perfeita” e “padecer no paraíso’’. Neste período, além de desequilíbrio hormonal e emocional do puerpério a mulher sofre influências de questões sociais como desamparo, pobreza, abandono, questões afetivas com o companheiro ou com a própria mãe e questões orgânicas, etc.

Quando o cuidado é compartilhado com o pai o bebê se enriquecerá do real, a mãe se sentirá menos sobrecarregada, e o pai menos isolado, deprimido e excluído, podendo usufruir dos prazeres da paternidade.

As crianças mais velhas, ao terem um irmãozinho, quanto mais ousarem demonstrar suas ambivalências e tiverem seus sentimentos hostis compreendidos, maior a esperança de serem capazes de controlar estes sentimentos ao lado do amor e da alegria que sentem pelo novo irmão (PINCUS & DARE, 1987).

Quem ama cuida com prazer – Todos os autores insistem que o ser humano nasce predisposto e equipado para se apegar a uma figura de confiança que se disponha a se relacionar com ele de forma adequada, protetora, sustentadora e contínua, a base para a saúde psíquica. Afirmam também que a satisfação fisiológica é que produz emocionalmente a necessidade do outro, o que suscita o sentimento de ser amado.

Para Winnicott, pediatra e psiquiatra infantil (1982), no início da vida os bebês não podem existir sozinhos, mas precisam que um ser humano confiável se dê o trabalho de trazer o tempo todo o mundo até ele, pedacinho por pedacinho, de forma compreensiva e limitada, adequada às necessidades deste.

A mãe é a candidata mais provável a cuidar e desenvolver o apego, mas outros cuidadores como pais, avós, babás, educadores de creches, pais adotivos poderão fazê-lo, desde que emocionalmente receptivos e comprometidos.

A mãe é o melhor especialista para o seu bebê porque consegue fazer delicados ajustes que outras pessoas julgariam inúteis, e cujas razões seriam incapazes de explicar. Ela apresenta o mundo a seu bebê em pequenas doses, não porque seja especialmente dotada como os filósofos precisam ser, mas simplesmente, por causa da dedicação que sente pelo próprio filhinho (WINNICOTT, 1982).

Psiu! Não perturbe! – Os profissionais de saúde podem ser especialistas em suas funções, mas nenhum é melhor que a mãe no conhecimento das crianças como seres humanos, acabados de serem lançados na imensa tarefa de se tornarem eles próprios. Pequenas condutas do profissional de saúde ou familiar no pós-parto podem favorecer o distanciamento ou a aproximação mãe-filho.

Quando a mãe não tem apoio social adequado a amamentação pode constituir-se não um facilitador, mas um fator adicional de estresse para a mãe (COOPER, MURRAY, STEIN, 1993).

As primeiras relações do profissional de saúde com o cuidador precisam ocorrer sem interposições ou imposições de regras rígidas de alimentação e higiene, respeitando até mesmo o desejo da mãe de não amamentar. Atitudes dos profissionais de saúde ansiosos durante as primeiras mamadas, como empurrar o mamilo na boca do bebê para ativar o reflexo de busca podem significar mau trato, intrusão e violação. É preciso evitar interferências na dupla amamentante, e dar tempo ao bebê, livre de embrulhos e excesso de roupas, para buscar, fazer procura, explorar a mama com as mãos e a boca, até abocanhar o mamilo.

No ato de amamentar como momento privilegiado e de profunda intimidade e comunicação mãe e filho, com o toque, o aconchego e a fala, a mãe transmite ao bebê conteúdos psíquicos transgeracionais e culturais. Ou seja, a mãe não fornece apenas o leite, mas realiza todo o investimento afetivo que dá sentido à existência da criança. Assim, dar o seio vem, antes de tudo, de um desejo de amamentar, portanto, a imposição em fazê-lo não garante o investimento materno. É preciso escutar o desejo ou não da mãe e da família de amamentar, sua história, seu entorno sócio-econômico-cultural, seus sentimentos, fantasias e desejos conscientes e inconscientes de cuidar do filho, valores e desejos do profissional de saúde, da família e do grupo social.

Muitas vezes a dificuldade de amamentar pode estar denunciando a impossibilidade da mãe de se doar àquela criança. É ilusão um especialista pensar que apenas informações sobre vantagens do aleitamento materno e técnicas de amamentação ou discursos moralizantes podem convencer uma mãe a amamentar!

“Mamãezar” não é apenas amar, mas fazer a criança se sentir amada – Atualmente em nossa sociedade, principalmente nos centros urbanos, a criança não habita apenas a casa, mas cada vez mais compartilha um número maior de contextos de interação como creches, berçários, hoteizinhos, abrigos ou casas de adoção. O que é preocupante é que geralmente as instituições estão mais atentas apenas às necessidades nutritivas e de higiene, os contatos cuidador-bebê são impessoais devido ao grande número de crianças e à rotatividade de pessoal, não havendo tempo para contatos individuais e longas seqüências de interação. Os cuidadores estão sobrecarregados, exaustos, sem motivação para trabalhar e descomprometidos com os sentimentos e necessidades psicológicas da criança, o que pode levar a graves transtornos em seu desenvolvimento psicofísico. O que pode ser maléfico psicologicamente não é o fato de a criança ser entregue aos cuidados de outrem, mas o cuidador não conseguir “mamãezar”, convencê-la de que é querida e de que não será abandonada, o que não está escrito em manuais ou regulamentos.

Hoje, nas tramas do capitalismo, nas famílias “sem-paradas”, temos pais emocionalmente desamparados, extremamente ansiosos e sobrecarregados que correm atrás do desgraçado do dinheiro e do reconhecimento, sem tempo e disponibilidade para convivência descontraída e interação afetiva e educativa com os filhos.

É muito triste de se constatar que “os pais tendem a incentivar a auto-satisfação dos filhos, substituição abusiva por objetos materiais, ursinhos que substituem os pais, carrinhos em vez de braços, grades em vez de dormir juntos, chupetas em vez de atenção, caixa de música no lugar de vozes, leite em pó em vez de leite materno, cadeira de balanço em lugar de colo”.

CONCLUSÃO: A amamentação deve ser promovida pelo sistema de saúde como ação prioritária na prevenção de problemas e na melhoria da saúde física e mental da criança e suas famílias. Além de prover proteção biológica do bebê é produto e também promotora da interação que estabelece a maior intimidade possível entre dois seres humano. Através disso constroem-se os alicerces para o futuro da relação mãe e filho e para outras relações interpessoais da criança (FALCETO, 2006).

No desamparo atual em que as pessoas vivem, acredito que a criança só poderá se inscrever no mundo adulto com uma história amorosa se os pais forem embalados em sustentadoras redes tecidas de assistência integral, acolhimento e afeto.

AGRADECIMENTOS: Agradeço ao Tadeu, digitador e amoroso companheiro de vida. Também aos Estudantes, Gestantes, Nutrizes e Pais que me convocaram ao exercício de cuidar, nestes 26 anos de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Autor: Ângela Maria Amâncio de Ávila
Data: 23/4/2008

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