Dentada de dragão do Komodo mais fraca que de gato

O maior lagarto vivo, o temido dragão do Komodo, tem uma dentada mais fraca que a de um gato doméstico, revelaram os investigadores.

Ainda que se saiba que são capazes de matar presas muito maiores que eles próprios, os dragões do Komodo dependem dos seus dentes afiados como facas, poderosos músculos do pescoço e uma estrutura do crânio que lhes permite subjugar as presas, revela o novo estudo.

Usando modelos de computador, investigadores da Universidade da Nova Gales do Sul na Austrália, analisaram um exemplar de dragão do Museu Australiano em Sydney. Medindo as forças e a composição do crânio do lagarto, os investigadores descobriram que a sua mandíbula não está concebida para esmagar.

“A dentada é incrivelmente fraca para um lagarto deste tamanho, menos do que se esperaria de um vulgar gato doméstico”, diz Stephen Wroe, um dos autores do estudo publicado na revista Journal of Anatomy.

Se um Komodo tentasse esmagar a presa entre as mandíbulas, como fazem os crocodilos, “partia o próprio crânio”.

O dragão de Komodo, um tipo de lagarto monitor, pode crescer até aos 3 metros de comprimento e é nativo das ilhas indonésias de Komodo e Flores. Classificado como espécie vulnerável pela World Conservation Union, permanecem no estado selvagem entre 4 e 5 mil lagartos.

Apesar da sua dentada infeliz, dizem os investigadores, o Komodo tem outras características físicas que lhe permitem, ainda assim, ser um predador muito capaz.

“O que é realmente interessante é que tem um crânio muito leve e uma mandíbula fraca mas tem uma forma óptima no arranjo e no material”, diz Wroe. Comparando o crânio do lagarto à estrutura de uma ponte, Wroe diz que a sua estrutura usa o mínimo de material para resistir a forças.

O modelo de computador mostrou que a densidade do crânio varia. Algumas secções são de osso esponjoso, o que lhes dá uma elasticidade que lhes permite (como as cobras) abrir mais a boca. Também fornece apoio para os dentes aguçados e serrilhados.

“Este sistema parece perfeitamente adaptado a morder e puxar, coisa que exige menos força do que se apenas mordesse mas não puxasse”, diz Wroe. Manobrando os dentes afiados, crânio fraco e fortes músculos do pescoço de forma concertada, o Komodo “usa a cabeça como um abre-latas”. “Abre enormes feridas traumáticas e a presa morre de perda de sangue.”

É este método preciso de matar, conhecido por alimentação por inércia, que permite aos lagartos abater presas de grande dimensão, incluindo porcos selvagens, veados e búfalos. “É uma forma mais eficiente de matar animais grandes que a de um felino”, diz Wroe.

As descobertas confirmam o que os zoólogos já sabem sobre o comportamento do Komodo, diz Peter Harlow, especialista em répteis do jardim zoológico de Taronga em Sydney.

“Podemos usar a mesma tecnologia em animais que já não existem”, diz a principal autora do estudo, Karen Moreno, também da Universidade da Nova Gales do Sul. Os investigadores estão agora a trabalhar na análise da dentada do ancestrais do Komodo: dinossauros como o Allosaurus e o Giganotosaurus.

Fonte: Simbiotica

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