Os adultos integram com facilidade visão, som, cheiro, gosto e toque na sua vida do dia a dia mas investigação recente revelou que com as crianças não se passa o mesmo.

Dois novos estudos indicam que as crianças com menos de oito anos apenas utilizam um sentido de cada vez para avaliar o mundo à sua volta.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os adultos podem combinar facilmente, e escalonar por grau de importância, o valor da informação que recolhem através dos sentidos. Por exemplo, um homem a olhar para um tocador de flauta numa sala cheia pode utilizar a visão e a audição para se aperceber do que se passa mas depende mais da visão numa sala cheia de barulho de fundo.

David Burr, da Universidade de Florença, e Marko Nardini, do Birkbeck College da Universidade de Londres, lideraram duas equipas de investigadores para explorar a capacidade das crianças relativamente a esta situação.

O grupo de Burr pediu a crianças entre os cinco e os dez anos de idade e a a adultos para determinarem qual de dois blocos era mais alto. Enquanto tomavam as suas decisões, os dois grupos podiam tocar ou olhar para os blocos ou ambos. A equipa relata que os adultos e as crianças com mais de oito anos desempenhavam melhor esta tarefa quando podiam usar ambos os sentidos. A sua capacidade decaía quando apenas usavam um deles.

Já as crianças com menos de oito anos não mostravam esta diferença. O seu desempenho era praticamente igual tivessem a visão, o toque ou ambos para trabalhar.

“Há muito que sabemos que com a passagem da infância para a idade adulta os sentidos melhoram individualmente em rigor mas agora parece que aprender a integrar os sentidos é tão importante como melhorá-los individualmente”, diz Nardini, autor do segundo estudo.

Nardini e os seus colegas deram a 28 crianças com idades entre os quatro e os oito anos a tarefa de devolver um objecto ao seu local original numa arena. A arena estava completamente às escuras, excepto três marcadores florescentes na orla, em forma de lua, relâmpago e estrela.

As crianças tinham que jogar um jogo: tinham que apanhar um foguetão de brinquedo e andar pela sala para o abastecer de combustível a brincar, recolher um extraterrestre de brinquedo como passageiro e fazer uma contagem decrescente para a partida. No fim tinham que devolver o foguetão ao local onde o tinham encontrado. Toda a experiência foi repetida com 17 adultos a quem deram as mesmas instruções.

Os adultos trouxeram o foguetão de volta ao local de origem com uma margem de cerca de 26 centímetros, enquanto as crianças tinham menos de metade desse rigor. Mas as coisas tornaram-se mais interessantes quando houve acções para confundir os sentidos dos participantes.

Num caso, os investigadores desligaram as luzes marcadoras, forçando os participantes a depender apenas do seu sentido de orientação interno no escuro. Noutro caso, os participantes foram colocados numa cadeira rotativa (descrita como uma ‘cápsula espacial’) antes de puderem devolver o foguetão, forçando-os a depender exclusivamente dos marcos visuais.

Os adultos portaram-se pior em ambos os casos, ficando reduzidos a praticamente a mesma capacidade que as crianças mas as crianças não mostraram qualquer redução na sua capacidade quando lhes eram negados os pontos de referência ou o sentido de orientação. Ter um ou outro era tão eficaz como ter ambos.

“Esta é uma forma nova e muito inteligente de explorar a capacidade das crianças para integrar informação”, diz a psicóloga do desenvolvimento cognitivo Virginia Slaughter, da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália. Os resultados sugerem que as crianças não integram mas alternam entre as fontes de informação, diz ela.

Os resultados podem ajudar a explicar algumas situações vulgares na infância. “As crianças perdem-se muito facilmente”, salienta Nardini. “Podem existir muitas razões para isso mas uma delas pode muito bem ser esta incapacidade de integrar a informação.”

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

Provada ligação entre sentidos e memória

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