Ministro alemão do Ambiente mostra preocupação com desflorestamento em visita ao Brasil

Lígia Formenti escreve para “O Estado de SP”:

O
ministro do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da
Alemanha, Sigmar Gabriel, afirmou ontem (28/4), no primeiro dia de sua
viagem oficial ao Brasil, ser ‘uma missão enorme’ para o governo
brasileiro tentar deter o desmatamento diante da alta de preços de
ração animal.

Até sexta-feira (2/5), quando termina sua
missão, o ministro deverá cumprir uma agenda com três pontos básicos:
desmatamento, biocombustíveis e preparativos para 9ª Conferência das
Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-9),
marcada para maio, em Bonn.

Gabriel deverá fazer uma visita ao
Pará, onde poderá ter contato direto com uma amostra do desmatamento no
País. Ele não quis fazer comentários sobre a retomada do ritmo de
derrubada das florestas no Brasil – disse que, em seu primeiro dia de
viagem, seria precipitado fazer avaliações. Mas mostrou preocupação em
relação à pressão sobre as florestas, que, em sua avaliação, está
intimamente ligada ao aumento de preços dos produtos agrícolas usados
para ração animal.

Na manhã de ontem, Gabriel encontrou-se com a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ao colega, Marina mostrou
números de operações para conter o desmatamento, de prisões feitas e
processos abertos. A Alemanha assume a presidência da COP-9 em maio, no
lugar do Brasil, que desde 2006 exerce o posto.

Incentivo econômico

No
encontro com Marina, Gabriel pediu apoio para acelerar as negociações
em torno do regime internacional sobre acesso e repartição de
benefícios (ABS), um mecanismo para incentivar países a proteger seus
recursos genéticos. ‘Só no momento em que países de beneficiarem
economicamente do uso desses recursos é que terão incentivo para
preservá-los. É a forma mais eficaz de se garantir proteção’, afirmou
Gabriel.

Na avaliação de Marina, esse recurso seria essencial
para conter o desmatamento. Novamente, ela defendeu a criação de um
fundo voluntário de incentivo para países que reduzirem suas emissões
de CO2. ‘É tão difícil para países ricos mudarem sua matriz energética
para fontes renováveis quanto para países em desenvolvimento mudar sua
forma de produção’, justificou.

A Alemanha é o segundo maior
doador para projetos na área ambiental. No Programa-Piloto para a
Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), que financia
projetos na Amazônia e na mata atlântica, nos últimos doze anos, a
Alemanha é a principal doadora.

O secretário-executivo do
Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que, desde
1995, o Brasil recebeu US$ 280 milhões no âmbito do PPG7.
(O Estado de SP, 29/4)

Fonte: Jornal da ciência
29 de Abril de 2008

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