Relator da ONU pede suspensão de investimentos em biocombustíveis




Plantação de cana-de-açúcar no Brasil

Críticos dizem que biocombustíveis competem com alimentos
O novo relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, pediu a suspensão imediata dos investimentos
em biocombustíveis.

Em uma entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal francês Le Monde, De Schutter disse que a busca cega por biocombustíveis está contribuindo para uma crise mundial dos alimentos que ameaça
100 milhões de pessoas nos países mais pobres do mundo.

“As
metas ambiciosas para a produção de biocombustíveis estabelecidas pelos
Estados Unidos e pela União Européia são irresponsáveis”, disse De
Schutter.

“Estou pedindo o congelamento de todos os investimentos nesse setor.”

De
Schutter disse que a atual crise dos alimentos é “uma grande violação
dos direitos básicos” e pediu a realização de uma sessão especial do
Conselho de Direitos Humanos da ONU para debater o combate ao aumento
dos preços internacionais e a escassez de alimentos.

O relator
disse também que é preciso reprimir a ação de especuladores que,
segundo ele, aumenta ainda mais o preço de commodities como trigo e
arroz.

Distúrbios

Segundo
a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, apesar das críticas,
De Schutter não foi tão longe quanto seu antecessor, Jean Ziegler, que
condenou os biocombustíveis como um “crime contra a humanidade” e
defendeu uma moratória imediata na produção.

Os
biocombustíveis, como o etanol (que é o destaque da política externa do
governo brasileiro), são promovidos como uma alternativa ecologicamente
correta aos combustíveis fósseis no combate ao aquecimento global e
como uma opção econômica para países pobres da África e América
Central.

No entanto,
o uso de biocombustíveis como alternativa energética enfrenta crescente
resistência no exterior e o tema vem provocando polêmica. Um dos
argumentos dos opositores é que a produção de biocombustíveis tende
competir com a de alimentos.

Nos últimos meses, a alta mundial dos preços dos alimentos provocou revoltas populares em diversos países, incluindo a queda
do primeiro-ministro do Haiti, Jacques Edouard Alexis, no mês passado.

De Schutter disse ser imperdoável que a comunidade internacional não tenha prevenido os distúrbios provocados pelo aumento
nos preços dos alimentos.

“Nada foi feito para impedir a especulação de matérias-primas, apesar de ser previsível que os investidores iriam se voltar
para esses mercados”, disse De Schutter.

“Nós estamos pagando por 20 anos de erros.”

Fonte: BBC Brasil

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