Perda de mangais deixou antiga Birmânia exposta

O secretário-geral da ASEAN Surin Pitsuwan referiu que os empreendimentos costeiros na zona atingida pelo furacão do fim de semana levaram à perda das defesas naturais contra estas tempestades, os mangais.

Pelo menos 22 mil pessoas morreram desta vez mas já em 2004, após o tsunami, um estudo tinha revelado que as zonas com mangais saudáveis tinham sofrido menos danos e menos pessoas tinham morrido.

Surin, falando num encontro ao mais alto nível da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em Singapura, disse que a combinação de mais pessoas a viver nas zonas costeiras associada à perda de mangais tinha exacerbado a tragédia.

“O estabelecimento em zonas de mangal, que servia de tampão contra as subidas de maré causadas pelas grandes ondas e pelas tempestades e as áreas residenciais, provocou a destruição de todas essas terras. O Homem é agora vítima dessas forças naturais.”

Estes comentários surgem após o ministro da Birmânia Maung Maung Swe ter anunciado que mais mortes foram causadas pela subida da maré devida à tempestade, que atingiu 3,5 metros, que pelos ventos que atingiram 190 km/h.

Há muito que os mangais são considerados guardas biológicos das zonas costeiras. Um estudo publicado em Dezembro de 2005 referiu que as florestas de mangal saudáveis ajudaram a salvar os aldeões do Sri Lanka durante o tsunami de 2004, que matou mais de 200 mil pessoas.

Investigadores da IUCN, antes conhecida por World Conservation Union, compararam a mortalidade de duas aldeias no Sri Lanka que foram atingidas pelas ondas gigantes.

Enquanto apenas duas pessoas morreram na aldeia com floresta de mangal densa, mais de 6 mil perderam a vida na aldeia vizinha que já tinha perdido essa vegetação.

“Os mangais são um tipo de floresta muito densa, que cresce ao longo da costa”, explicou Jeffrey McNeely, cientistas chefe da IUCN. “Onde a água salgada e doce se encontram é onde o mangal cresce, estendendo-se muitas vezes alguns quilómetros para o interior. Especialmente nos deltas dos rios, os mangais impedem que as ondas danifiquem terras mais produtivas para o interior.”

Uma avaliação recente a nível global revelou que 3,6 milhões de hectares de mangal já desapareceram, desde 1980. O estudo, levado a cabo pela Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) revelou que a Ásia foi a zona que mais perdas teve, com 1,9 milhões de hectares destruídos, principalmente devido a alterações na utilização da terra.

Descobriu-se que a conversão em larga escala dos mangais em criações de camarão e peixe estava entre as principais forças destrutivas mas outras incluem o turismo e o aumento da população costeira.

Mette Wilkie, cientista da FAO, revelou que os mangais da Birmânia sofreram em resultado da sobreexploração. “Poucas zonas restam intocadas na zona de Irrawaddy”, diz ela, referindo-se à zona onde o ciclone Nagris atingiu terra pela primeira vez.

“Existem alguns esforços para reabilitar e replantar mangais mas as perdas são muito substanciais. Durante a década de 90 perderam-se cerca de 2 mil hectares por ano, o que corresponde a 0,3% do total, mas a maioria das zonas costeiras estão degradadas, mesmo as que não foram totalmente destruídas.”

Mas o panorama parece estar a melhorar. O relatório da FAO revelou que a taxa de destruição anual abrandou de 187 mil hectares na década de 80 para 102 mil hectares no início do século XX.

O papel dos mangais na redução da devastação causada por episódios de clima extremo foi uma das razões porque o Bangladesh decidiu proteger um dos maiores exemplos deste habitat costeiro. As Sundarbans, localizadas no delta do Ganges e do Bramaputra, contêm 100 mil hectares de mangal.

“Isto aconteceu porque o Bangladesh foi realmente devastado por um ciclone que matou cerca de 300 mil pessoas há algumas décadas”, diz McNeely. “E eles perceberam que se não tivessem o efeito tampão do mangal, outra tempestade na baía de Bengala causaria ainda mais estragos pois a população aumentou muito desde então.”

Fonte: Simbiotica

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