Microondas matam clandestinos do balastro

Investigadores americanos dizem ter desenvolvido uma forma eficaz de matar as plantas e animais indesejados que andam à boleia da água de balastro dos cargueiros comerciais.

Testes mostraram que um sistema contínuo de microondas foi capaz de remover toda a vida marinha presente nos tanques de água dos navios.

As Nações Unidas consideram as espécies invasoras dispersas pelas descargas de água de balastro uma das quatro principais ameaças aos ecossistemas marinhos a nível mundial.

A descoberta irá ser publicada na próxima edição da revista Environmental Science and Technology.

O comércio marítimo desloca mais de 80% dos produtos a nível mundial e transfere mais de cinco mil milhões de toneladas de água de balastro internacionalmente e por ano, revela dados recolhidos pelas Nações Unidas.

Os navios, especialmente os grandes cargueiros, precisam de tanques de balastro para fornecer estabilidade na água e para corrigir qualquer alteração na massa do navio.

Quando a carga de um navio é descarregada (1), o navio enche os tanques de balastro com água e quando volta a ser carregado (3), frequentemente do outro lado do mundo, a água é deitada fora.

BBC)

O co-autor do artigo, Dorin Boldor, do centro agrícola da Universidade Estatal da Louisiana, refere que a equipa criou o dispositivo de microondas para ser encaixado na válvula de saída dos tanques de balastro.

“A ideia base é bombear a água de balastro através de uma cavidade com microondas, tal como um forno de microondas doméstico. A potência é muito superior e utiliza outra frequência mas cria um campo eléctrico de alta intensidade no centro da cavidade que oscila rapidamente.”

“As moléculas de água vão começar a girar rapidamente, criando fricção que gera calor. Mas gera calor em todo o volume ao mesmo tempo, ao contrário do que aconteceria se tivéssemos que utilizar outro mecanismo gerador de calor e conduzi-lo através do líquido.”

Isto significa que os investigadores têm um alto grau de confiança de que o sistema trata toda a água de forma a remover todos os organismos indesejados. “É extremamente rápido e muito eficiente na transferência de energia das microondas para calor.”

Desde há milhares de anos que as espécies marinhas têm sido dispersas através dos oceanos por meios naturais, como as correntes ou flutuando em detritos como troncos.

Mas barreiras naturais, como as diferenças de temperatura e as massas continentais, limitaram o alcance desta dispersão em algumas espécies e permitiram que diferentes ecossistemas marinhos se formassem.

Desde o surgimento da frota de cargueiros moderna, e com o aumento do comércio entre nações, estas barreiras naturais foram ultrapassadas, permitindo que espécies não nativas fossem introduzidas, desequilibrando o funcionamento dos ecossistemas.

O Programa, liderado pelas Nações Unidas, de Gestão Global de Águas de Balastro (GloBallast) estima que pelo menos 7 mil espécies podem ser transportadas através do globo nos tanques de um cargueiro.

É verdade que muitas destas plantas e animais não sobrevivem à viagem mas algumas consideram o novo ambiente suficientemente favorável para estabelecer uma população reprodutora e começar a competir com as espécies nativas.

Por exemplo, refere a GloBallast, o mexilhão-zebra europeu Dreissena polymorpha já infestou mais de 40% das águas continentais americanas. Entre 1989 e 2000, gastou-se $1bilião no controlo da propagação desta praga.

A chegada de uma alforreca invasora Mnemiopsis leidyi levou a alteração de regime ecológico radical no Mar Negro, o que contribuiu para o colapso da pesca comercial na região.

A dada altura, esta alforreca era responsável por 90% da biomassa total do Mar Negro. O seu apetite pelo plâncton nativo significou que as restantes espécies de peixe não eram capazes de competir e restabelecer populações viáveis.

Em Fevereiro de 2004, a comunidade internacional de comércio marítimo concordou em estabelecer medidas mais rigorosas para impedir que as descargas de água de balastro libertasse espécies potencialmente invasoras.

A Convenção Internacional para o Controlo e Gestão da Água de Balastro e Sedimentos do Navios exige que todos os navios com mais de 400 toneladas instalem sistemas de tratamento de água de balastro.

O desenvolvimento agora apresentado por esta equipa de investigadores parece ideal para os operadores comerciais cumprirem as suas obrigações de acordo com esta legislação, explica Boldor.

“Deve funcionar muito bem instalado nos próprios navios cargueiros de grande dimensão mas quando se trata de embarcações menores, deve ser mais eficaz a nível de custos ter um sistema de barcaças nos portos. A barcaça abordava o navio, retirava e tratava a água de balastro enquanto aguardavam para acostar.”

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

GloBallast

Environmental Science and Technology journal

Protecção dos ecossistemas depende do controlo de clandestinos

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