O controlo dos fogos florestais conduz a mais carbono no ar, revela uma nova pesquisa realizada nas florestas californianas. A descoberta sugere que florestas poupadas ao fogo podem libertar mais quantidade deste gás de efeito de estufa do que absorvem.

Décadas de supressão dos fogos naturais aumentou o número de árvores sobreviventes nas florestas californianas mas este crescimento foi à custa das árvores maiores, que são menos resistentes à seca a outros stresses ambientais que as árvores jovens e mais pequenas, o que resulta num declínio da quantidade total de carbono armazenado nestas florestas.

Entre a década de 30 e 90 do século passado, as florestas cada vez mais cerradas tiveram uma tal queda em biomassa que agora armazenam menos de um terço do que antes faziam, relatam Aaron Fellows e Michael Goulden, ambos da Universidade da Califórnia, Irvine. Os seus resultados serão publicados na revista Geophysical Research Letters.

A descoberta vai exactamente ao contrário das expectativas. Pensava-se que mais árvores significava mais carbono a ser retirado da atmosfera. “Se suprimirmos os fogos e muitas pequenas árvores se desenvolverem, devíamos armazenar mais carbono”, diz o ecologista Richard Houghton, do Woods Hole Research Center de Falmouth, Massachusetts.

Este cerrar da floresta era considerada uma razão para os investigadores do clima observarem mais absorção de dióxido de carbono nas latitudes médias do hemisfério norte do que conseguiam explicar. Mas o facto de serem mais cerradas parece tornar as florestas californianas emissoras de carbono ao reduzir-se o total de biomassa.

Extensos dados históricos sobre a densidade de árvores são relativamente raros mas Goulden e Fellows encontraram um inventário das florestas californianas compilado na década de 30. Compararam os dados com censos florestais realizados na década de 90 em zonas semelhantes.

No total, o número de árvores tinha aumentado, com as florestas de coníferas de altitude média a mostrar o maior crescimento. Durante o intervalo de 60 anos, a densidade dessas árvores aumentou 34% mas a quantidade total de vegetação arbórea, e logo a quantidade de carbono aprisionado, na realidade diminuiu 26%.

“A razão para isto é que as árvores não são todas iguais”, diz Goulden. “Por cada grande árvore que perdemos, precisamos de 50 árvores pequenas para absorver a mesma quantidade de carbono.”

Em caso de seca, as árvores pequenas limpam rapidamente a água, deixando as maiores vulneráveis. Os autores colocam a hipótese de esta competição ser a razão para o declínio das grandes árvores.

Antes da intervenção humana, os fogos florestais na Califórnia queimavam principalmente junto ao solo e tinham maior probabilidade de queimar as árvores jovens e a vegetação rasteira, reduzindo os andares inferiores da floresta. As árvores maduras e de grande dimensão eram resistentes a estes fogos.

Da década de 30 à década de 90, as florestas californianas analisadas libertaram o que se estima terem sido 0,7 toneladas de carbono por hectare e por ano. Um hectare de floresta saudável e em crescimento absorve duas ou três toneladas de carbono por ano, diz Goulden.

A média de carbono emitido pelas florestas é pequena quando comparada com as 1,6 milhões de toneladas de carbono libertadas pela queima de combustíveis fósseis nos Estados Unidos só em 2003. O solo e os oceanos absorvem parte deste carbono e as medições atmosféricas indicam que a América do Norte está a absorver mais carbono do que os investigadores conseguem explicar.

Mas os resultados sugerem que o aumento da densidade das florestas pode não ser o responsável por este ‘sumidouro de carbono desconhecido’.

“O que todos têm andado a assumir que sejam sumidouros terrestres de carbono pode muito bem não o ser”, diz Houghton. “Esta é a primeira vez que alguém tinha medições suficientemente cedo para realmente avaliar onde o carbono foi armazenado e onde foi perdido.”

É difícil dizer o que aconteceu às florestas desde meados dos anos 90 mas o aumento de densidade deve ter continuado, diz Goulden. As florestas são agora tão densas que os fogos rasteiros não se desenvolvem de forma correcta. Um fogo agora iria queimar tanto as árvores pequenas como as grandes.

As florestas “serão sempre que ser geridas”, diz Sue Exline, porta-voz da Floresta Nacional Sierra na Califórnia. “Devido à influência da sociedade, não conseguimos voltar à floresta que já existiu e deixar que ela cuide de si própria.”

Fonte: Simbiotica

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