Aquecimento global está a alterar milhares de sistemas naturais

Uma análise exaustiva das tendências de dezenas de milhar de sistemas biológicos e físicos forneceu mais evidências em favor da visão praticamente universal de que as alterações climáticas de origem humana estão a alterar o comportamento de plantas, animais, rios e muito mais.

O estudo, realizado por uma equipa internacional onde se incluem muitos membros do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), é uma análise estatística das observações de sistemas naturais ao longo do tempo.

Os dados, que se estendem até 1970, capturam o comportamento de 829 fenómenos físicos, como o tempo de escorrência de um rio, e cerca de 28800 espécies biológicas.

Investigadores liderados por Cynthia Rosenzweig, do Instituto Goddard de Estudos espaciais da NASA em Nova Iorque, criou um mapa do planeta usando um código de cores que revela até que ponto as diferentes regiões aqueceram ou arrefeceram entre 1970 e 2004.

Seguidamente colocaram cada um dos milhares de conjuntos de dados sobre o mapa e determinaram se eram “consistentes com aquecimento” ou “não consistentes com aquecimento”. As árvores, por exemplo, podem florescer mais cedo em regiões onde o clima aqueceu significativamente.

Em cerca de 90% dos casos onde a tendência geral se observava, era consistente com os efeitos previstos do aquecimento global, relatam os investigadores na edição desta semana da revista Nature.

“As alterações climáticas induzidas pelo Homem estão a ter um vasto leque de impactos sobre os sistemas físicos e biológicos, não apenas a uma escala global mas também a nível continental”, diz Cynthia Rosenzweig.

O grosso das observações são da Europa, de uma única meta-análise de uma base de dados conjunta de observações de eventos anuais naturais. Várias outras centenas são de estudos realizados noutros locais do mundo, ainda que África, Austrália e América latina estejam mal representadas.

A equipa de Rosenzweig não alega, portanto, ter mostrado que o aquecimento global de origem humana esteja a causar alterações nestes continentes do sul de forma individualizada.

Entre as alterações associadas ao aquecimento observadas no estudo incluem-se as alterações no momento da floração, construção de ninhos, degelo, migração do salmão e libertação de pólen. Declínio na população de ursos polares, krill e pinguins, bem como o crescimento superior dos pinheiros siberianos e do plâncton oceânico de água fria, também estão neste grupo.

“Este artigo fornece um caso extremamente robusto a favor da associação de uma série de alterações físicas e biológicas às alterações climáticas induzidas pelo Homem, especialmente o aquecimento”, diz Roger Jones, do Centre Australiano de Investigação sobre o Clima. “Infelizmente, estes dados não cobrem todo o planeta e muitas regiões, incluindo a Austrália, não são bem cobertas. Muitas das regiões onde não há cobertura são também fortemente vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.”

Cagan Sekercioglu, da Universidade de Stanford na Califórnia, estuda o alcance das aves e, entre outros aspectos, a sua resposta às alterações climáticas. Ele está convencido que as alterações climáticas estão a afectar muitos sistemas naturais e está desapontado com a falta de dados para algumas regiões.

“Em África existem 14 estudos no total, já incluindo o Médio Oriente”, diz ele. “Os grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Venezuela, não têm muitos estudos e és especialmente embaraçoso para mim que o meu país (Turquia) não tenha nenhum.”

Sekercioglu está impressionado com a profundidade do estudo mas considera que já existia um enorme manancial de evidências de que as alterações climáticas estão a afectar o mundo. “Não devia ser sequer preciso publicar estes artigos nesta altura do campeonato”, diz ele. “Este artigo é um argumento a favor de que as alterações climáticas estão a causar as alterações registadas mas isto devia estar mais que assumido. Ao fim de trinta anos não devíamos ainda ter que andar a convencer as pessoas disso.

Rosenzweig olha para esses trinta anos de forma diferente. Foi há cerca de trinta anos que o Instituto Goddard para os Estudos Espaciais começou a trabalhar nos modelos de alterações climáticas. “Menos de 30 depois de o primeiro modelo ter sido desenvolvido, estamos a trabalhar no segundo tratado global (o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012). Penso que a questão do aquecimento global é o maior desafio que o nosso planeta alguma vez enfrentou mas ao mesmo tempo está a conduzir-nos à sustentabilidade, devido à crescente acção sobre a questão.”

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

COST 725

IPCC Working Group II Report “Impacts, Adaptation and Vulnerability”

Goddard Institute for Space Studies

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