2008 poderá ser o ano mais fresco do século até à data

Este ano parece decidido a tornar-se o mais fresco, globalmente, deste século.

Dados do Serviço de Meteorologia revelam que as temperaturas na primeira metade do ano foram mais de 0,1ºC inferiores às de qualquer outro ano desde 2000, no mesmo período de tempo.

A principal razão para esta situação é La Nina, parte do ciclo natural que também inclui o famoso El Nino, que arrefece o planeta.

Ainda assim, 2008 deverá ser o mais ou menos o décimo ano mais quente desde 1850 e os meteorologistas já avisaram que as temperaturas irão voltar a subir assim que as condições criadas pelo fenómeno La Nina abrandem.

TEMPERATURAS GLOBAIS

As temperaturas mencionadas são dadas sob a forma de variação relativamente à média do período 1961-1990:

Ano mais quente de que há registo – 1998: +0.515ºC

Ano mais frio de que há registo – 1862: -0.616ºC

Entre 2001 e 2007 as temperaturas variaram, em relação à média, entre +0.400 e +0.479ºC

Durante 2008, entre Janeiro e Junho: +0.281ºC

Dados fornecidos pelo Hadley Centre

“O fenómeno invulgar que tem acontecido este ano é o La Nina, que tem baixado as temperaturas globais em algum grau”, explica John Kennedy, investigador e analista climático no Hadley Centre, Reino Unido.

“O La Nina tem vindo a desvanecer-se nos últimos meses e agora já estamos em condições neutrais no Pacífico.”

Os cientistas da Organização Mundial de Meteorologia (WMO) também sugeriram que 2008 deverá ser mais frio que os últimos anos.

O fenómeno La Nina arrefece as águas do Pacífico oriental mas os seus efeitos estendem-se bem para além dessa zona do globo.

Faz parte de uma série de ciclos climáticos naturais que podem reforçar ou contrariar a tendência continuada de aquecimento global que resulta do aumento dos níveis de gases de efeito de estufa na atmosfera.

La Nina significa em espanhol ‘a menina’ e refere-se a um extenso arrefecimento do Pacífico central e oriental.

A subida das temperaturas do mar no Pacífico ocidental significa que a atmosfera tem mais energia e a frequência de fortes chuvadas e trovoadas aumenta.

Tipicamente, La Nina pode durar até 12 meses mas geralmente causa menos danos que o evento ‘irmão’ mais forte, o conhecido El Nino.

No início deste ano, um grupo de investigadores sugeriu que um outro ciclo natural, a Oscilação Atlântica Multidécada, deveria manter as temperaturas mais ou menos estáveis durante a próxima década, antes de reverter o seu efeito e permitir um aquecimento renovado.

“A tendência a longo prazo é que temos que analisar”, diz Kennedy.

“2008 ainda será significativamente acima da média a longo prazo. Tem ocorrido uma forte tendência de subida nas últimas décadas e é nisso que nos devemos focar.”

Um dos efeitos mais notórios da subida das temperaturas tem sido a rápida perda de gelo marinho árctico no Verão, que se tem vindo a acelerar desde o ano 2000.

Já este ano se tinha mencionado que havia indicações de que em 2008 se poderiam verificar perdas de gelo ainda superiores às registadas em 2007, que quebraram todos os recordes.

Actualmente, o gelo parece estar a aguentar-se melhor do que há um ano, ainda que os cientistas estejam preocupados com a percentagem dele que é relativamente frágil e se formou num único Inverno.

As autoridades canadianas declararam recentemente que a Passagem do Noroeste é “navegável”, ainda que reconheçam que algumas zonas ainda apresentem gelo flutuante.

Fonte: Simbiotica

Saber
mais:

WMO

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