Emissões de CO2 superam previsão mais pessimista da ONU

As emissões de CO2 atingem níveis mais preocupantes que os piores cenários anunciados pelos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). Dados coletados pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) alertam que as emissões estão já acima das piores taxas imaginadas e que a elevação dos oceanos é superior ao que os especialistas previam.

A ONU pede que, apesar da crise financeira, governos e empresas não abandonem suas metas e programas ambientais. “As emissões estão se acelerando. O paciente, que é a Terra, não está se recuperando”, afirmou Sylvie Lemmet, diretora do Departamento Econômico do Pnuma.

“Muitas empresas estão cortando dinheiro de filantropia. Mas esperamos que as atividades principais no setor de meio ambiente sejam mantidas”, afirmo Georg Kell, que coordena um grupo de empresas em todo o mundo que se comprometeram a adotar políticas pró-ambientais, entre elas a Copagaz, no Brasil.

No ano passado, o IPCC lançou uma série de relatórios que deixaram claro que as mudanças climáticas são uma realidade e que o mundo terá de tomar medidas para frear essa tendência. Para avaliar o risco ambiental, os mais de mil especialistas do IPCC desenharam diferentes cenários.

O pior deles indicava que haveria uma alta nas emissões de CO2 na atmosfera de 2,7% ao ano na atual década. “O problema é que estamos vendo, desde 2000, um crescimento nas emissões de 3,5% por ano, apesar de todo o esforço internacional”, alertou Lemmet. Nos anos 90, o aumento das emissões era de apenas 1% ao ano e mesmo assim já preocupava os cientistas.

Outro cenário alarmante é o de elevação dos oceanos. Com a elevação da temperatura da terra, as calotas polares derreteriam, causando inundações em muitas cidades costeiras. No pior dos cenários, os oceanos teriam seus níveis elevados em no máximo 0,9 metro em uma década.

Os novos números apontam que a elevação dos oceanos variou no mundo entre 0,8 metro e 1,5 metros. Em 2030, se esse ritmo for mantido, 300 milhões de pessoas poderiam ser afetadas diretamente e obrigadas a abandonar suas cidades. A elevação de temperaturas já estaria gerando emissões de metano, algo que seria ainda mais preocupante que as emissões de CO2.

Outra constatação é de que a perda de cobertura de gelo nos pólos é duas vezes maior na atual década que nos anos 90 e quatro vezes maior que os registros de 1980.

A ONU levará esses números à reunião que ocorrerá na Polônia em dezembro. O encontro tem como objetivo tentar avançar as negociações sobre a criação de um acordo mundial sobre as mudanças climáticas.

Já os países ricos enfrentam uma resistência cada vez maior de seu setor privado, alegando que a atual crise financeira tornará inviável pagar pelas mudanças tecnológicas que o novo modelo ambiental exige.

Fonte: Jamil Chade/ Estadão Online

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