Controlar o nível de um tipo de ácido gordo no cérebro pode ajudar a tratar a doença de Alzheimer, sugere um estudo americano agora conhecido.

Testes em ratos mostraram que reduzir os níveis excessivos de ácidos gordos diminuía os problemas de memória dos animais, bem como as suas alterações comportamentais.

Escrevendo na revista Nature Neuroscience, a equipa refere que os níveis de ácidos gordos podem ser controlados com a ajuda da dieta ou de medicamentos.

Existem actualmente 700 mil pessoas a viver com demência só no Reino Unido mas o seu número deve duplicar no espaço de uma geração, segundo as previsões dos peritos.

Cientistas do Instituto de Doenças Neurológicas de Gladstone e da Universidade da Califórnia analisaram os ácidos gordos de ratos normais e compararam-nos com os de ratos geneticamente modificados para apresentarem uma condição semelhante ao Alzheimer.

Identificaram níveis aumentados de um tipo específico de ácido gordo, o ácido araquidónico, nos cérebros de ratos com Alzheimer. A sua libertação é controlada pela enzima PLA2.

Os cientistas usaram novamente a engenharia genética para reduzir o nível de PLA2 nos animais e descobriram que mesmo uma redução parcial parava a deterioração da memória e outros problemas associados à doença.

Rene Sanchez-Mejia, que trabalho no estudo, refere: “A alteração mais importante que descobrimos nos ratos com Alzheimer foi um aumento do ácido araquidónico e metabolitos com ele relacionados no hipocampo, o centro de memória que é fortemente e precocemente afectado pela doença de Alzheimer.”

Ele sugere que demasiado ácido araquidónico pode estimular excessivamente as células cerebrais e que a redução dos níveis do ácido gordo lhes permitia funcionar normalmente.

Lennart Mucke, que liderou a investigação, acrescenta: “De modo geral, os níveis de ácidos gordos podem ser regulados através da dieta ou com a ajuda de medicamentos.”

“Os nossos resultados têm implicações terapêuticas importantes pois sugerem que a inibição da actividade da enzima PLA2 pode ajudar a evitar os danos neurológicos da doença de Alzheimer. Mas é necessário muito mais trabalho antes desta estratégia terapêutica puder ser testada em humanos.”

Rebecca Wood, executiva-chefe do Alzheimer’s Research Trust do Reino Unido, comenta: “Esta investigação em ratos sugere uma ligação entre ácidos gordos e uma actividade anormal do cérebro, como a que existe na doença de Alzheimer.”

“É razão para um optimismo moderado, pois os níveis de ácidos gordos podem ser controlados, dentro de certos limites, pela dieta e por medicamentos. No entanto, ainda não é claro se a descoberta pode ser aplicada a humanos e os testes clínicos estão a muitos estudos de distância.”

Clive Ballard, director de investigação da Alzheimer’s Society, considera o estudo “robusto e entusiasmante”. “Esta é uma nova e potencialmente gratificante área de investigação mas estamos apenas no início.”

“São necessários mais estudos para verificar se os ácidos gordos podem levar a um tratamento para os que vivem com os devastadores efeitos da doença de Alzheimer.”


Fonte: Simbiotica


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